Tuesday, August 25, 2015

Heróis dos quadrinhos são redescobertos por uma nova geração

Quando sai um novo filme com personagens dos quadrinhos, por exemplo, o movimento de pessoas de todas as idades que procuram por esses itens aumenta consideravelmente nas lojas da cidade

Telma Elorza
  • Telma Elorza
  • 31/05/2015 02:40
É fato. Basta anunciarem a produção do filme de um super-herói dos quadrinhos para disparar o interesse por brinquedos e por miniaturas colecionáveis. Quando o longa-metragem entra em cartaz, as lojas de brinquedos sabem também que terão de reforçar o estoque. Crianças que nunca tinham ouvido falar de determinado personagem “descobrem” como ele é legal - apoiadas, claro, por campanhas publicitárias – e correm para as prateleiras das lojas.
Não são somente os pequenos que aderem a esse movimento. Em Londrina, muitos pais que presenteiam os filhos com a luva do Homem de Ferro também compram para si miniaturas colecionáveis. Na loja de brinquedos Bumerang, do Royal Shopping, é comum ver adultos olhando as novidades desse segmento. “A gente tem linha de brinquedos e assessórios para crianças, mas os pais também gostam”, diz o vendedor Pedro Henrique Farias Lima, ele mesmo um aficionado por esses produtos. “As duas linhas de super-heróis, da DC Comics e da Marvel, fazem muito sucesso, tanto nos brinquedos, como nos colecionáveis. Porém é melhor quando tem um filme em cartaz.”
Os brinquedos, acessórios e colecionáveis da franquia Star Wars, mesmo sem filmes novos há anos, são muito procurados. “A gente vende sempre sabres de luz e máscaras dos Stormtroopers e do Darth Vader”, conta Lima. Houve até uma certa procura pela nave Estrela da Morte em Lego, embora a loja nunca tenha recebido esse item. Uma Estrela da Morte em Lego, num site de vendas de produtos usados, custa em torno de R$ 3,1 mil.
Na Ri Happy, o número de colecionáveis de super-heróis é um pouco menor. “No meio do lote de brinquedos, sempre vêm alguma coisa que desperta a atenção dos pais, mas não é nosso foco”, afirma o gerente Laércio Menezes. Quando há um filme em cartaz, porém, “sai tudo”. “A coleção Avenger, por exemplo, está bem completa e a criançada adora.”
Na Loja Bat, especializada em HQs e colecionáveis, as vendas aumentam consideravelmente quando é anunciado uma nova produção cinematográfica. “Até ser lançado, o pessoal quer saber tudo sobre o personagem”, relata o vendedor Vinícius Nagaoke. Os frequentadores da loja são de todas as idades. “Temos desde crianças que foram estimuladas pelos pais a colecionar até pessoas da terceira idade.”
Consumidor
O ilustrador Rafael Pereira Costa, 36 anos, é um consumidor assumido das “mídias nerd”: cinema, videogame e HQs. Ele e a namorada, que também gosta de super-heróis, têm entre 30 e 40 colecionáveis decorando a casa. “Já tive mais. Sozinho, cheguei a ter 130 objetos, mas fui me desfazendo aos poucos”, conta ele.
A paixão de Costa vem da infância, quando ganhar presentes do tipo era restrito a datas especiais, como o dia de aniversário, o Dia das Crianças e o Natal. “Então, a gente curtia muito, criava um vínculo maior com a peça. Essa sensação tenho ainda hoje, quando compro uma nova.”
Segundo ele, quando tiver filhos, vai estimular essa paixão nas crianças. “Não sei se vão gostar porque é uma coisa tipo ‘ame ou odeie’. Mas crescendo comigo, provavelmente vão gostar.”

Paixão de pai para filho

O publicitário Fábio Martins é um aficionado por super-heróis desde a infância, quando assistia a seriados como Batman & Robin e a desenhos animados na TV. Essa paixão contaminou o filho dele, Angelo Makoto Oka Martins, 8 anos.

Hoje, os dois assistem a séries e filmes, leem HQs, discutem os universos e estão sempre se propondo questões como quem venceria uma luta entre Batman e Homem de Ferro. “A gente sempre pensa em coisas assim, tipo quem seria melhor pra fazer tal personagem num filme. Temos boas discussões”, diz.

Martins é um nerd “atípico”: deixa o filho brincar com todos os colecionáveis que tem. “É brinquedo e é para brincar. Se fosse milionário, até teria coisas em embalagens.” Ele deu até a coleção de HQs para o pequeno. Só uma coleção de Batmóveis é que o pai fez questão de comprar duas, uma para si e outra para o filho. “Assim evita problemas”, brinca. 

Angelo tem como heróis preferidos Batman e Homem-Aranha. E entrega que os favoritos do pai são Batman e Demolidor. Mas os dois não perdem os filmes da franquia Avengers. “Gostei muito do Deadpool e do Ultron”, conta o filho. 

Angelo diz que é nerd e que são poucos aqueles com quem pode conversar sobre o assunto. “Na minha sala [ele cursa a 4ª série], só tem mais um que gosta de super-heróis.” Com os amigos do pai, porém, ele se solta. “Ele conversa com a gente de igual para igual”, diz Martins. 

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