Friday, August 28, 2015

Com cena independente e interesse de editoras, HQs se fortalecem no Brasil


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Rodrigo Casarin
Do UOL, em São Paulo
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Veja alguns destaques entre os lançamentos de HQs nacionais13 fotos

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Veja algumas das HQs nacionais que estão chegando ao mercado Montagem/Divulgação
 "Os quadrinhos estão em alta. Voltou a ser cult, ninguém mais tem vergonha de ser nerd. Hoje temos absolutamente todos os gêneros no mercado, desde Robert Crumb até mangá erótico. Desde super-herói de linha até o nacional fofinho. Mesmo com a crise do mercado editorial brasileiro, as vendas das HQs subiram. Além disso, os artistas independentes estão sabendo aproveitar esse momento." Quem faz a análise é Sidney Gusman, um dos mais respeitados especialistas em quadrinhos do Brasil, que atua na área desde 1990 e, atualmente, edita o site Universo HQ e é o responsável pelo planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções.
A produção nacional reforça os argumentos de Gusman. Outrora completamente ofuscada pelo que vinha do exterior, ela começa a ocupar um espaço relevante, seja nas livrarias --por meio de editoras consagradas que investem cada vez mais no gênero ou de novos selos que surgem para lidar exclusivamente com HQs--, seja na cena independente, estimulada pala internet e pelos eventos do nicho que acontecem pelo país.
Vive-se um momento ímpar hoje no país. Há uma diversidade de publicações, de gêneros e formatos nunca antes vista. O volume de tiras e de narrativas mais longas feitas por autores brasileiros também é inéditoPaulo Ramos, do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.
"Há quatro anos, uma editora dava 7% das vendas de um quadrinho já pronto para o seu autor. Hoje, editores precisam ir atrás de muitos caras, pagar para que produzam e dar mais  porcentagem de venda. É pouco ainda, mas as coisas vão acontecendo. Há uma predisposição maior das pessoas em consumir quadrinho nacional", continua Gusman, cuja opinião encontra bastante eco entre seus pares.
"Vive-se um momento ímpar hoje no país. Há uma diversidade de publicações, de gêneros e formatos nunca antes vista. O volume de tiras e de narrativas mais longas feitas por autores brasileiros também é inédito. Não se compara às vendas em bancas de 50 anos atrás, mas vive-se um período de ebulição inédito", diz Paulo Ramos, membro do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP.
Mesmo ponderando que o ideal seria analisar o momento atual daqui a alguns anos, tendo números consolidados em mãos, e indicando que talvez o ápice do quadrinho nacional tenha sido por volta de 2010, Érico Assis, jornalista e especialista em quadrinhos, também faz sua análise. "Nos últimos dez anos, vimos a seção de quadrinhos nas livrarias crescer ou brotar com espaço considerável, passamos de quase zero a dezenas de 'graphic novels' nacionais por ano. Os quadrinistas brasileiros passaram a ser publicados com criações próprias no exterior e ganham prêmios por lá".
As razões
Mas quais são as razões para esse momento? Ramos indica que, atualmente, os artistas possuem cinco caminhos para que possam publicar suas obras: por meio de editoras, leis de fomento à produção, financiamentos coletivos, com verba própria ou pela internet. Esses caminhos ainda podem se cruzar, possibilitando que frentes diversas sejam unidas a fim de viabilizar um projeto, o que pode se transformar em um atalho para o quadrinista.
Arnaud Vin, editor da Nemo, selo do Grupo Autêntica dedicado às HQs, aponta alguns fatores para que o país viva essa fase que ele define como "de bela exuberância, prolífica, forte e grande". O primeiro deles seria a qualidade das "graphic novels", que despertam a atenção de um público cada vez maior. O segundo é o aumento no número de eventos relacionados ao tema, como o FIQ.

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