Monday, April 20, 2015

Mulheres conquistam os quadrinhos



Magra de Ruim
Site reúne obras de artistas femininas que ainda lutam por espaço no mundo da produção cultural 
30/06/2014
Raíssa Lopes
Belo Horizonte (MG)
Durante muito tempo, o mundo dos quadrinhos foi masculino. Histórias que enalteciam os grandes feitos dos super-heróis, sempre fortes e viris, e que tratavam mulheres como coadjuvantes estereotipadas pareciam comuns ao universo das HQ’s. Cansada dessa realidade, a jornalista Mariamma Fonseca criou o Lady’s Comics, site para apresentar quadrinistas mulheres e abordar personagens femininas. 


Logo se juntaram ao projeto a design Samanta Coan e as demais jornalistas Lu Cafaggi e Samara Horta. Hoje, quatro anos depois, elas se consideram um coletivo que busca também discutir a representação feminina nesse meio, documentar seus trabalhos e criar encontros presenciais para debate.
Ao visitar a página, a frase “HQ não é só para seu namorado” - presente na arte principal do site - dá o recado. “Essa frase foi uma brincadeira usando um refrão de uma música que diz ‘punk rock não é só para seu namorado’. É uma alusão ao que normalmente é escutado por grande parte de meninas que querem trabalhar nesse ramo: ‘quadrinhos é coisa de menino’. E não é assim, quadrinhos são para todos”, declara Mariamma. A jornalista conta também que antigamente, muitas quadrinistas usavam codinomes masculinos para que não fossem discriminadas.
Para mudar esse contexto, reunir somente trabalhos femininos foi, segundo Mariamma, uma maneira de se reafirmar. Ela avalia que em um mercado editorial restrito, onde a produção é em maioria feita por e para homens, as mulheres precisam se separar para serem vistas.
Além disso, a jornalista afirma que um dos preconceitos enfrentados nos quadrinhos é de que a mulher tende a fazer apenas coisas fofas. “O que vem sendo desmitificado com publicações de quadrinistas como Camila Torrano, Gabi LoveLove6, Chiquinha, Cynthia Bonacossa”, comenta.
A artista Gabi LoveLove6, por exemplo, publica a série de HQ’s “Garota Siririca”, pela revista Samba (DF). Seus quadrinhos valorizam e tratam a sexualidade feminina, historicamente reprimida, de forma natural e não diferenciada da sexualidade masculina. Já Sirlanney, dona da página “Magra de Ruim”, retrata em obras densas, experiências pessoais e particularidades da construção do feminino.

“Há uma diferença no público [masculino e feminino]. É possível enxergar algumas distinções, talvez pela representação de uma personagem. Portanto, se há diferença de público é bom promover, incitar uma diferença de olhares”, diz Mariamma. A jovem, que também é militante feminista, assegura que o site atua não somente pelo empoderamento das quadrinistas, como pela construção da memória de mulheres que  fazem quadrinhos desde o início do século XX no Brasil. “É por nós que estamos atuando em todos esses anos”, conclui.

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