Monday, April 20, 2015

Desconstruindo o Mangá e o Animê


“O mangá brasileiro e o mercado editorial”
Há mais de 40 anos, chegaram ao Brasil os animês e os seriados tokusatsu (efeitos especiais). Depois, o mangá e um universo enorme de entretenimento vindos da Terra do Sol Nascente começaram a se fazer presentes na vida de muitos brasileiros. O grande contato com a cultura pop japonesa influenciou muitos jovens (descendentes ou não) a querer contar suas próprias histórias, mas seguindo padrões japoneses. Cheios de inspiração e vontade, descobriram uma realidade editorial muito diferente da japonesa que gerou os personagens que tanto apreciam. Baseado em pesquisas e em vivências pessoais, o autor e redator Alexandre Nagado traçará um paralelo entre o mercado de quadrinhos no Brasil e no Japão, tecendo seus comentários sobre diversos aspectos.

17 de março
“Arte sem fronteiras – Mangá no Brasil e mangá feito no Brasil”
Na virada do milênio o mangá chega com força ao Brasil. O fenômeno vem acompanhado da onda de popularidade de alguns animês, que ajudou a impulsionar a venda dos quadrinhos japoneses em todo o país. O fato de o Brasil abrigar a maior colônia japonesa fora do Japão também é um detalhe relevante.  A relação entre os dois países sempre foi bastante próxima e, neste contexto, o mangá aparece como mais um elemento importante de representação e difusão da cultura pop japonesa. Além disso, com o sucesso dos animês e mangás houve o surgimento de eventos voltados para o público jovem que chega a reunir mais de 40 mil visitantes por dia.
A abordagem será sobre a evolução da expansão dos mangás no Brasil podendo-se constatar três tendências: uma de pioneirismo quanto à leitura, produção de mangás em relação ao mundo e pioneirismo nos estudos acadêmicos. A outra, mais recente, acompanha a exportação dos mesmos vinculados a uma política de expansão de bens culturais do Japão. A terceira tendência é a nova produção de mangá no Brasil revelando não só artistas descendentes como não descendentes numa linguagem híbrida de forma e conteúdo.



PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
Na palestra do dia 17, teremos a participação especial de Fred Hildebrand e Ana Recalde, autores do “Patre Primordium”, uma revista em quadrinhos de ação e fantasia.
Fred Hildebrand
Fred tem 22 anos e nasceu em Campo Grande – MS. Aprendeu a desenhar vendo desenhos animados e jogando vídeo game, viu o hobbie de infância se tornar profissão quando decidiu entrar na faculdade de Artes Visuais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
Fred não é apenas desenhista da Patre, pois auxiliou em todo processo criativo e de visual da estória. Um apaixonado por mangá (quadrinhos japoneses) que definiu seu estilo.
Ana Recalde
Ana tem 27 anos e também nasceu em Campo Grande – MS, mas morou em vários lugares durante sua vida, São Paulo, Brasília. Hoje ela reside no Rio de Janeiro. Sempre gostou de viajar e por isso mesmo se graduou em inglês na Internacional House em Londres. Os quadrinhos vieram desde cedo em sua vida, quando subia para o sotão da casa de seu pai para ler. Os heróis povoaram sua imaginacão, gênero que é fã até hoje. Teve contato com roteiros quando trabalhou em programas de televisão e partir para roteiros de quadrinhos foi um pulo. Ler e escrever são sua paixão.

O QUE É?
Mangá
Sinônimo tanto de histórias em quadrinhos como de gibis no Japão, significa literalmente “desenhos divertidos”. O termo mangá foi empregado pela primeira vez no século XIX, pelo artista plástico e famoso gravurista de ukiyo-e (xilogravura) Hokusai (1760-1849), para uma série de sketches de movimentos e expressões registrados em suas viagens. Mas a tradição de desenhos humorísticos e representações cômicas (similares a cartuns e caricaturas) remonta a épocas bem anteriores, como as imagens criadas em “emaki” (pinturas em rolo), que foram produzidas em grande quantidade nos períodos Heian (794-1185) e Kamakura (1185 – 1333).
Como tiras de jornal e histórias em quadrinhos, o mangá foi ganhando forma na primeira metade do século XX, após contatos com a imprensa ocidental. Mas foi somente com Osamu Tezuka, na década de 1950, que o mangá começou a estabelecer padrões que se tornariam suas marcas registradas: narrativa cinematográfica, traços estilizados e olhos grandes e expressivos. O mercado de mangá é todo segmentado, com revistas para crianças, adolescentes, jovens e até adultos com mais de 30 anos, de ambos os sexos e de interesses variados.
As revistas são vendidas a um preço acessível e, em sua maioria, são editadas em preto-e-branco em papel jornal, com média de 300 páginas por publicação. Normalmente os mangás são apresentados por capitúlos e, posteriormente, são publicados em compilações de formato menor, chamados “tanko-bon”. Autores de mangá, no Japão, são chamados de “mangá-ka”.
Animê
Termo que designa os desenhos animados japoneses. É a abreviação de “animation”. Animações já eram feitas no Japão desde o começo do século XX, mas em caráter experimental. Uma indústria começou a se formar com a entrada da Toei no mercado, em 1958, com “Hakujaden” (“A Lenda da Serpente Branca”, como visto no Brasil), exibido em cinemas no Japão.
Na TV, após a exibição de um especial experimental chamado Mittsu no Hanashi (“Três Histórias”) no início de 1960, o animê se estabeleceu no final de 1961, com as vinhetas da série Instant History, posteriormente chamada de Manga Calendar. Como fenômeno de massa, ganhou força graças a Osamu Tezuka e seu Astro Boy, em 1963, começando em seguida a conquistar fãs em vários países, que foram comprando séries japonesas, como o famoso Speed Racer.
Muitas animações são adaptações de séries de mangá de sucesso e o animê movimenta um mercado milionário, com mais de uma centena de séries de TV inéditas a cada ano e dezenas de produções voltadas para cinema e vídeo. No Brasil, os animês estão presentes nas emissoras de TV desde o final da década de 60, bem antes do surgimento de grandes sucessos como Cavaleiros do Zodíaco, Naruto, Dragon Ball Z e Pokémon.
Patre Primordium - revista em quadrinhos de ação e fantasia
 Patre Primordium – revista em quadrinhos de ação e fantasia
PERFIL DOS PALESTRANTES
Alexandre Nagado
Desde 1988, o paulista Alexandre Nagado trabalha como desenhista profissional, tendo produzido cartuns, quadrinhos, caricaturas, story-boards e ilustrações para diversos clientes, sendo especializado em comunicação institucional.
Em 1990, começou a trabalhar com roteiros para quadrinhos, tendo estreado com Flashman, para a Editora Abril, escrevendo também Maskman e Changeman, heróis de seriados japoneses. Na mesma linha, para a EBAL, assinou Sharivan, Machine Man e Goggle V, tudo no início da década de 1990. Em 1993, iniciou o trabalho em Street Fighter II, revista que roteirizou por 15 edições, sendo um dos autores que mais histórias em quadrinhos oficiais criou para a famosa franquia originada de um game japonês.
Criou os personagens Blue Fighter (Ed. Escala e Trama) e Dani (Ed. Escala e Via Lettera), onde usou influências de diferentes tipos de mangá misturadas com estilos ocidentais. Em 2003, foi o organizador e um dos autores do álbum Mangá Tropical (Ed. Via Lettera), com histórias ambientadas no Brasil. Na área de quadrinhos didáticos e institucionais, assinou trabalhos sob encomenda para a Votorantim, Dersa, Pão de Açúcar, Projeto Tietê, Santander Banespa e diversas outras empresas e entidades que utilizaram o potencial comunicativo dos quadrinhos. Desde 1992, atua também como redator, tendo colaborado com diversas revistas (Herói, Henshin) e sites (Omelete, Bigorna, Nippo-Jovem, Nihonsite).
Já ministrou palestras em São Paulo, Osasco, Sorocaba, Santos, Paraguaçu Paulista, Ilha Solteira, Mauá (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE), entre outras cidades.
Em 2008, esteve no Japão como um dos selecionados no programa Jovens Líderes, atividade comemorativa do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, promovida pelo MOFA – Ministry of Foreign Affairs do Governo Japonês.
Atualmente reside em Ilha Solteira (SP), de onde produz para seus clientes via internet.
Livros publicados:
Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Via Lettera, 2007)
Cultura Pop Japonesa: Mangá e Animê (Hedra, 2004) – co-autor
Mangá Tropical (Via Lettera, 2003) – coordenador e co-autor
Dicionário Anime>DO (Ed. Escala, 2000) – co-autor
Site oficial: www.nagado.com
Blog Sushi POPwww.nagado.blogspot.com
Sonia Luyten
Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo, com tese sobre mangá.
Professora do Departamento de Jornalismo e Comunicações da ECA/USP (1972-1984)
Professora Convidada da Universidade de Estudos Estrangeiros de Osaka e Tóquio – Japão (1984-1990)
Professora da Universidade Real de Utrecht- Holanda (1993-1996)
Professora Convidada da Universidade de Poitiers – França (1998-1999)
Foi professora e coordenadora do curso de Pós Graduação da Universidade Católica de Santos
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Católica de Santos. (2001-2005)
Autora de inúmeros artigos no Brasil e no exterior e dos seguintes livros:
Comunicação e Aculturação. São Paulo, Ed. Loyola, 1981.
Histórias em Quadrinhos – Leitura Crítica. São Paulo, Ed. Paulinas, 1984.
O que é Histórias em Quadrinhos. São Paulo. Ed. Brasiliense, 1985
Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. São Paulo, Ed. Hedra. 2ª edição 2000
Cultura Pop japonesa: anime e manga. São Paulo, Ed. Hedra , 2006
Obteve vários prêmios por sua pesquisa em Histórias em Quadrinhos como:
HQ Mix em 1988, 1991, 1999 (São Paulo – Brasil),
MANGACOM em 2001 (São Paulo- Brasil) e o
Prêmio Romano Calise, em Lucca Itália em 1990.
Prêmio Ângelo Agostini – Mestre dos Quadrinhos em 2005
Prêmio Cátedra UNESCO/Metodista de Comunicação – em 2006
Honraria do governo japonês pela atuação na divulgação da Cultura Pop Japonesa – em 2008
A autora fundou o primeiro núcleo de estudos de mangá na Universidade de São Paulo na década de 70 e que se transformou na ABRADEMI, bem como da primeira mangateca (biblioteca especializada em revistas de mangá). Foi curadora de várias exposições no Brasil e no exterior e membro de Júri dos principais salões de Humor e Quadrinhos do Brasil. Também foi jurada do WCS – World Cosplay Summit em 2008 e 2009. Atualmente é presidente do Prêmio HQMIX, instituição que faz a premiação dos melhores artistas na área de Histórias em Quadrinhos e Humor Gráfico.
Livros publicados:Comunicação e Aculturação
O que é Histórias em Quadrinhos
Histórias em Quadrinhos – leitura crítica
Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses
Cultura Pop Japonesa: mangá e animê


Professora Doutora Sonia Luyten

Palestra com a Professora Doutora Sonia Luyten


Foto: Sandra Keika Fujishiro

Especialistas abordam temas gerais em suas palestras

Patre Primordium - revista em quadrinhos de ação e fantasia

Serviço

Desconstruindo o Mangá e o Animê
Datas: 10 e 17 de março de 2010
10 de março: palestra com o desenhista Alexandre Nagado
17 de março: palestra com a Professora Doutora Sonia Luyten
Horário: 19h30~21h30
Local: Espaço Cultural – Fundação Japão em São Paulo
Av. Paulista, 37 – 1º andar
Capacidade: 100 lugares
Entrada Gratuita
É necessário fazer inscrição antecipada.
Inscrições: 11 3254-0100 ramal 354 ou cgjcultural4@arcstar.com.br
Acesso para portadores de necessidades especiais
Realização: Consulado Geral do Japão e Fundação Japão em São Paulo
Informações:
Fundação Japão em São Paulo
Tel: (11) 3141-0843 / 3141-0110
www.fjsp.org.br


O Consulado Geral do Japão e a Fundação Japão em São Paulo trazem dois especialistas em Cultura Pop para analisar o cenário do desenho japonês no Brasil.
As palestras gratuitas abordarão temas gerais, mas com enfoque na arte do mangá e do animê e acontecem no Espaço Cultural da Fundação Japão. No dia 10 de março, o desenhista e redator Alexandre Nagado discute “O mangá brasileiro e o mercado editorial” e, no dia 17 de março, a professora doutora Sonia Luyten fala sobre “Arte sem fronteiras – Mangá no Brasil e mangá feito no Brasil”. Ainda neste dia, os autores da revista quadrinhos de ação e fantasia “Patre Primordium”, Fred Hildebrand e Ana Recalde, fazem uma participação especial.

PROGRAMAÇÃO
10 de março
Palestra com o desenhista e redator Alexandre Nagado




No comments: