Thursday, April 16, 2015

Naej Vitória: Quadrinista Acreana

Menina de 12 anos faz quadrinhos no Acre (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Naej Vitória começou a desenhar quadrinhos aos seis anos (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Traços, formas, cores, personagens, histórias, ideias. Esses elementos acompanham a acreana Naej Vitória Arantes, de 11 anos, desde muito pequena. Aos seis anos, o fascínio pelo mundo dos quadrinhos transportou a menina de simples leitora a criadora de histórias. Ela garante que desde aquela época, já foram aproximadamente 100 histórias criadas.
A primeira história Naej lembra muito bem. “Eu estava na 2ª série, eu e meus amigos estávamos lendo gibis da Turma da Mônica e pensei: ‘já que somos uma turma, porque não criar uma história?’ E eu criei”, conta.
Naej contabiliza 14 personagens que acompanham suas histórias, todos possuem nomes e personalidades. As temáticas são das mais variadas, porém, todas estão relacionadas com acontecimentos do cotidiano da quadrinista.Mais do que simples personagens, Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, foram inspirações no início das produções de Naej. Além do amor pelos animais. Um curso de desenho quando tinha 9 anos ajudou a aprimorar os traços da menina. “Meus animais me inspiram e leio muitos gibis do Maurício de Souza e surgem novas ideias. Desde pequena, ele era o meu herói, eu me admirava muito com os gibis dele”, lembra.
Aos 11 anos, menina cria quadrinhos em Rio Branco (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Naej possui 14 personagens fixos em suas histórias
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)





“As histórias surgem no dia a dia mesmo. Tudo funciona na escola, baseado nos meus amigos de sala. Eu vejo o jeito que eles falam e construo o gibi. Eu faço em quadrinhos para um dia publicar”, explica.
Este é um dos maiores sonhos da acreana, ver publicadas as aventuras da ‘Turma da Naej’. Os gibis ainda são artesanais. Para dar vida aos personagens, a menina dobra folhas de papel, grampeia e faz pequenos blocos. Neles, constrói seu próprio livro.
“Lançar um livro sempre foi meu sonho. O desenho é minha forma de falar o que tenho em minha mente. Se eu fizer um personagem, ele não pode ficar só na minha cabeça, tem que ir para o papel”, diz.
Segundo Naej, o interesse pelas histórias em quadrinhos é atribuído a outro amor bem maior, a leitura. O livro preferido da menina é ‘O Panfleto’, do escritor paulista Dionisio Jacob, que mostra a história de um autor que enfrentava o tão temido ‘branco’ criativo. Foi o bastante para ocorrer uma identificação por parte de Naej.
Menina de 12 anos faz quadrinhos no Acre (Foto: Caio Fulgêncio/G1)As temáticas abordadas por Naej são assuntos do cotidiano (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
“Quando terminei de ler o livro, estava escrito atrás: ‘Essa é uma história sobre a cabeça de um autor’. Eu pensei que é exatamente como funciona a minha cabeça. Esse livro me levou a outro mundo”, conta entusiasmada.
Todo esse amor pelas palavras é o combustível para manter outro sonho de Naej. “Desde pequena penso em fazer faculdade de jornalismo. É meu sonho”, fala.
O incentivo para as criações de Naej vêm da mãe, a professora de física, Fabiana Arantes. Para ela, o interesse dos filhos pela leitura está intimamente ligado ao incentivo dos pais. Fabiana se orgulha em ver a criatividade da filha e diz que vai fazer tudo o que puder para ver realizados os sonhos da garota.
“Não sei o que vai ser do futuro dela, mas o que eu puder fazer, vou fazer. A gente tem que fazer o que gosta e contribuir com a humanidade. Vou investir nela, ela vai fazer mais um curso de desenho, porque vi que ela tem talento com a caricatura”, afirma a mãe orgulhosa.

No comments: