Wednesday, October 29, 2014

Entrevista com o Quadrinista:

João Marcos Parreira Mendonça
João Marcos, desde criança, aprendeu com as Histórias em Quadrinhos - Fotos: Divulgação
Rosa Maria: Como foi sua participação na Bienal de Minas?
João Marcos: Eu participei do espaço Bienal em Quadrinhos, no dia 19, em três atividades: sessão de autógrafos, Desenho no Painel e o Palestra Desenhada, onde contei a minha trajetória profissional ilustrando ao vivo algumas passagens dela. Nos outros horários, autografei e desenhei no estande da Editora Lê, que publica os meus livros.
RM: O que achou do espaço Bienal em Quadrinhos? É a primeira vez que uma Bienal abre um espaço para HQ?
JM: Achei ótimo! É fruto do bom momento que os quadrinhos vivem no Brasil, tanto em termos de quantidade, qualidade e diversidade, além do reconhecimento como linguagem autônoma, como uma das possibilidades de se contar histórias. Acredito que na Bienal de Minas, como parte da programação, foi a primeira vez. O que tivemos antes foi a presença dos quadrinhos em alguns estandes que publicam essa linguagem, mas de forma isolada. Um espaço como o da Bienal acaba virando um ponto de referência para os leitores de quadrinhos (e para os futuros leitores também).
RM: Atualmente, como é o seu trabalho como cartunista?
JM: Eu divido o meu tempo produzindo o meu trabalho autoral, com livros em quadrinhos para crianças e a produção de roteiros para as revistas infantis da Turma da Mônica, do Maurício de Sousa. Também publico uma charge diária para o jornal Diário do Aço, de Ipatinga.
RM: Quando começou a desenhar?
JM: Desde a infância, eu sempre gostei de desenhar. Fui influenciado pela minha mãe, que pintava roupas para crianças, e pelo meu pai, que gostava muito de ler, inclusive histórias em quadrinhos. Ele colecionava as revistas antes de eu nascer, já pensando no filho que viria. Quando nasci, tinha uma coleção de revistas em quadrinhos me esperando! Profissionalmente, eu comecei a trabalhar com desenhos quando tinha 14 anos, no jornal da cidade onde nasci (Ipatinga), Diário do Aço, pra onde produzo charges até hoje.
RM: Quais os personagens que criou?
JM: Durante a infância criava muitos, muitos personagens. Um pouco antes de entrar para a universidade de Belas Artes, criei uma dupla de irmãos, Mendelévio e Telúria, inspirados na minha infância, principalmente nas minhas irmãs. Eles foram a minha porta de entrada para o mundo dos livros em quadrinhos.
RM: Como é sua parceria com Maurício de Sousa?
JM: Eu faço parte da equipe de roteiristas que produz as histórias das revistas infantis, como Mônica, Cebolinha, Chico Bento entre outros. Nós produzimos as histórias em casa, com o texto e um esboço dos desenhos que vão entrar nas cenas, enviamos para o Maurício que lê todas elas. Se aprovadas, vão para a equipe de desenhistas, que fica em São Paulo. Depois dessas etapas, a história passa pela equipe de arte-finalistas, coloristas, letristas e acabamento, antes de chegar às bancas. Só dois roteiristas ficam no estúdio em São Paulo. Os outros colegas estão espalhados por cidades como Porto Alegre, Florianópolis e até no Amazonas. Pelo menos, umas duas vezes por ano, nos encontramos para uma reunião com o Maurício. Todas as outras coisas são resolvidas por e-mail ou telefone.
RM: Como avalia a produção brasileira de HQ? O que destaca?
JM: Acredito que estamos vivendo o melhor momento em termos de produção de quadrinhos, em vários níveis. Em termos de produção, eu destaco a diversidade de autores de qualidade que escrevem para todos os públicos. Muitas editoras, inclusive tradicionais, têm apostado nessa linguagem e publicados livros em quadrinhos também. Na escola existe uma aceitação maior entre professores (porque entre os alunos, os quadrinhos sempre foram populares) e um conhecimento cada vez maior das possibilidades para o uso dos quadrinhos na aprendizagem de diversos conteúdos e áreas do conhecimento, além da prática de leitura. Desde 2006, o Governo Federal tem incluído livros em quadrinhos no PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e, de forma geral, tem feito boas escolhas nessa área.
RM: O que gostaria de fazer daqui para frente?
JM: Tenho muitos projetos e ideias para publicação nessa área. Várias ideias estão prontas esperando a sua vez de entrar no processo de produção. O que mais gostaria era continuar contando muitas histórias na linguagem dos quadrinhos.
RM: O que acha das HQ serem utilizadas em sala de aula?
JM: Acho uma opção muito importante, porque apresenta o diálogo entre o texto e imagem numa linguagem própria, que valoriza as duas áreas, podendo proporcionar várias leituras a partir de uma história. A partir das HQ, qualquer conteúdo pode ser trabalhado e várias possibilidades metodológicas podem ser colocadas em prática a partir de sua leitura e produção em sala de aula.
RM: Que dicas dá para os professores aproveitá-las de forma eficiente? O que deve ser explorado?
JM: Depende da proposta do professor. Algumas HQ específicas podem proporcionar, a partir de sua temática, um aprofundamento ou uma nova visão sobre um determinado tema. Cito como exemplo a HQ “Santô e os Pais da Aviação”, de Spacca (que foi adotada pelo PNBE). É uma história biográfica sobre Santos Dumont e que permite trabalhar o contexto histórico, social, político e artístico da época, além de muitas outras questões. Isso sem falar do prazer da leitura, porque a história é ótima. O bom é que temos muitos exemplos de produção de qualidade como essa.

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