Friday, December 20, 2013

Quadrinista do interior de SP está entre o seleto grupo com publicações fora do país


Giuliano Bonamim
giuliano.bonamim@jcruzeiro.com.br 


Gustavo Duarte invadiu o litoral de Santos com lagartos gigantes e até mandou Chico Bento ao espaço. O próximo desafio é conquistar a América, desta vez no mundo real. O ilustrador, cartunista, desenhista e agora quadrinista de Bauru desembarca em 15 de janeiro de 2014 em Nova York para o lançamento de Monsters! And other stories, uma compilação das obras Monstros!, Có! e Birds já lançadas no Brasil. O livro será publicado pela editora norte-americana Dark Horse, uma das mais importantes e respeitadas naquele país. A façanha tem sido comemorada por Gustavo Duarte, pois o coloca em um seleto e restrito grupo de quadrinistas brasileiros com obras publicadas no exterior. 

Segundo Gustavo, a publicação de Monsters! And other stories em uma editora de ponta nos Estados Unidos ocorreu praticamente de forma natural. "Desde a primeira vez que eu fui para Nova York eu tenho mantido contato com vários editores, mostrando os meus livros e desenhos. Em uma troca de e-mails, o pessoal da Dark Horse manifestou o interesse e propôs juntar três histórias em um livro só", conta. 

Na opinião de Gustavo, não há como comparar os mercados de quadrinhos brasileiro e norte-americano. "Lá fora ele existe, bem diferente daqui, que é incipiente", diz. "O Maurício de Sousa conseguiu o seu espaço, mas fora isso é uma coisa bem pequena. Aqui no Brasil, um livro que vende quatro mil cópias é considerado um baita sucesso", completa. 

A conquista do mercado norte-americano tem sido festejada por Gustavo. "Já estou bem feliz com esse passo", conta. Mas ele não descarta a possibilidade de avançar ao continente europeu. "Principalmente na França, que é um mercado muito forte", relata. 

O trabalho de Gustavo Duarte pode ser considerado universal, não apenas pela qualidade. As suas histórias são mudas, sem aqueles balões de diálogos entre os personagens. Os seus três primeiros livros foram Có!, Táxi e Birds, todos feitos de forma independente e vencedores do prêmio HQ Mix - o mais importante do quadrinho nacional. Monstros! foi editado pela Companhia das Letras e, recentemente, lançou dois trabalhos: Chico Bento - pavor espaciar e 13. 

Pavor espaciar foi lançado oficialmente na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e integra a série Graphic MSP, em que novos quadrinistas reinterpretam os personagens clássicos de Mauricio de Sousa. Fã de Chico Bento desde a infância, Duarte escolheu o personagem porque o considera o mais interiorano de todas as criações do autor. "Escolhi o Chico Bento por ser o personagem caipira do Mauricio, que é do interior assim como eu, que sou de Bauru", comenta. 

Já 13 foi lançado em outubro na New York Comic Con, o maior evento de cultura pop na costa leste dos Estados Unidos. A ideia desse livro surgiu no começo do ano, quando o quadrinista organizava os arquivos dos seus desenhos no estúdio. "Depois de 13 anos de trabalho em São Paulo, a quantidade de desenhos nas gavetas, nos HDs e nos CDs era enorme. Percebi que existiam milhares de ilustrações, cartuns, caricaturas e outros desenhos que, apesar da idade, ainda funcionam bem", diz. 

Nele há personagens reais, como esportistas, personalidades, músicos e políticos. Também existem figuras fictícias, como um elefante no comando de um avião ou o rinoceronte em um monociclo e bandeja na mão. 

Nascido em São Paulo em maio de 1977, Gustavo morou em Bauru durante 14 anos e lá formou-se em Design Gráfico pela Unesp. Iniciou a carreira como ilustrador e cartunista no Diário de Bauru e, de volta a São Paulo, passou a atuar como designer gráfico na Editora Abril. Seus trabalhos também foram publicados diariamente no jornal Lance! por 12 anos, além de colaborações na Folha de S. Paulo. 

As ilustrações e as charges de Gustavo têm sido escassas na imprensa, mas não por desejo do autor. "A imprensa praticamente não existe mais. Charges com opinião então, como eu fazia, é até pecado. Eu gostava muito de fazer charge, mas faz quase um ano que eu não faço", comenta.

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