Thursday, December 12, 2013


Do contemporâneo

12.12.2013
No núcleo temático dedicado à arte contemporânea, a mostra Trajetórias reúne grandes nomes

Embora não haja exatamente um consenso sobre o que seja arte contemporânea e onde localizá-la cronologicamente na história da arte, pesquisadores e especialistas tendem a remeter à década de 1960 para falar de seu estabelecimento (no sentido de tornar mais plena), sobretudo a partir do advento de movimentos como a arte pop.

Acima, em sentido horário: obras de Luiz Zerbini, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão; ao lado, de cima a baixo: Henrique Oliveira, Leonilson, Irmãos Campana e Francisco de Almeida

Nesse momento, entram na equação das artes visuais novas mídias, tecnologias e linguagens até então estranhas ao meio, a exemplo do vídeo, da música, da dança, dos quadrinhos e da publicidade. Temas como a vida cotidiana, o urbano, o consumo e a produção de massa ganham força.

Da mesma maneira, a relação entre objetos (ou projetos) de arte e espaços expositivos e o papel do público são repensados. Classificações tradicionais como "pintura" e "escultura" tornam-se menos claras e mais difíceis de estabelecer. A própria definição de arte é posta em questão.

Nesse cenário, alguns nomes alcançaram destaque mundial, como o do empresário, pintor e cineasta Andy Warhol. No Brasil, Bienais Internacionais de São Paulo ajudaram a mapear trabalhos, artistas e propostas. Um outro marco, na década de 1980, foi a exposição "Como Vai Você, Geração 80?", no Parque Lage, Rio de Janeiro.

Referências

Na exposição "Trajetórias - Arte brasileira na coleção Fundação Edson Queiroz", um dos núcleos é dedicado à arte contemporânea. No espaço constam obras de artistas como Adriana Varejão, Vik Muniz, os Irmãos Campana, Leonilson, Beatriz Milhazes, Luiz Zerbini e Daniel Senise e Francisco de Almeida.

Especialmente na década de 1980, as imagens misturavam referências do universo pop e ao gesto expressivo (então reavivado). Nesse cenário, outra característica se fortalece, o uso do ornamento - revisado após ser considerado quase um crime por determinadas escolas.

A repetição de formas decorativas aparece em destaque nas obras de artistas como Varejão (azulejaria), Milhazes (bordado) e Zerbini (paisagem tropical). O abuso do ornamento também aparece no interesse pop de Vik Muniz e no apelo da toy art em trabalhos dos irmãos Fernando e Humberto Campana.

Cearenses

Nesse panorama, destaca-se a presença de dois cearenses. Com o trabalho "Altar de luz" (2011), o artista plástico e xilogravurista Francisco de Almeida traz à exposição elementos da religiosidade e da cultura popular, em uma belíssima xilogravura quase toda em preto e branco.

Já Leonilson aparece representado pelo trabalho "Durutti collumn" (1985), peça acrílica sem tela que surpreende pela combinação de cores e de formas "meio" humanas, reconfiguradas (ou desfiguradas).

Orientada fundamentalmente por uma subjetividade individual (especialmente após o autor descobrir-se portador do vírus HIV, em 1991), a obra de Leonilson é construída como um diário escrito pessoal. Entre pinturas, desenhos e esculturas, destacam-se as peças em bordado.

Exposição é destaque na mídia nacional
Fac-símile da reportagem sobre a mostra "Trajetórias", publicada na edição desta semana da IstoÉ

Pela relevância do acervo reunido, a exposição "Trajetórias - Arte brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz" ganhou matéria de destaque na revista Isto É desta semana.

Parte do texto debruça-se sobre a estrutura da exposição, organizada em 16 núcleos temáticos, com destaque para "A invenção do Ceará", que traz trabalhos de artistas cearenses importantes para a formação da iconografia do Estado.

Sobre a Coleção Fundação Edson Queiroz, com cerca de 500 obras - metade das quais foram selecionadas para a exposição -, a matéria afirma ter "estatura para ilustrar vários cursos avançados de história da arte brasileira". É composta por alguns grandes ícones nacionais, como "Amigas" (1913), de Segall; ou "Índia Carajá" (1962), reconhecida como última pintura de Portinari.

Ainda de acordo com a matéria da IstoÉ, o chanceler Airton Queiroz "contribui para a cultura de seu Estado através de um projeto educacional". Em âmbito nacional, é sublinhada a contribuição da Fundação à Pinacoteca do Estado de São Paulo e ao MAC USP, para os quais foram doadas obras importantes.

Mais informações

Exposição "Trajetórias - Arte brasileira na coleção Fundação Edson Queiroz", no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). Aberta à visitação, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, sábados e domingos, das 10h às 18h. Estacionamento grátis. Contato: (85) 3477.3319 

Fonte:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1348348

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