Saturday, November 16, 2013

Presente de um mestre 

Nesta sexta, Mauricio de Sousa participou de surpresa do festival e anunciou seis novos títulos das graphic novels inspiradas em seus personagens. Duas delas são de autores de BH

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PUBLICADO EM 16/11/13 - 04h00
“Quando eu entender tudo, eu te falo”, promete um emocionado Luís Felipe Garrocho. “É inacreditável o que está acontecendo”, ele deixa escapar. A fala do quadrinista belo-horizontino é completamente coerente com o que todos os presentes na tarde de ontem, no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), sentiram. O fio condutor dessa emoção foi o anúncio, feito por Mauricio de Souza, que veio de surpresa ao festival, e Sidney Gusman, o idealizador da série e editor da Maurício de Sousa Produções, de que serão lançadas seis novas graphic novels dedicadas às personagens do maior quadrinista brasileiro. No próximo ano, serão lançadas obras envolvendo o índio Papa-Capim, a Turma da Mata, o fantasma Penadinho e o cão azul Bidu. Três destas revistas chegarão às bancas ainda em 2014 – não foram decididas quais. Para 2015, um destes personagens fará companhia às continuações das graphic novels do Astronauta e da Turma da Mônica.

O rosto incrédulo do mineiro Garrocho, que assinará a edição dedicada ao Bidu, junto com o parceiro Eduardo Damasceno, sintetizou o sentimento de histeria no local quando o anúncio foi feito. A tenda armada para abrigar o imenso público e a reunião de praticamente todos os autores de graphic novels chanceladas pela Maurício de Sousa Produções era só emoção. Afonso Andrade, um dos curadores do FIQ, garantiu que se tratava do “momento mais emocionante da história do festival, que só será superado em 2015, com os novos anúncios”.
Mauricio de Sousa, paternal, via as pessoas chorando e cravou: “História em quadrinhos se faz com sangue, suor e lágrimas. E também com eventos como este”, defendeu, para terminar com um inacreditável “se juntarmos tudo isso, ‘é nóis’”. O público veio abaixo.
No papel de messias portador das grandes notícias, Gusman deu aos “nerds”, como carinhosamente os chamou, o que eles queriam. “Nerd adora fazer trilogia, adora as cenas pós-crédito”, disse, antes de anunciar, através de teasers em um telão, que as novelas do “Astronauta” e “A Turma da Mônica” teriam continuações.
Outra novidade bastante celebrada foi dada pelo próprio Mauricio de Sousa. “Graphic novels não nasceram para ficar somente no papel”, argumentou. “O Sidney me mostrou um material rico, perfeito, pronto para outros suportes. Vamos fazer filmes destas histórias, já são scripts, já têm o ritmo, a fluidez necessária para o cinema. Não sei quem vai fazer, provavelmente alguém de fora. Se não vier alguém de fora, eu faço”, garantiu Mauricio, para loucura dos presentes.
Gerações. Durante a apresentação, estiveram reunidos praticamente todos os autores responsáveis pela produção das graphic novels para a MSP, sigla para Mauricio de Sousa Produções. “Novos jogadores que se somaram a um time já campeão”, como resumiu Gusman. Cris Petter, uma das responsáveis pela continuação do “Astronauta”, garantiu que “estava acostumada a falar em público, mas que dessa vez a emoção foi demais. “Estar ali, do lado do Maurício... Parece um sonho dentro de um sonho, não sei se tenho a noção da importância”, comenta.
O mineiro Vitor Cafaggi, que assinará junto com a irmã Lu Cafaggi a continuação da “Turma da Mônica”, deu a medida da responsabilidade de um projeto como esse. “Estou com medo. Tento baixar a expectativa de tudo que faço, procuro ficar tranquilo, mas desta vez as expectativas estão muito altas, já que o primeiro projeto deu muito certo”, assumiu, fazendo referência ao sucesso de “Turma da Mônica: Laços”, lançado em maio deste ano e que já está em sua segunda edição. “A importância de fazer graphic novels com esses personagens clássicos e recuperar a infância de todo mundo, tanto dos mais novos quanto da geração mais velha, capturar aquela nostalgia”, define.
Gusman reforçou a ideia de vender as novelas nas bancas, e não apenas em livrarias, para obter maior alcance de público. Também explicou que a indefinição em relação à ordem dos lançamentos tem a ver com as próprias dificuldades do mercado. “Devido aos custos, temos que rodar boa parte do material fora do país, o que exige outro tempo”.
Mauricio rememorou as reuniões iniciais para a produção de obras além dos gibis. “Existia muita dúvida do próprio pessoal do estúdio já na época da (série) ‘Turma da Mônica Jovem’. Vendemos 600 mil cópias, uma tiragem que, além dos japoneses, ninguém mais tem no mundo. Somos quem mais vende no ocidente”, garante. “Sou teimoso, vou brigando, temos que tentar, não podemos esmorecer. Quadrinhos são uma força de comunicação sim, mas também uma força de transformação social”. O autor que educou tantas gerações é “imparavél”.
E para ilustrar com perfeição essa fala do mestre, nada melhor que a foto oficial do dia, reunindo todos. E no meio daqueles jovens, emocionados, cabelos compridos e tatuagens, era um senhor com indefectíveis canetas guardadas no bolso da frente da camisa social que se destacava. Mauricio de Sousa, com uma câmera na mão, estava preocupado em fazer a foto da foto. Prova de que ele é mesmo o rei dos nerds – conhece e é igual a seu povo.
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