Monday, November 25, 2013


HQs em debate: um desafio autoral

24.11.2013
Quadrinistas cearenses discutem a produção local e anunciam a criação de um curso de longa duração na Unifor
Pensar uma cena autoral de quadrinhos. A primeira edição do HQ Unifor, encontro realizado nos próximos dias 26 e 27, reúne, em torno do tema, na Universidade de Fortaleza (Unifor), artistas engajados na produção local para discutir temas como a formação e o mercado de trabalho para os desenhistas. A programação traz oficinas, debates, exposições e inclui o lançamento do livro dedicado aos 40 anos do Capitão Rapadura, personagem pioneiro das HQs no Estado. Durante o encontro, será anunciada a criação de um curso de longa duração voltado para à produção de quadrinhos.















Luis Carlos ministra oficina de roteiro e fala do livro do Capitão Rapadura Foto: Tuno Vieira
"Estamos lançando um curso de 20 meses voltado à profissionalização em quadrinhos. Coincidência ou não, resolvemos aproveitar o evento para divulgar. As aulas começam em janeiro e, em dezembro, já estaremos com inscrições abertas", pontua Nílbio Thé, artista visual e atual coordenador da Especialização em Animação e Jogos Eletrônicos da Unifor. O curso é vinculado a Vice-Reitoria de Pós-Graduação da universidade, a partir do departamento de Educação Continuada. As aulas deverão acontecer no período da noite e aos sábados.

"Os quadrinhos são uma linguagem quase tão antiga quanto o cinema, talvez até um pouco mais. O cinema já conseguiu se estruturar enquanto linguagem, enquanto processo de comunicação. Você já tem curso de graduação, curso técnico, pós-graduação. Já nos quadrinhos, por algum motivo, não. Quem quer trabalhar com isso, não sabe bem para onde ir. Faz um curso aqui outro acolá", explica o coordenador sobre a demanda para o novo curso.

A formação, detalha, será multidisciplinar, incluindo, além do desenho, criação de roteiro, noções de literatura, ferramentas da linguagem dos quadrinhos. "Estamos precisando cada vez mais que as pessoas se especializem nisso", reforça Nílbio Thé.

Desafios

O atual panorama da produção de quadrinhos no Estado reúne um bom número de autores e com um nível de profissionalização bem superior ao de anos atrás. A nova realidade requer, por isso, uma maior especialização de quem quer trabalhar na área. Quem atesta é o ilustrador Diego José, que ministra oficina de editoração, nos dois dias de evento, e participa da mesa-redonda sobre a produção autoral, que encerra a programação, às 19 horas, da quarta-feira, dia 27.

"Um tempo atrás, seguia-se muito uma linha fanzine, geralmente com recortes, colagem e desenhos simples. Hoje, os quadrinhos autorais estão cada mais complexos e variados em suas temáticas", defende. Diego toma como definição de quadrinho autoral o tipo de produção que parte da iniciativa do artista e não a pedido de um cliente ou para uma publicação de editora, já existente. Em seu trabalho, ilustra, ele explora traços autobiográficos mesclado a elementos dos quadrinhos de super heróis e com uma certa dose de erotismo. "A minha revista se chama ´Oigo´ e o protagonista é baseado em mim mesmo, mas vive em mundo de super-heróis", conta o artista.

O grande desafio para um profissional que já atua no mercado, avalia, é a distribuição. Há um descompasso, diz Diego, entre o que se produz e a estrutura que se tem para fazer com que essas criações cheguem ao público. "Em Fortaleza, temos lojas especializadas como Revista & Cia., Ravena, Fanzine, lojas que podemos vender e acompanhar esse processo, assim como livrarias. A distribuição local é bem resolvida. Chegarmos a outras cidades é o problema", diz.

Lançamento

A programação será aberta às 8 horas de terça-feira, no auditório da biblioteca, com mesa redonda sobre quadrinhos e educação. Participam os artistas J.J. Marreiro, Valdeci Carvalho e Dom Cabral. À tarde, acontecem oficinas de criação de personagens, sob orientação de Dom Cabral e roteiro, por Luís Carlos Sousa. Encerrando o dia, às 19 horas, também no auditório da biblioteca, Luís Carlos participa do lançamento da edição comemorativa dos 40 anos do Capitão Rapadura.

O livro é coletivo, reunindo versões de 25 autores para o personagem, criado pelo cartunista Mino, em 1973. "O Capitão Rapadura, para os artistas cearenses, além de ser um marco histórico é também algo que permeou toda nossa infância. Muitos leram no colégio. A gente tem em comum o Capitão Rapadura", justifica Luís, sobre a importância da homenagem.

O artista lembra ter conhecido o personagem ainda criança, na década de 1990, quando era possível encontrar suas histórias em bancas de revistas. "Essa geração, do J.J. Marreiro, Geraldo Borges, influenciaram a geração da qual eu faço parte. E esperamos influenciar a próxima", reforça.

Os ilustradores participantes da homenagem, explica, tiveram liberdade para criar aventuras, com a condição de que respeitassem as características fundamentais do personagem. "É um personagem que não enfrenta o crime batendo, busca uma maneira inteligente de resolver as pelejas. É amigo da natureza, procura passar conselhos edificadores às crianças. É um herói que dá exemplo", detalha. (FM)

Mais informações:

HQ Unifor - Dias 26 e 27 de novembro, no auditório da biblioteca da Unifor (Avenida Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz). Contato: (85) 3477-3000 

Fonte:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1341674

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