Thursday, November 28, 2013


A volta de Marcos Benjamim 

Após dez anos longe das galerias, artista mineiro volta para mostrar trabalhos dos últimos anos e outros revisitados

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Influência. Revisitando Duchamp e provocando ‘a turma acadêmica’, artista usa a técnica do “ready made” em “Borracharia Duchamp”
PUBLICADO EM 28/11/13 - 04h00
Um pouco antes do fechamento deste caderno, o telefone toca. É Marcos Benjamim quem procura por este repórter, que, ao longo do dia, havia feito várias tentativas de falar com o artista sobre a exposição que ele abre hoje na Galeria Murilo Castro, sem sucesso. Benjamin só acorda depois das 14h.
“Nunca tive um emprego, nunca tive horário, assim eu fui ficando noturno. E sempre tive uma certa insônia. Então, resolvi fazer dela algo produtivo: às vezes, não produzo nada, apenas leio um livro, vejo um filme. Não vou ficar brigando com o meu travesseiro. Um amigo que sofre do mesmo mal me diz: ‘Benjamim, nós somos heróis da noite’”, se diverte ele.
Mineiro natural de Nanuque, o reconhecido artista estava há dez anos sem expor. Portanto, é uma volta aguardada às galerias. “Foi uma coisa natural. Eu faço arte. Fazer arte é uma história, fazer show é outra. Fiquei de saco cheio desse ritual das vernissages, das galerias, do público que era sempre o mesmo”, explica ele. Na nova exposição, Benjamim apresenta sua produção desses anos de “sumiço” e também algumas obras antigas revisitadas.
“Eu sempre gosto de dar uma alfinetada nessa turma acadêmica, intelectual”, brinca ele. Nesse sentido, sua obra “Borracharia Duchamp” é a mais emblemática, que, nas palavras dele, é uma “sacanagem” dele com os acadêmicos. Relembrando o próprio Marcel Duchamp, um precursor da arte conceitual, e suas práticas de descontextualização e reposicionamento de objetos pouco vistos em galerias de arte, conhecidos como “ready made”, Benjamim repete o tal efeito de estranhamento.
“Esse trabalho tem tudo a ver com o Duchamp e não com o ‘duchampianismo’. Uma coisa é o cara, sua obra etc. Outra é essa quantidade de questões que foram criadas em torno dele. Duvido que ele próprio tenha pensado nisso tudo”, desafia ele.
“Eu digo que esse pessoal (da academia) vai buscar o leite no caminhão. Eu bebo direto na vaca”, brinca ele. Benjamin, que não passou por nenhuma faculdade para se formar artista e que se define um artista “de rua”, no entanto, vê aspectos positivos no ambiente acadêmico. “Acho que aquela quantidade de pessoas ávidas pela criação, pelo novo, no mesmo espaço, é algo realmente interessante. Assim como o espaço físico que é proporcionado pela universidade, diz.
Marcas. A repetição de ritmos, de gestos gráficos e o gosto pela geometria caracterizam a sua produção. O artista se serve de materiais usados e com superfícies ásperas e gastas, como velhas latas de óleo, madeira de restos de construção ou de demolição e cones de metal oxidados, frequentemente enquadrados em caixas de madeira.
Com certo estilo iconoclasta, Benjamim não quis submeter seu trabalho ao crivo de nenhum curador. Além disso, não se propôs a enquadrar a produção dos seus últimos anos de trabalho sob nenhum eixo temático, guarda-chuva, provocação etc. Ele simplesmente quer mostrar sua obra naquilo que ele próprio chama de “conjunto de estranhezas”. São obras grandes, fotografias, objetos menores e vários desenhos. “O legal dessa exposição é que o Murilo Castro me disse que eu poderia fazer tudo que eu quisesse. Gostei disso. Infelizmente, pela quantidade de trabalhos que tenho para expor, não vai caber tudo. Queria colocar tudo em seções separadas. Aqui é a ‘enfermaria’, aqui a ‘sala de cirurgias’, mas não será possível. Vai ficar com cara de um hospital de guerra”, brinca Benjamin.

Arte múltipla
Artista autodidata, Marcos Benjamim começou com histórias em quadrinhos, em 1971, e desenhou charges e ilustrações para jornais mineiros. Participou de sua primeira Bienal Internacional em São Paulo, em 1977. Criou cenografias para o Uatki e Grupo Corpo.



Agenda

O quê
Exposição Marcos Benjamim
Quando. Abertura hoje, às 19h. Visitas de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. Aos sábados, das 10h às 14h. Até 21/12
Onde. Galeria Murilo de Castro (rua Antônio de Albuquerque, 377, sala 01 – Savassi)
Fonte:

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