Monday, May 13, 2013


Jovens publicam suas próprias histórias

Thiago Amâncio
Na ânsia de não só expressar a própria arte e ideias, mas também de vê-las se espalhar, é que se começou a fazer revistas à mão. As zines, como são chamadas essas revistas, já foram meio de propagação de pensamento e hoje servem principalmente como divulgação da arte de quem as faz. O cenário é cada vez mais expressivo e Brasília tem se tornado receptiva a esses artistas.


As origens são incertas. Confundem-se com o surgimento da imprensa e com a reprodução de panfletos e manifestos. Ao longo do século 20, tornou-se sinônimo de contracultura e contestação, permitindo que pessoas espalhassem os pensamentos que não viam representados pelas grandes mídias.

O conceito não é menos confuso. O consenso que se chega entre os zineiros, como são conhecidas as pessoas que produzem as revistas, é que são publicações de pequena circulação, feitas à mão e com tiragem limitada. Mas a tecnologia pode subverter a definição: o desenho é aperfeiçoado no computador e a circulação não encontra barreiras com a internet.

E por que fazer? “Ser publicado a gente não ia, então a gente tem que se autopublicar”, é o que responde Livia Viganó, criadora da zine Piqui C’açúcar, que está em sua segunda edição. Gabriela Masson, que escreveu a zine A ética do tesão na pós-modernidade, com mais de cinco mil visualizações na internet, afirma que sempre desejou fazer quadrinhos mas nunca conseguiu desenvolver uma técnica. “De repente todo mundo desembestou e começou a fazer, aí desencanei com essa coisa de ter que ficar perfeito”, conta. Para Masson e muitos outros zineiros, mais vale o fato de se expressar do que a forma como se vai fazê-lo.
Beatriz Ferraz
Em Brasília, mesas com zines são facilmente encontradas em eventos e até em festas
te não tinha uma geração brasiliense pra se espelhar”, conta Lucas Gehre, um dos criadores.
Ele diz não considerar que a revista ainda seja uma zine, pois a circulação tem sido cada vez maior, e se tornou até um selo: hoje já tem outras publicações sob a marca deles.

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O campo das zines tem crescido. Gehre conta que é um universo receptivo porque quem faz gosta também de ler. “E tem uma aura mágica, em que tudo fica massa na revistinha publicada”, completa Masson. É comum encontrar em eventos, mesas com diversas publicações de zines atuais, de diferentes artistas, reunidas. “A gente conheceu vários de nossos amigos por causa das zines, essa galera se junta”, conta Taís Koshino, também criadora da Piqui C’açúcar.
A pouca quantidade de mulheres no campo das autopublicações fez se juntar um grupo de meninas que desejam ou já produzem zines para criar a Artemis. A revista será colaborativa e deve ser mensal. “Além de a gente reunir essa produção de mulheres, a ideia é trazer essas meninas pra esses eventos, pra que elas vejam que é muito fácil se autopublicar”, conta Gabriela Masson.
Domingo, 12 Maio 2013 18:21

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