Monday, April 1, 2013


Nova geração de zineiros em Brasília investe na produção de quadrinhosCom tom crítico e total liberdade de criação, eles misturam desenho e poesia

Caroline Maria - Correio Braziliense
Publicação: 30/03/2013 09:21 Atualização: 30/03/2013 11:55
 (Grave/Limite 25)
O zine A ética do tesão na pós-modernidade defende que, quando o sentimento muda, tudo muda. E quando tudo muda, o sentimento precisa mudar. O título de tom acadêmico não passa de uma desilusão amorosa. Foi o nome que a estudante de artes plásticas Gabriela Masson escolheu para a primeira publicação, fruto de um término de relacionamento. “Tinha que fazer alguma coisa com isso e comecei a criar quadrinhos.” A produção é um exemplar da nova geração da cultura zine, movimento que tem retomado força no Distrito Federal, sétimo estado em termos de produção nessa categoria.

Fanzines e produtores de Fanzines de Brasília (Adauto Cruz/CB/D.A Press)
Fanzines e produtores de Fanzines de Brasília

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Com a assinatura lovelove6, o zine saiu em papel rosa, com tiragem de 95 exemplares, é carregada na mochila, tem preço de custo a R$ 2, versões on-line e física, artesanal do traço ao ato de grampear. Além disso, um aviso: todas as histórias são baseadas em fatos e quaisquer coincidências são meras indiretas.

 (Tupanzine/Reprodução)

Entrevista com o servidor público Ricardo Tubá, 49 anos, criador do Tupanzine - o zine vivo mais antigo de Brasília

Correio Braziliense - Durante quase 20 anos, o Tupanzine cobriu boa parte da cena do rock independente de Brasília. Entre tantas publicações e materiais lançados, quais você considera de grande relevância? Bandas que estouraram, situações marcantes...

Ricardo Tubá - A demo da banda de anorak rock May Speed foi o primeiro grande feito, quando o zine foi acusado de antiético por dois de seus integrantes, Frank Couto e Luciano Kalatalo, fazerem parte da editoração do zine. Depois do zine, a May Speed, única banda originalmente anorak sound da história do rock Brasília - que só tinha demo porcamente gravado em quatro canais e com o Cesinha legião errando o tempo todo nas viradas pinkfloydianas - rivalizou com a Low Dream, que já tinha quatro clipes na MTV, dois CDs lançados, mais de 60 shows pelo Brasil e um festival junta tribo de Campinas. Outros feitos antológicos foram conseguir o primeiro show da Low Dream em Maringá e incluir o Divines Man, antiga banda do Claúdio Bull, no festival Monterrey Platostock de Porto Alegre. 

CB - Você assume uma persona diferente para escrever o zine ou aquele é você nu e cru? 

RT - As coisas vão saindo sem sentido e por improviso mesmo. O importante é não seguir nenhum modelo e fazer tudo de forma natural e sem obrigação de agradar ninguém, sem pretensão estética e não ter rabo preso com nenhum manda chuva do indie rock. Temos que interpretar vários personagens, é assim no trabalho, na vida familiar, no futebol e no zine. 

CB - Como você conseguia estar tão por dentro das fofocas e dos bastidores da cena de Brasília? 


RT - Na verdade, eu raramente ia a shows, mas tínhamos alguns informantes e confesso que a maioria deles eram comentados sem assistí-los.

Escritor do fanzine Tupanzine Francisco Ricardo da Silva, conhecido por Ricardo Tubá (Carlos Moura/CB/D.A Press)
Escritor do fanzine Tupanzine Francisco Ricardo da Silva, conhecido por Ricardo Tubá

CB - Fazer um zine, na sua opinião, é um reflexo do desencaixe nas plataformas de massa e comercial? 

RT - Fazer um zine é pra disfarçar minha frustração por não ter sido jogador de futebol profissional, já que na última reunião no franguinho, com jogadores do Furacão FC de 37 anos atrás, o William Japonês disse que tinha certeza quer eu seria jogador de futebol e que eu tinha um potente chute com a perna esquerda. O Márcio concordou que ninguém batia falta por trás da barreira como eu. 

CB - Você acredita que os zines representam um espaço de crítica da própria indústria cultural? 


RT - Não. Na verdade, sempre fomos boicotados pelos editores de fanzine do meio underground. Até hoje, os fanzineiros evitam ter alguma relação com o Tupanzine para não se comprometerem com o falido e decadente mundinho indie. Eu acho ótimo. 

CB - Os zines costumam ser ousados, íntimos, opinativos. Quem choca com uma estética diferente e assume ideias próprias, nesse caso, se arrisca a ser marginalizado? 

RT - Só tem que saber manter a postura. Não se vender a qualquer preço. Por isso o zine está aí até hoje. Um conselho aos zineiros: não sigam nenhuma fonte de inspiração e não sigam nenhum modelo. Isso é um suicidio artístico. 

Confira alguns trabalhos da nova leva de zineiros de Brasília


Stenio Freitas Neto (Photoviolência) - Esquizonóia:http://issuu.com/pretextodevagabundo/docs/sem_marcas_de_corte__s__os_cadernos

Gabriela Masson - A Ética do Tesão na Pós-Modernidade:http://issuu.com/katzenminze/docs/eticadotesao/1

Lucas Gehre - Aether: http://issuu.com/revistasamba/docs/aether/1

Augusto Botelho e Daniel Lopes - Mês: http://issuu.com/augustobotelhoguaranikaiowa/docs/jandigital

Livia Viganó e Taís Koshino - Piqui c'açúcar: http://issuu.com/revistapiqui/docs/piquicacucar?mode=window&pageNumber=1

Heron Prado - Quote, Pl1gro, Almanaque e Duto: http://opipo.co/

Paint it black: http://issuu.com/paintitblack/docs/zine_paint_it_black_-__1?mode=window

Savant Editora: http://www.savanteditora.com/
Fonte:

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