Monday, April 29, 2013

BRASÍLIA 2012: A Guerra dos Gibis usa bom humor para falar de período obscuro dos quadrinhos no Brasil


Se a ditadura não tivesse feito o que fez com esse mercado a gente teria tido uma avanço na linguagem dos quadrinhos no Brasil sem precedentes








 
Thiago Mendonça e Rafael Terpins: retrato bem-humorado de um período triste

Roberto Guerra, enviado especial a Brasília 

Foto: Roberto Guerra



















Forte concorrentes ao prêmio de Melhor Curta-Metragem Documentário no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o filme A Guerra dos Gibis, de Thiago Mendonça e Rafael Terpins, empolgou a plateia presente no Teatro Nacional Cláudio Santoro ao fazer uma bem azeitada ( e também humorada) mistura de depoimentos e animação ao contar a história da criativa produção de quadrinhos eróticos no Brasil na década de 60, produção tolhida pela censura imposta pela ditadura militar. 

“Era uma turma que estava começando, uma semente que estava germinado que foi podada de um jeito que não teve como se desenvolver. Se a ditadura não tivesse feito o que fez com esse mercado a gente teria tido uma avanço na linguagem dos quadrinhos no Brasil sem precedentes”, avalia Terpins.
 
Apesar de ter o mesmo título do livro A Guerra dos Gibis, do jornalista Gonçalo Junior, o documentário cobre o período retratado no livro Maria Erótica e o Clamor do Sexo, também de Gonçalo, o qual tem o subtítulo de A Guerra dos Gibis 2. O filme reúne animações realizadas ao estilo da época retratada e depoimentos de Fernando Ikoma, Minami Keizi, Carlos Cunha e Franco de Rosa, entre outros.

A dupla de realizadores já esteve em Brasília em 2008 como o curta Minami em Close-up, sobre a trajetória da revista Cinema em Close-up, que nos anos 70 tornou-se um sucesso de vendas, e de seu editor, Minami Keizi. Diante do acervo grande de Keizi, veio a vontade de explorar este universo em outro filme. 

Foto: Divulgação
 
A Guerra dos Gibis: personagem dos quadrinhos interagem com mundo real

“Quando a gente começou a entrar no universo das editoras marginais da Boca do Lixo encontramos coisas fantásticas. Que até hoje são subversivas. A gente viu que ali tinha um terreno a ser explorado. E queríamos fazer um filme que os personagens dos quadrinhos interferissem nas histórias dos próprios quadrinistas”, revela Mendonça.

Num híbrido de animação e documentário divertido e bem realizado, os diretores retratam o período por meio de animações e depoimentos nos quais os impagáveis personagens criados por essa turma intervêm nas cenas gravadas. Tudo feito seguindo a estética que marcou o período. “

"As escolhas das técnicas de animação que usamos no filme facilitou a produção, pois tínhamos que finalizar dentro do prazo que o edital pedia, que era de seis meses. Mas isso não foi um problema porque nossa intenção também era que a estética do filme acompanhasse a estética dos quadrinhos feitos nessa época", conta Terpins.

A Guerra dos Gibis é mais uma obra de cinema a mostrar às novas gerações - e lembrar à velha guarda - o quão nefasto foi para a cultura a falta de liberdade imposta por um regime ditatorial. Sim, grandes obras culturais surgiram do combate ao regime, mas muito se perdeu também. Uma frase de Thiago Mendonça resume bem o período: “As histórias de censura são tão absurdas, que os personagens dos quadrinhos são mais críveis do que a realidade que esses quadrinistas viveram na época”. 

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