Thursday, November 8, 2012

Entrevista com o quadrinista Galvão

Galvão durante debate sobre o mercado de HQS/Gabriel Rocha








Finalmente vou começar a publicar as entrevistas que fiz durante o Florianópolis em Quadrinhos, evento que ocorreu na semana passada no Shopping Iguatemi. O primeiro da série é o Galvão, 31 anos, quadrinista e ilustrador free lancer de Goiânia, radicado em Florianópolis. Atualmente ele publica quadrinhos na Folhinha (Folha de São Paulo) e tiras diárias no jornal O Popular de Goiânia e na revista italiana Internazionale, além editar o site Vida Besta. Confira abaixo o bate-papo com o figura:




Como começou sua carreira em Goiânia?



Desenhar sempre foi uma coisa natural pra mim. Eu desenho desde criança, eu era aquele moleque que ficava desenhando enquanto os outros jogavam bola. Eu acho que não teria como eu fazer outra coisa que não fosse referente a desenhos ou quadrinhos. Eu comecei publicando em jornais locais como ilustrador. Como eu queria mostrar meu trabalho autoral, comecei a fazer fanzines aos montes, distribuía e bancava todo porque naquele tempo não tinha internet. Pra mostrar o que você fazia tinha que tirar xerox, mandar pelo correio, tinha aquela troca de correio. Hoje isso ainda existe, mas em menor escala. A internet me ajudou muito. Em 99 botei meu site no ar, o Vida Besta, e desde então tenho respostas legais de pessoas que visitam o site.



Quando você começou a fazer trabalhos para fora de Goiânia?



O que me ajudou demais foi a internet. Quando botei meu site no ar a coisa começou a deslanchar. Eu comecei a botar tirinhas em um jornal aqui e outro ali. Um dia eu cheguei na Folha de São Paulo com uma pastinha debaixo do braço e comecei a botar ilustrações lá. Hoje em dia faço tiras para um jornal de Goiânia, O Popular, e essas mesmas tiras são publicadas em uma revista italiana chamada Internazionale. A revista é bem legal, vai na contramão de tudo, então sempre tem uma repercussão legal.



Qual a sua formação?

Eu abandonei a faculdade de design gráfico em Goiânia. A faculdade não era pra mim. Na minha época não tinha nada voltada a quadrinhos e isso estava na minha veia. Não tinha como eu ser um designer gráfico, meu lance é desenho mesmo, é papel, é traço, é bonequinho, é situação, é humor. Então eu meio que me virei sozinho entre aspas, porque sempre me abasteci de um milhão de referências, quadrinhos nacionais, quadrinhos gringos...



E o que te trouxe para Florianópolis?



É o que faz todo mundo vir pra cá, é uma cidade legal, bonita pra caramba. Eu já estava de saco cheio de Goiânia, não porque a cidade é ruim, mas porque tinha morado a vida inteira lá, estava a fim de ares novos. Fui bem recebido aqui, me dou bem com mil pessoas. E como posso trabalhar onde eu estiver, porque não tenho patrão nem horários fixos, graças a Deus eu posso trabalhar pela internet. Então, onde quer que eu esteja onde tenha um telefone e um e-mail pra fazer contato eu vou estar legal.



E nessa sua vida de free lancer, como é sua rotina de trabalho?



Cara, eu sou um caramujo. Fico na minha casa praticamente todos os dias, desenhando, lendo, pesquisando, pensando bobagem praticamente 10 a 12 horas por dia. Não porque sou forçado, mas porque acho legal mesmo ficar ali desenhando. Quando não estou desenhando estou lendo, vendo filmes, buscando referências. Não tenho horários fixos, mas como tenho trabalhos como ilustrações para livros e as tiras, tenho uma rotina. Às vezes estou de saco cheio e saio, vou para alguma praia, vou a um boteco à noite.



Você pensa em compilar seus trabalhos em um álbum?



Penso, mas neste momento eu e um amigo, o Roctavio de Castro, estamos finalizando o enredo e a arte de uma história de 90 páginas sobre um caipira roqueiro, um porco e uma ostra com asas. Espero que até o começo do ano que vem eu tenha arrumado alguma editora pra colocar isso na roda.



Quando você começou o que te influenciou?



Quando eu comecei a ler quadrinhos mesmo, eu lia muito super-heróis, Superman, Batman, Universo DC, Marvel. Mas o que marcou a minha vida foi uma revista dos Los Tres Amigos, que eram o Angeli, O Glauco e o Laerte. Aquilo caiu na minha mão feito uma bomba. Eu não sabia que existia um outro rumo de quadrinhos, de narrativa, de desenho. Aí fui descobrindo Robert Crumb, Freak Brothers e toda aquela renca de gente underground, alternativa gringa e brasileira. Aí que vi que eu não precisava fazer super-herói musculoso, não que eu tenha nada contra, mas descobri que meu lado era outro e não parei mais.

Fonte:
http://wp.clicrbs.com.br/quadriteca/2008/11/06/entrevista-com-galvao/?topo=67,2,18,,,67


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