Thursday, July 12, 2012

Santista participa de produções de quadrinhos norte-americanos




Arte-finalista Denis Freitas soma trabalhos para DC Comics e Darkhorse.
Artista segue passos de conterrâneos na indústria norte-americana.

Lincoln ChavesDo G1 Santos
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Aos 25 anos, Denis Freitas atua como arte-finalista desde 2007 (Foto: Lincoln Chaves/G1)Aos 25 anos, Denis Freitas atua como arte-finalista desde 2007 (Foto: Lincoln Chaves/G1)
RB Silva e Paulo Siqueira são dois dos mais conceituados brasileiros na indústria americana de quadrinhos. O primeiro tem contrato com a DC Comics, editora responsável por títulos como "Superman", "Mulher Maravilha" e "Batman". Já o segundo possui trabalhos tanto na DC como na "rival" Marvel, nas páginas do "Homem Aranha". E é de Santos, terra em que a dupla de artistas nasceu, que desponta outro representante do País nas HQs: o arte-finalista Denis Freitas. Cabe ao santista, com pinceladas em nanquim, dar dimensão, vida e volume aos protagonistas e cenários das principais revistas do mercado mundial.
Aos 25 anos, Denis está desde 2007 no segmento. Inicialmente como desenhista, aventurou-se no universo dos fanzines e fez seus primeiros testes por indicação do colorista Alzir Alves, da Rascunho Studio. No mercado "profissional", está há menos de dois anos. Tempo suficiente, no entanto, para emplacar trabalhos em algumas das principais editoras dos Estados Unidos, como a Darkhorse (de "Hellboy" e "O Máscara") e a própria DC. O próprio santista, que é publicitário de formação e até 2010 sequer pensava em ser arte-finalista, ainda se surpreende com a forma como a oportunidade de deixar o "amadorismo" apareceu.
"Quem deu a primeira grande dica foi o Mike Deodato, da Marvel, que é um dos maiores desenhistas do mundo. Não sei bem como ele ficou sabendo do meu trabalho, mas foi quem sugeriu que eu partisse para a área de arte-finalização. O Mike me passou páginas originais dele, da HQ Dark Avengers, e me recomendou. Consegui um teste para um trabalho do Greg Pak (que já foi roteirista da histórias do Hulk), chamado Vision Machine. E logo em seguida apareceu a oportunidade com a série Action Comics, da DC, para a série 'Jimmy Olsen'. Foi incrível, porque eu comecei em um patamar meio fora do normal para um iniciante", recorda.
Número da Dungeon Siege, da Darkhorse, em que aparece o nome do santista (Foto: Lincoln Chaves/G1)Número da Dungeon Siege, da Darkhorse, com o
nome do santista (Foto: Lincoln Chaves/G1)
De lá para cá, Denis emendou outros diferentes trabalhos, como nas séries "Dungeon Siege" (Darkhorse) e "Lady Death" (Avatar). Atualmente faz a arte-finalização de um pôster desenhado pelo espanhol José Luís Soares Pinto para DC, e simultaneamente participa da produção da série Cosmos, da brasileira Supernova - que tem como roteirista outro santista: Emilio Baraçal. Uma rotina atribulada que o pode deixar até 16 horas sentado na mesa de seu escritório, improvisado em um cômodo do apartamento. Isso em nada desanima o artista, que já consegue até mesmo viver da atividade.
"Antes trabalhava como diretor de arte, mas não me sentia feliz. Chegava da agência esgotado e chateado quando não conseguia desenhar naquele dia. Hoje acordo às 8h, passo o dia inteiro trabalhando e nem sinto. De vez em quando acontece de fazer alguns trabalhos avulsos com publicidade ou aulas de desenho, mas hoje posso dizer que vivo só disso (arte-finalização)", explica, recordando que a experiência com a DC, na qual fechou dez páginas em cada uma das sete edições de "Jimmy Olsen", renderam-lhe cerca de US$ 8.400 (quase R$ 12 mil), em aproximadamente cinco meses.
Denis já tem no currículo trabalhos para DC Comics e Darkhorse (Foto: Lincoln Chaves/G1)Denis já tem no currículo trabalhos para
DC Comics e Darkhorse (Foto: Lincoln Chaves/G1)
Próxima parada
Apesar disso, Denis avalia que ainda tem muitos passos a dar na carreira - não à toa, qualifica-se como "muito iniciante", e recorda que dificilmente nomes com menos de cinco ou seis anos de carreira atingem um patamar de reconhecimento mundial. Dentre os planos futuros, está até mesmo viver algum tempo nos Estados Unidos, próximo às grandes editoras e aos nomes mais badalados da indústria dos quadrinhos.
"Mas ainda estou começando. Tenho poucos trabalhos, em comparação com outros caras já bastante rodados. O (Mike) Deodato, por exemplo, já desenhava quando eu comecei a conhecer quadrinhos, lá na infância. Mais adiante, tenho a ideia de daqui a cinco anos morar em Nova York. Estar perto dos editores, treinar mais o inglês e ter essa vivência, entender como funciona a cabeça deles e até mesmo conhecer melhor os cenários das histórias. Às vezes você pega páginas de um desenhista americano para arte-finalizar, e não conhece a fundo aquele cenário que ele desenhou, que é típico de lá. Será um aprendizado importante", conclui.
Artista trabalha em escritório improvisado em um cômodo do apartamento (Foto: Lincoln Chaves/G1)Artista trabalha em escritório improvisado em um cômodo do apartamento (Foto: Lincoln Chaves/G1)
Fonte:http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2012/06/santista-participa-de-producoes-de-quadrinhos-norte-americanos.html

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