Monday, May 14, 2012

História em Quadrinhos como Recurso Pedagógico

JÁ FALEI AQUI EM POSTS ANTERIORES SOBRE O USO DO RECURSO HQ – HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM. CONFIRA OS POSTS ANTERIORES:

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA SALA DE AULA - 04/12/2008

HISTÓRIA EM QUADRINHOS 2 – 18/11/2008

Agora retorno com a sugestão robustecendo as postagens anteriores com esta postagem do meu amigo Profº Michel que tem o blog História Digital que abordou este tema e  achei tão interessante que irei compartilhar com vocês.
Segue o post:


Oi, galera, como História em Quadrinhos (HQ) é uma atividade bastante solicitada pelos professores – e geralmente uma atividade agradável para os alunos – resolvi escrever sobre o assunto. Procurei selecionar algumas dicas voltadas para um público não profissional, e que possam atender as demandas didáticas mínimas.
Estas dicas foram adaptadas dos textos de Evelyn Heine, que possui um vasto currículo como redatora e roteirista de HQ’s da Disney. Suas dicas podem ser acessadas e baixadas (PDF) no site Divertudo.
1- Elabore um roteiro: coloque no papel como será a história toda, incluindo personagens e suas falas.
2- Faça as contas: calcule quantos quadrinhos sua história inteira vai ter. Aí tente descobrir de quantas páginas ela precisa. Por exemplo, se forem 12 quadrinhos, você pode colocar em 2 páginas, com 6 quadrinhos cada uma.
3- Pense na digramação: “diagramar” é decidir a forma e o tamanho dos quadrinhos, lembrando que um pode ser o dobro dos outros e ocupar uma tira inteira.
4- Invente os personagens: Qualquer coisa que existe pode virar um personagem. Basta um par de olhos, duas pernas ou qualquer característica para “animar” algo que não tem vida. Se preferir, pode fazer colagem ao invés de desenhar.
5- Comece pelos balões dos personagens: só depois faça os desenhos. Geralmente, a gente se empolga com o cenário, os personagens, e depois não cabem mais os balões. Fica tudo encolhido e ninguém consegue ler direito.
6- Use apenas letras MAIÚSCULAS: Capriche bem nas letras para ficarem mais ou menos do mesmo tamanho. Você pode destacar palavras importantes ou gritos com cores mais fortes. Escreva as letras antes de fazer o balão em torno.
7- Capriche no desfecho: O final é muito importante. É o desfecho do seu trabalho. Imagine que todo leitor gosta de uma surpresa no final. Coloque a palavra “fim” no último quadrinho.
8- Não esqueça do título: Quando souber como será sua história, invente um título para ela. Lembre-se de deixar espaço no início da primeira página.
9- Não complique!: Se a cena for complicada demais pra desenhar, pense em outra. Sempre há uma solução mais simples. Se a frase for comprida demais, tente cortar o que não faz falta.
10- Faça a lápis primeiro: assim dá pra mudar algo errado, diminuir o textos, entre outras coisas.
Você pode usar também o ToonDoo que é gratuito bastando apenas você se inscrever. Lá você encontra cena de fundo e uma enomidade de opções para personagens e detalhes para enriquecer o seu quadrinho.
Se você quiser saber mais sobre HQ acesse o blog Gibiteca da querida Natalia Nogueira que você irá encontrar tudo sobre gibi e técnicas para fazer Histórias em Quadrinhos

História em quadrinhos

O papel do gibi no processo de aprendizagem, na afetividade e nas emoções.
Ronilço Cruz de Oliveira
Este relatório de pesquisa tem como objetivo analisar qual o espaço que as revistas em quadrinhos – gibis, ocupam no processo de aprendizagem, afetividade e emoções da criança, visando basicamente acompanhar as etapas de seu crescimento e desenvolvimento.
A proposta deste trabalho é promover uma leitura critica do gibi, no sentido de proporcionar aos educadores e psicólogos a possibilidades de usarem os quadrinhos como meio de investigação, interpretação e intervenção, principalmente porque os quadrinhos contém uma linguagem prática e colorida, que encanta e desperta na criança o desejo pela leitura, bem como a criatividade e a imaginação, alem é claro de enriquecer seu vocabulário.
Trata-se também da possibilidade de sistematização de uma prática pessoal desenvolvida ao longo de cinco anos, através de um projeto social denominado Gibiteca.
A Gibiteca nasceu em 1995, conta com o apoio da Universidade Católica Dom Bosco e também se constitui num campo de estágio e desenvolvimento comunitário.
Este projeto parte também do encantamento e envolvimento do seu autor com as leituras em quadrinhos.
As histórias em quadrinhos no contexto escolar e acadêmico
Várias pessoas não entenderam no inicio como os gibis iriam fazer parte de instrumento de pesquisa, investigação e atuação em psicologia em uma universidade, principalmente devido ao grande preconceito que até então existia em relação a esse tema. Waldomiro Vergueiro (Núcleo de Pesquisas de Histórias em quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 1998) afirma que “Quadrinhos e Universidade realmente nem sempre fizeram uma dupla lá muito dinâmica”. Waldomiro comenta que os intelectuais universitários até pouco atrás tinham a tendência de “amarrar” o nariz para os produtos da indústria de massa. Custaram a aceitar meios de comunicação de impacto mundial incontestável, como o cinema ou o rádio, demorando para acreditar que eles pudessem apresentar um objeto de estudo digno para os bancos acadêmicos ou que pudessem oferecer como resultado verdadeiras obras de arte.
A ciência, em conseqüência a universidade, tem que se ocupar apenas com coisas importantes e que levem a pensamentos profundos, diziam os intelectuais (e muitos ainda dizem). “Gibi”? Isso é coisa de criança. É totalmente supérfluo, que se lê e joga fora. Como se pode dar valor para algo que é produzido aos milhares, em “papel vagabundo”, cheio de desenhos de gosto inacreditáveis, de personagens que usam roupas espalhafatosas? Até pode representar um produto interessante para os outros, mas… enfim, história em quadrinhos não é coisa séria”, afirma Vergueiro (1998, Pag. 78). E com isso colocavam um ponto final no assunto. As historias em quadrinhos, definitivamente, não pertenciam ao ambiente universitário.
Felizmente isso mudou um pouco, afirma Vergueiro, porém, nem todo o ranço acadêmico foi eliminado, é claro, mas já é mais fácil encontrar-se, nas universidades do mundo inteiro, professores interessados nas histórias em quadrinhos, que realizam e orientam pesquisas, ministram disciplinas sobre elas e realizam um contato muito frutífero com produtores e consumidores desse meio de comunicação de massa, ajudando a ampliar a compreensão sobre as particularidades e potencialidades do meio.
Este movimento de absorção das histórias em quadrinhos pelo ambiente acadêmico começou em fins da década de 60 e início da de 70, quando alguns interessaram-se pelo assunto e passaram a abordá-lo sob o ponto de vista semiológico, histórico, estético, etc. A partir daí, as historias em quadrinhos passaram a ser um pouco melhor vista pelos acadêmicos.
Segundo Waldomiro Vergueiro o Brasil de uma certa forma, foi pioneiro nesse aspecto, pois foi aqui que mais precisamente na Universidade de Brasília, que foi criada a primeira disciplina sobre Histórias em Quadrinhos em um curso de graduação, ministrada pelo professor Francisco Araújo, que até hoje continua trabalhar com esse assunto em curso de terceiro grau. Foi no Brasil também, que uma das primeiras pesquisas sobre quadrinhos foi realizada em ambiente universitário, coordenada pelo professor José Marques de Melo, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi nessa mesma escola, ligada ao Núcleo de Pesquisas em Histórias em quadrinhos, que surgiu mais de 20 anos depois, o primeiro curso de Especialização em Quadrinhos, durante a década de 90 (que infelizmente, deve curta duração).
A universidade pode representar um ambiente privilegiado para a criação de quadrinhos, principalmente poder trabalhar com aspectos de vida do povo brasileiro, podendo promover uma ampla avaliação do pensamento, expressar sentimento e principalmente sendo válvula de escape para a criatividade e emoções dos alunos.
O papel do Gibi no processo de aprendizagem, nas afetividades e emoções. 

Vivemos em uma sociedade onde as coisas acontecem muito rápidas, onde os computadores invadem nosso cotidiano de forma extraordinária, e as pequenas coisas às vezes são deixadas de lado e esquecidas. Precisamos redimensionar o “brincar”, voltar a fantasiar, que para o professor Fontoura (1970,Pag 102), chama-se fase fantasista ou animista da criança (3 a 7anos), que é a tendência de dar alma aos seres inanimados e aos animais (do latim anima, significa alma). Fontoura afirma que a fase fantasista sempre foi parte integrante da vida do homem primitivo, que via sempre nos animais, nas plantas, nas forças da natureza (tais como o raio, o trovão, a lua, o eclipse) expressões de sorte ou de desgraça. Então, segundo o autor, a criança repete os homens da antigüidade e os nossos selvagens: ela é profundamente animista; conversa com os animais, com as bonecas, com os objetos que a rodeiam. De uma caixa vazia faz um navio, que, no momento seguinte, será uma casa ou um carro.
Estas construções míticas da criança são conhecidas por vários nomes: “síntese fantasista”, “capacidade de fabulação”, “exaltação da imaginação”, “mitomania”, etc.
Todo esse animismo, segundo Fontoura (1970), propicia a criança a criação de um mundo à parte, para elas, impedidas, pela falta de idade, de penetrarem no mundo adulto, então elas criam o seu próprio mundo, inconscientemente onde vivem felizes.
Fadas, duendes, animais que falam, gigantes, super-homens, mônica, cascão, cebolinha, mickey e outros, tudo isso existe realmente no mundo da criança. Através da capacidade de fantasiar a criança se afirma, realiza seus desejos, supera suas incapacidades.
O gibi de uma certa forma é um grande elo de ligação entre o meio interno e externo da criança. É através do Gibi que começamos a entrar em um mundo “mágico” da leitura e da fantasia, a imaginar e estar frente a situações presentes em nossas vidas. Como afirma PIAGET, “não existem fronteiras entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo da criança”, (Psicologia Educacional, pag 93). A criança não possuindo experiência da vida e sendo pequena sua capacidade de raciocínio, a criança preenche essas duas lacunas com a imaginação. Ela não sabe como as coisas são: então, imagina-as. Essa com certeza é a causa do enorme desenvolvimento da imaginação infantil.
A partir do gibi a criança começa a despertar o interesse pela leitura e melhorar a criatividade, a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico e a imaginação criadora, além e claro de aprender o português (Dinorah, 1995).
A criança faz duas leituras do gibi, uma das figuras – onde imagina os diálogos, sem se importar com que esta escrito. A medida que a criança começa a entender a leitura ela começa a ler e entender os quadrinhos, porém jamais deixando de imaginar e adivinhar.
Hoje em dia encontramos gibis em salas de aulas, onde percebemos a importância do mesmo na aprendizagem da criança, porém nem sempre foi assim, pois os quadrinhos eram considerados prejudiciais, pois fazia uma espécie de “antileitura”, mas aos poucos a experiência mostrou que, longe de ser prejudiciais, os gibis podem ser um gostoso incentivador da leitura, “as imagens ajudam as crianças em fase de alfabetização a compreender o texto que estão lendo”, afirma Alice Vieira, professora e coordenadora do laboratório de leitura da Faculdade de Educação da USP (2000, Pag 83).
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