Wednesday, January 11, 2012

ARTES VISUAIS. Artista do tipo incansável, Herbert Loureiro mal chegou aos 20 anos de idade e já tem história para contar
FORA DO EIXO
Foto: FELIPE BRASIL
Aos 22 anos, Herbie exibe conquistas dignas de nota e não perde o foco no futuro
Foto: FELIPE BRASIL
Por: CARLA CASTELLOTTI - REPÓRTER
Herbert Loureiro acredita em astrologia. Aquariano com ascendente em Libra e Lua em Gêmeos, o jovem de 22 anos cujos signos regentes têm o ar como elemento afirma que sua maior característica é a dispersão. No caos de ideias de que embala seu pensamento, contudo, sobrexiste uma certa ordem. É esse ‘método’ que lhe permite avançar, tanto que em tão pouco tempo de carreira o ilustrador já contabiliza conquistas dignas de nota. Sócio-fundador do Estúdio Alba, no qual desenvolve projetos de identidade visual, Herbie, como é mais conhecido, também ‘vende’ seus desenhos por conta própria – e com eles chegou a lugares como Lituânia, Paris e Bruxelas.

Filho mais velho de um casal formado por um médico veterinário e uma assistente social, Herbie conta que embora sua área de maior interesse seja o desenho, não lembra de ter crescido em meio a referências provenientes do universo da arte. Ainda assim, na infância, uma obra pendurada numa parede da casa da avó paterna chamava sua atenção. “Era um quadro meio Bauhaus, cinza, vermelho, cheio de formas...”, lembra. “Tinha também um (quadro) das mulheres de azul do Picasso, que caracterizava uma das fases dele e que também me marcou muito”.

Uma trajetória em exposição

2008 Festival Quebramar – Unifap – Amapá/Brasil

2009 Phobia – Kaunas Gallery – Lituânia

2009 II Mostra de Artes de Comunicação – Ufal – Maceió/Brasil

2010 Viagem – Arte-livre e Psicodelia – Maceió/Brasil

2010 Recorte Imaginário – Espaço MUDA – Recife/Brasil

2011 AAF – Bruxelas – Bélgica

2011 The Missing Link Project – Pictoplasma Paris – La Gaîtè Lyrique – França

2011 Um Cano – Fluxo de Novas Artes – Galeria NaCasa – Maceió/Brasil

HERBIE E O OFÍCIO DE CONSTRUIR ‘IDENTIDADES’

Era início de dezembro, e ao chegar à casa de Herbert Loureiro a reportagem o encontrou desenhando na mesa de jantar. Numa caneca, uma infinidade de canetas. No papel, o primeiro esboço feito a lápis de um novo projeto: a construção da identidade visual do site da blogueira de moda Carla Lemos. Variados, os trabalhos que o ilustrador desenvolve para o Estúdio Alba vão de flyers para baladas a arrojados estudos de marca como, por exemplo, o desenvolvido para a grife alagoana Viver de Arte/Maia Piatti.

Antes de começar a atuar profissionalmente, Herbie costumava passar as tardes ‘pintando’ as paredes da hoje extinta loja Fulô. “Foi nessa época que conheci outros estilistas. Fiz estampas para vários deles e também fiquei amigo do Ander, com quem comecei a elaborar editoriais de moda”, rememora o artista, que já nesse tempo juntava a fome e a vontade de comer ao aproveitar os momentos de lazer, nos quais desenhava de forma intuitiva, para nutrir possibilidades profissionais.

Vendo a maior parte de seus amigos migrarem para grandes centros urbanos em busca de especialização e trabalho, mais uma vez Herbie se colocou na contramão das ‘tendências’. “Muita gente me cobra para eu estar no eixo das artes, no Rio ou em São Paulo. E aqui, fica como?”, questiona ele. “É uma faca de dois gumes. Você pode conhecer pessoas que te darão contas muito maiores, mas o custo e a qualidade de vida não compensam”, diz ele, com tranquilidade.

PRIMEIRA INDIVIDUAL ESTÁ A CAMINHO

A essa altura o leitor deve estar pensando que, por desenvolver seu trabalho com tamanha naturalidade, Herbie acha fácil desenhar. Pelo contrário. “Desenhar é difícil para mim, é sempre uma busca por estilo”, afirma. Talvez por isso ele seja o primeiro a valorizar sua própria produção. “Eu não faço mais trabalho de graça. E eu vivo de quê? De fama?”, ironiza.

Após expor fora do Brasil e participar de uma coletiva em Maceió, Herbie agora mira sua primeira individual, prevista para meados de fevereiro também na galeria NaCasa, em Jaraguá. Para ele, 2011 foi um marco em sua carreira: “Trabalhar com as séries me fez juntar bastante material. Foi assim que fiz a série da Vogue (Everybody Loves Carine Roitfeld), que estará exposta com a técnica de serigrafia em painéis enormes”, antecipa ele.

As (p)referências do artista

Na cabeça de Herbie, nomes de ontem, hoje e sempre

NA MODA

>> Danilo Costa “Uma das marcas que uso sempre e que acho que tem parte da minha cara.”

>> Der Metropol “Com corte superapurado, as peças têm design extremamente intrincado e ótimos materiais, fora o impacto visual de cada peça. Um absurdo.”

>> Rodarte “O intrincado trabalho da Rodarte é sempre o mais esperado por mim, principalmente por suas referências, que são sempre combinações entre incógnitas como Van Gogh e a Bela Adormecida, robôs e campos de trigo.”

>> Ap401/Nathália Amaral/Larissa Nunes “O esforço de jovens estilistas alagoanos em um mercado tão escasso da chamada produção autoral deve ser

supercelebrado.”

NOVOS ARTISTAS

>> Marta Emília “Amo o trabalho de Martinha. Em Alagoas, é do que mais me aproximo e o que mais me emociona. São como pequenas explosões, caminhos de cor. Lindo.”

>> Harmony Korine “Os filmes do cineasta norte-americano são extremamente perturbadores e crus.”

>> Yoshimasa Tsuchiya “Escultor japonês que trabalha basicamente com figuras míticas como sereias e centauros extremamente delicados e incrivelmente realistas.”

>> Naoto Hattory “Surrealismo pop e sombrio.”

>> Eduardo Medeiros “Ilustrador e quadrinista supernovo e que já tem um estilo que só de olhar nos permite identificar de onde vem.”

CLÁSSICOS INSPIRADORES

>> Bosch “Desde cedo o Jardim das Delícias Terrenas é meu preferido, e é até hoje.”

>> Brueguel “Me prende por motivos muito próximos aos de Bosch. Adoro parar e prestar atenção no trabalho deles.”

>> Man Ray “Nonsense, nonsense!”

>> Andy Warhol “Muito mais pela atitude e as ideias do que pela produção em si.”

>> Volpi “Porque amo bandeirinhas.”

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