Wednesday, December 14, 2011

Nas gibitecas do DF é possível encontrar de mangás à HQs adultosNas gibitecas de Brasília, é possível encontrar um pouco de tudo: quadrinhos infantis, mangás, super-heróis graphic novels adultas e títulos europeus pouco conhecidos no Brasil


Publicação: 01/05/2011 06:24 Atualização: 01/05/2011 11:57
Os olhos fitam as páginas com atenção. As mãos viram as páginas freneticamente e seguram a revista com força, como se ela pudesse escapar a qualquer instante. A leitura geralmente é apressada. A cena corriqueira, diária, pode ser testemunhada em qualquer umas das gibitecas de Brasília. “Quando não estou na aula de inglês, fico aqui lendo”, conta Wolf Gilberd, 11 anos, referindo-se à gibiteca do Sesc da 504 Sul, onde ele estuda o idioma.

As histórias em quadrinhos são o passatempo de incontáveis pessoas que passam por ali todos os dias — muitos adultos, mas especialmente crianças. Fã da Turma da Mônica, Ygor Lucas Sousa, 10 anos, comenta: “O legal daqui é que temos muitas revistas para escolher”. A variedade também é elogiada por Bernardo Quezado, 10. “Tenho muitas revisitinhas em casa, mas aqui encontro outras, que eu nem conhecia”, diz o estudante.

Durante muito tempo, a gibiteca do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), inaugurada em 1993, era a única de Brasília. Com o passar dos anos, outras tantas foram surgindo, especialmente dentro de bibliotecas. Afinal de contas, as histórias em quadrinhos são instrumento facilitador na alfabetização, além de servirem como incentivo para a leitura e o aprendizado do desenho.

Mesmo com acervos semelhantes, as gibitecas da cidade guardam suas peculiaridades. Existem as mais voltadas para as crianças, as que são frequentadas principalmente por adolescentes, e ainda as que têm títulos diferenciados, interessantes para quem encara as HQs como mais do que um passatempo.

Movimento grande
Douglas Saraiva, 30 anos, é quem cuida da gibiteca do Sesc. “Não paro um minuto, estou sempre colocando de volta nas estantes as revistas que o pessoal larga por aí. O movimento é grande. As crianças são o maior público, mas muitos adultos pegam algo para ler enquanto aguardam atendimento”, conta. Ali, o acervo é formado basicamente por títulos infantis (Disney e Turma da Mônica), super-heróis da Marvel e DC Comics. “Recebemos doações e fazemos compras periódicas para reposição, já que as revistas vão sendo danificadas com o tempo”, conta a bibliotecária Iramaia Barbosa.

Além disso, o Sesc mantém em depósito algumas centenas de revistas. “Temos ali algum material raro, que só estará disponível quanto tivermos um sistema de segurança. Não é nosso interesse manter tudo guardado, mas, sem segurança, o pessoal leva embora mesmo”, explica Iramaia.

Foi a partir de uma doação de 4 mil revistas em quadrinhos que nasceu a gibiteca da Biblioteca Demonstrativa de Brasília. “Não sabemos quem foi essa pessoa (que doou). Tento descobrir desde 2003, quando inauguramos a gibiteca”, conta a diretora da biblioteca, Maria da Conceição Moreira Salles. Batizada com o nome do ilustrador Jô Oliveira, a gibiteca tem hoje cerca de 5 mil títulos, informa Noradi Vilela, funcionária responsável pelo local. “Hoje nos falta espaço para disponibilizar o que temos guardado”, ela diz.

Por lá, podem ser encontradas HQs de super-heróis da Marvel, DC e Image Comics, faroeste italiano (Tex) e mangás. Frequentador há um ano e meio, o estudante Thiago de Souza Andrade, 16 anos, conta que vai lá para ler quadrinhos japoneses: “Aprendi a gostar também dos personagens americanos, pois aqui tem muita coisa e sempre conheço algo novo”.

Acervo diferenciado

Em tempos pré-internet, a gibiteca do Espaço Cultural Renato Russo servia como ponto de encontro de fãs de histórias em quadrinhos, desenhos animados japoneses, jogos de RPG e outros assuntos ligados à cultura pop. Hoje, ainda tem o acervo mais diversificado das gibitecas de Brasília. “O espaço é hoje um Ponto de Cultura. Trabalhamos com a ideia de criar filhotes da gibiteca em outros pontos”, conta Joana Abreu, diretora do local.

O acervo de lá (de aproximadamente 5 mil títulos) passeia por quadrinhos nacionais e estrangeiros das décadas de 1980 a 2000 e algumas coisas mais antigas. As doações chegam com frequência, por isso a variedade de títulos (no geral, muito bem conservados). Em uma pequena sala, eles guardam mais algumas centenas de revistas esperando cadastramento.

A procura maior é pelos mangás. “Recentemente, uma mãe veio até aqui e me pediu para proibir a filha de frequentar a gibiteca”, conta Franklin Bastos, responsável pela gibiteca. “Não posso, é um espaço público, expliquei a ela. É que a menina andava mal na escola. Louca por mangás, vinha aqui todos os dias, em vez de ir para a aula.”

Para quem procura quadrinhos diferentes, que não chegam a ser publicados no Brasil, a dica é visitar as mediatecas da Aliança Francesa e do Instituto Cervantes. A primeira reúne 450 títulos dos quadrinhos franco-belgas (Asterix, Tintim, Spirou etc.) e de personagens de outras nacionalidades, em edição francesa (como Batman e o italiano Corto Maltese, de Hugo Pratt). “Nosso público é um pouco diferente do das outras gibitecas, mais adulto e geralmente francófono”, detalha Robson Adriano de Paula, responsável pelo espaço.

No Cervantes, a seção de quadrinhos é recente, mas contém algumas pérolas das HQs argentinas (obras de Quino, Maitena, Liniers, Fontanarrosa e Osterheld, por exemplo) e espanholas (a elogiadíssima Blacksad, de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido). “É um espaço recente, mas vamos continuar investindo nele”, avisa a bibliotecária Norma Silva Peixoto.

Todas as gibitecas de Brasília aceitam doações. Se você tem quadrinhos em casa que não lê mais, está feito o convite para compartilhá-los com outros leitores.

Serviço

Gibiteca do Sesc 504 Sul
(3217-9123 e 3217-9101)
De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

Gibiteca Jô Oliveira
Biblioteca Demonstrativa de Brasília (506/507 Sul; 3443-0852)
De segunda a sexta, das 7h30 às 23h, e sábado, das 8h às 14h

Biblioteca do Instituto Cervantes
(707/907 Sul; 3242-0603)
Segunda e terça, das 11h às 20h30; quarta e quinta, das 9h às 20h30; sexta, das 9h às 18h; e sábado, das 9h às 14h.

Biblioteca do Instituto Cervantes
(707/907 Sul; 3242-0603)
Segunda e terça, das 11h às 20h30; quarta e quinta, das 9h às 20h30; sexta, das 9h às 18h; e sábado, das 9h às 14h.

Aliança Francesa
(708/ 907 Sul; 3262-7600)
De segunda a quinta, das 8h às 20h30; sexta, das 8h às 12h e das 14h às 20h; sábado, das 9h30 às 12h30.

Gibiteca do Espaço Cultural Renato Russo
(508 Sul; 3443-6039)
De segunda a sexta, das 10h às 18h
Fonte:

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