Monday, December 19, 2011

Entrevista com argumentista Michel Lafon

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Michel Lafon, argumentista do próximo álbum da série Alix (“La Conjuration de Baal” – “A Conjuração de Baal”), teve a gentileza de responder às questões de Alixmag. É essa entrevista que, em exclusivo para a língua portuguesa, vos reproduzimos.


AM: Michel Lafon, como argumentista da nova aventura de Alix, e uma vez que é novo no Universo Martin, impõem-se uma apresentação sua…
ML: Sou professor de literatura Argentina na Universidade Stendhal de Grenoble. O meu primeiro livro foi publicado pela editora Gallimard em 2008. O livro tem por titulo “Une vie de Pierre Ménard” (“Uma vida de Pierre Ménard”), e obteve o prémio ‘Valery Larbard 2009’. Tenho igualmente editadas várias obras consagradas à literatura Argentina, ou a questões de teoria literária, como “Nous est un autre – Enquête sur les duos d’ecrivais”, um ensaio sobre a escrita em colaboração, editado pela Flammarion em 2006, escrito em colaboração com Benoît Peeters. Compilei igualmente todos os romances de Adolfo Bioy Casares num volume da colecção “Bouquins”, da editora Robert Laffont, e muito recentemente, os dois fac-símiles de manuscritos de Jorge Luis Borges, pela ‘Presses Universitaires de France ‘. E, para completar o meu papel de difusor da literatura Argentina em França, traduzi onze romances do Argentino César Aira, bem como o ‘Curso de literatura Inglesa’ de Borges.


AM: Em que circunstancias entrou para o Universo Martin?
ML: Como leitor, entrei no Universo Martin lendo de um sopro, com a idade de oito anos, as primeiras cinco aventuras de Alix e as duas primeiras de Lefranc. É inútil dizer que essa é uma das recordações mais marcantes da minha infância e que, de todos os universos de banda desenhada que descobri nessa época, foi sem dúvida aquele que mais me fascinou (juntamente com o de Thierry de Royaumont, manifestamente menos conhecido e que se limita a quatro episódios). Como argumentista, trata-se do meu primeiro álbum (antes, apenas tinha escrito o prefácio da bela adaptação de “L’Invention de Morel”, do romancista Argentino Bioy Casares, adaptada por Jean-Pierre Mourey, e editada pela Casterman, na colecção “écritures”, em 2007. A Casterman, sabendo da minha paixão pela série Alix, pediu-me que lhes enviasse um projecto de um cenário, o que fiz. A BD franco-belga clássica é muito importante na minha vida, e sou igualmente um apaixonado de Hergé, de Jacobs, de Peyo, de Tillieux, e de muitos outros.

AM: Pode resumir-nos a intriga da história?
ML: Alix e Enak estão de férias em Pompeia, em casa do recém eleito governador da cidade, e uma noite um desconhecido chega, moribundo, à sua porta. Antes de morrer apenas tem tempo de lhes dizer que César está em perigo, e de pronunciar o sinistro nome de Baal. Os nossos amigos regressam então a Roma, o mais rapidamente possível, para salvar César de um perigo que, pouco a pouco, se irá materializar sobre a forma de inquietantes e impiedosos Moloquistas. O seguimento transporta-nos à eterna rivalidade entre César e Pompeu, que Jacques Martin tão bem soube expor desde o primeiro álbum da série, Alix o Intrépido.


Alixmag (AM): Como nasceu esta história, e em que álbuns se inspirou para a mesma?
Michel Lafon (ML): A ideia de partida é a de uma ida-retorno dramático de Pompeia a Pompeia, via Roma assolada por acontecimentos que evocam uma atmosfera de guerra civil (que se declararia alguns anos mais tarde). Não escolhi conscientemente prestar homenagem a este ou aquele álbum de Jacques Martin, embora, por vezes, apareçam referências, implícitas ou explícitas, a álbuns como “A Garra Negra” (Pompeia …), ou “O Tumulo Etrusco” (os Moloquistas …), ou ainda “A Ilha Maldita” (para uma cena chave recorrente), e “As Legiões Perdidas” (para a atmosfera da viagem final de Roma a Pompeia).


AM: Qual é para si o grande período da série Alix, e porquê?
ML: Evoquei essa questão nos dois textos que redigi para as duas edições de “La Conjuration de Baal”, a normal e a de luxo. Para mim, o núcleo duro da série, é composto pelos oito primeiros álbuns. Os cinco primeiros, que são como uma base mitológica de onde saiu tudo o resto, e os três seguintes (“As Legiões Perdidas”, “O Ultimo Espartano”, e “O Tumulo Etrusco”), que marcam, não só pelo desenho, uma forma de modernidade (paralelamente a “O Mistério Borg, de ‘As aventuras de Lefranc’). São esses oito Alix que releio muito regularmente, e dos quais me alimentei intensamente.

AM: Jacques Martin deixou-nos enquanto o Michel escrevia esta história. Teve oportunidade de o encontrar, e de lhe falar deste argumento?
ML: Não, aliás, nunca reencontrei Jacques Martin nestes últimos anos; apenas o encontrei, na minha juventude, numa sessão de autógrafos, em Paris, sem que me tenha ousado aproximar muito. Um encontro de trabalho estava marcado com Christophe Simon, em Bruxelas, precisamente na semana da sua morte, e foi anulado à última da hora. Durante o período de escrita, e também do desenho, do álbum nunca me desloquei à Bélgica. Espero que o lançamento de “La Conjuration de Baal” me dê oportunidade de me deslocar a esse país que é, desde a minha infância, um país particularmente querido para mim.
Obrigado Michel por esta entrevista.
(Michel Lafon, argumentista do próximo álbum da série Alix (“La Conjuration de Baal” – “A Conjuração de Baal”), teve a gentileza de responder às questões de Alixmag. É essa entrevista que, em exclusivo para a língua portuguesa, vos reproduzimos)

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