Wednesday, December 14, 2011

Chroniques de Jérusalem




O quadrinista canadense Guy Delisle, depois de se aventurar pela primeira década deste século pela Ásia e transformar a experiência em história em quadrinhos, passou recentemente um ano em Jerusalém, acompanhando o trabalho humanitário da mulher junto aos Médicos Sem Fronteiras, cujo resultado acaba de chegar às livrarias lá fora. Chroniques de Jérusalem, seu mais alentado álbum, com mais de 300 páginas, acaba de ser lançado em francês e em breve ganha versão em outras línguas. Em português, sai no Brasil pela Zarabatana Books em 2012, mesma editora dos três álbuns anteriores de Delisle,Pyongyang, uma viagem a Coreia do Norte (2007), Shenzen, uma viagem a China (2009) e Crônicas birmanesas (2009).


"Moramos no bairro de Beit Hanina. Explicaram-me que é a parte anexada por Israel em 1967. Estamos então em Israel? Isto depende: em nível internacional, estamos na Cisjordânia, já para os palestinos, vivemos nos territórios ocupados e, para o governo israelense, estamos em Israel. Bem, nem tudo está claro, mas tenho um ano diante de mim para ver mais claramente", afirmou o quadrinista ao Le Monde.Metade do trabalho inclusive foi publicado on-line pelo diário francês e ainda está disponível.

Seu ano sabático pela cidade milenar, talvez a mais importante para as três religiões monoteístas mais importantes do planeta - o judaísmo, o islamismo e o cristianismo - também foi o gancho para o documentário sobre o trabalho do canadense, the guy delisle CHRONICLES, com direção de Phillip Rashleigh [Assista ao trailer aqui]. O filme acompanhou Delisle em sua passagem por Jerusalém e reflete, junto com o autor, sobre a realização do seu trabalho, bem como a ascensão dos quadrinhos independentes, que ocupam cada vez mais espaço e tem sido a melhor maneira de reflexão gráfica sobre temas e assuntos que há pouco tempo não ocupavam a esfera da nona arte.
Para aqueles que associaram este trabalho ao jornalismo em quadrinhos feito por Joe Sacco, autor de Notas sobre Gaza (Quadrinhos na Cia., 2010), primorosa HQ de investigação histórica e jornalística que foca em episódios sucedidos na região no ano de 1956, Delisle respondeu ao site francês Actua BD que se sente fazendo o oposto de jornalismo. "Jornalistas vêm para Jerusalém e vão ao lugar mais quente para contar uma história, enquanto eu estou aqui para ajudar minha esposa. Tomo notas, claro. Mas não vou narrar os grandes acontecimentos, espero as pequenas estórias virem até mim. É menos cansativo", ele ri, e continua: "É uma abordagem diametralmente oposta a dos jornalistas. Depois disso, percebo um país, as pessoas que vivem nele. Aqui, pode ter alguma semelhança com a atividade jornalística. Mas prefiro falar sobre a vida cotidiana". Delisle é um admirador do trabalho de Sacco, mesmo fazendo algo tão distante. "Ele leva muito tempo para fazer uma página. Quando investiga sobre 1956, demora tanto pois não fala sobre o dia a dia. É engraçado porque ele é um jornalista enquanto está investigando, mas depois leva alguns anos para desenhar. Para mim é ok, faço uma página por dia", conta o quadrinista a Actua BD. Mesmo que não tenha como escapar da realidade tensa quem uma cidade como Jerusalém concentra, além da sua peculiar geografia, na verdade, estas crônicas focam na vida de um pai que tenta criar e educar os filhos pequenos. (Por Bruno Dorigatti)

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