Thursday, December 1, 2011


Artigo: Quadrinhos crescem junto com os fãs

O chef de cozinha Flávio Couto tem cerca de 3 mil HQs
O chef de cozinha Flávio Couto tem cerca de 3 mil HQs
Antes de os amigos Jeovah Ribeiro e Flávio Couto, de 33 e 35 anos, entrarem na escola, eles aprenderam a ler. Até aí nada demais, já que várias crianças são alfabetizadas antes do ensino infantil. Mas o hábito pela leitura não ficou só no passado e foi estimulado graças às histórias em quadrinhos (HQs). Para decifrarem o que vinha nos balões sobre as imagens dos super-heróis, eles se viram obrigados a ler antes do esperado e não pararam mais.
Para a doutora em literatura Kenia de Almeida Pereira, as HQs são opções inteligentes para formar bons leitores e não pode ser considerada uma literatura menor. “Elas têm a riqueza das imagens, permitindo a leitura do texto e dos desenhos. É para a vida toda, não só para criança. Eu mesma adoro ‘A Turma da Luluzinha’”, afirmou a especialista.
O gerente Jeovah Ribeiro guarda o primeiro exemplar que ganhou, aos 4 anos. A revista “Incrível Hulk” está em meio aos 5 mil exemplares do “Homem-Aranha”, “Lanterna Verde” e “Wolverine”. “Meus pais compraram para eu me entreter com as figuras durante uma viagem e, agora, todo mês compro umas 30. Atualmente as revistas de super-heróis estão mais estruturadas, mais adultas”, afirmou Ribeiro.
Além do gosto pela leitura, a paixão rendeu ainda uma amizade com o chef de cozinha Flávio Couto, com uma história coincidentemente bem parecida com a do amigo. Começou a ler aos 6 anos quando ganhou uma revista do “Fantasma”, um dos personagens mais conhecidos pelos leitores com mais de 30 anos. “Eu também tenho ‘Turma da Mônica’, os gibis do ‘Tio Patinhas’, mas o que eu mais gosto é do ‘Batman’”, disse Couto.
Quase 3 mil revistas de HQs dividem espaço com dezenas de livros e revistas adultas, dando estímulo às filhas Mércia e Eduarda, de 8 e 15 anos. “Elas adoram ler. A mais velha gosta desses livros estilo ‘Crepúsculo’. A mais nova pede para ler meus gibis”, afirmou o chef.

Crianças de hoje, leitores de amanhã

Lara Barros aprendeu a ler com gibix e lê também outras revistas
Lara Barros aprendeu a ler com gibix e lê também outras revistas
As primeiras palavras lidas pelas irmãs Lara e Liana Barros, de 7 e 13 anos, saíram dos gibis “Turma da Mônica”, de Maurício de Souza. Aos 3 anos, Liana já sabia unir as letras e, quando chegou a vez da irmã, apresentou a ela as histórias em quadrinhos. “Eu tentava ler o que tinha nas embalagens e minha mãe começou a comprar gibi para mim. Gosto da Mônica, as histórias são engraçadas”, disse a caçula.
Sempre que viaja, a mãe das meninas, a professora Solange Barros, compra novos exemplares. Segundo ela, com o hábito, as filhas foram levadas a outros tipos de leitura. “Elas agora estão naquela fase de ler a biografia do Justin Bieber, mas acho que o que aproxima a criança da leitura é o gibi. Quando criança, eu adorava ler as tirinhas do jornal e depois que elas leem os gibis, eu também leio”, afirmou.
Além do estímulo para ler, as histórias de Maurício de Souza sempre trazem uma mensagem positiva, sobre drogas, pedofilia, respeito com o próximo, meio ambiente, entre outros assuntos.

Ler HQ não é privilégio de criança

Kenia Almeida indica também graphic novels
Kenia Almeida indica também graphic novels
Uma parte das histórias em quadrinhos ganhou destaque com as adaptações literárias, com releituras de clássicos de escritores brasileiros como Machado de Assis, com “O Alienista”, ou estrangeiros como Franz Kafka, com “A Metamorfose da Linguagem”.
Outra opção para o público adulto, segundo a doutora em literatura Kenia de Almeida Pereira, são as graphics novels (na tradução, novela gráfica) com enredos maiores e mais complexos. “Um exemplo é a obra ‘Um Contrato com Deus’, de Will Eisner. Eisner é o papa do quadrinho adulto, mas tem vários outros autores”, disse a especialista.
Para quem não abre mão dos clássicos como Luluzinha e Mônica, as personagens crianças também cresceram e ganharam uma versão teen, em estilo mangá. No início deste mês, o cartunista Mauricio de Souza, em entrevista ao portal G1, falou da nova fase de Mônica, Cebolinha, Cascão e companhia. Eles agora vão virar adultos e terão problemas de gente grande, como estresse no trabalho, engarrafamento, desencontros amorosos, falta de dinheiro. O autor planeja lançar a nova versão dos personagens em um gibi semanal.
Por Nubia Mota (Repórter do Correio de Uberlândia)

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