BELO HORIZONTE ~ Terminou ontem o 7o Festival Internacional de Quadrinhos — e nesses cinco dias ficou claro que não é pra menos que o FIQ é o maior evento do tipo na América Latina. De oficinas com nomes conhecidos no universo das HQs à exposições incríveis, teve de tudo, com direito a uma estrutura muito bonita e bem organizada.
Como tradição do evento, há sempre um país e um artista a serem homenageados. O artista escolhido desta edição foi Mauricio de Sousa. A novidade anunciada pelo pai da Turma da Mônica são as graphic novels MSP, que seguem a idéia do projeto MSP 50 que homenageou os seus 50 anos de carreira com quadrinhos desenhados por diversos artistas. O trabalho ficará por conta de Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Chico de Leite, e Vitor e Lu Caffagi. Alguns teasers foram divulgados durante o FIQ e parece ter coisa bacana vindo por ai. O lançamento está previsto para 2012.
Além de exposições com linha do tempo da carreira de Mauricio, houve também palestras e debates abertos ao público, onde Mauricio mostrou que não é só de talento e sim de muita simpatia e bom humor que o seu legado vem sido transmitido de geração a geração no Brasil. Quem teve paciência e coragem para enfrentar fila gigante — e não foi pouca gente –, conseguiu ter seus gibis e almanaques autografados por ele, durante as sessões que aconteceram na quarta e na quinta-feira.
Já o país homenageado foi a Coréia do Sul, que também teve uma exposição bonita, e conta com um numero de leitores cada vez maiores. Os convidados homenageados foram Chon Kye-young, autora da série “Audition”, Park Sang-sun, autora de “Tarot Café”, e Hyung Min-Woo, de “Priest”, que recentemente foi adaptado para o cinema.
Além das exposições dos homenageados, quem esteve por lá ainda pode conferir outros trabalhos, como da ilustradora brasileira Marilda Castanha, os “Quadrinhos Rasos”, que transformam músicas em quadrinhos sem estabelecer ligações óbvias. Outra galeria contava com desenhos originais dos convidados internacionais do evento, como Jill Thompson, Cyril Pedrosa, Bill Sienkiewicz, Olivier Martin, Horacio Altuna, Calpurnio, Kioskerman e Matt Fraction. No entanto, uma das exposições mais legais não tinha convidados nem artistas específicos: o “Criando Quadrinhos” passava por todo o processo da criação mostrando as diferentes técnicas e profissionais envolvidos em cada parte, com diversos materiais originais e raríssimos, de revistas originais a capas não lançadas e sketchs de quadrinhos famosos.
As filas para conseguir um autógrafo nos exemplares de “Elektra Assassina” por Bill Sienkiewickz ou ter a assinatura da Jill Thompson em algum de seus trabalhos eram enormes. Mas não havia quem não saísse das sessões e debates satisfeitos. Alguns sortudos ainda tiveram o portfolio avaliado por C. B. Cebulski, “caça-talentos” da Marvel, Larry Ganem, da DC Comics, Horacio Altuna, e Matt Fraction.
Mas nem de longe o FIQ foi dos quadrinistas internacionais. Os artistas brasileiros — a maioria, independentes — tomou conta do evento, não havendo nenhum lançamento de editoras tradicionais/comerciais. Os estandes estavam sempre cheios – Quarto Mundo, Balão Editorial, Pandemônio, Dez Pãezinhos, (In)Dependentes, Nemo… E a chance de sair de lá com exemplares autografados ou esbarrar com os autores nos corredores era grande. “Neeb”, de Eduardo Medeiros, “Os passarinhos e outros bichos” de Estevão Ribeiro, “Burocratia”, de Mario Cau, e “Uma Patada com Carinho”, de Chiquinha, foram alguns do lançamentos que aconteceram por lá.
E pra quem acha que quadrinho é só coisa de meninos, Adriana Melo, Erika Awano, Cris Peter e uma boa leva de mulheres esteve lá para provar exatamente o contrário, participando de uma mesa mediada apenas por mulheres, a Lady’s Comics.
Estúdio ao vivo com Cris Bolson, Eduardo Pansica e mais um tanto de gente talentosa, exposições interativas, produção da revista Graffiti durante o evento… Foi muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, muita gente visitando tudo. Para quem gosta de quadrinhos, foi um grande evento, uma oportunidade de ver de perto alguns nomes já renomados dentro e fora do Brasil, como Fábio Moon e Gabriel Bá, e conhecer muita gente nova que manda super bem também.
E para quem não conhecia muito bem o que rola nesse universo, foi uma ótima chance de ficar conhecendo de perto, ter um contato direto com quem faz, quem gosta, conhecer gente nova e saber melhor como funciona tudo, além de ser um baita incentivo para quem está começando por agora. Quem esteve presente, certamente adorou e aproveitou cada momento do FIQ. E quem não foi perdeu um ótimo festival, mas não precisa chorar. É só se programar e esperar um pouco, porque daqui a dois anos tem mais.
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