Sunday, November 13, 2011

FIQ espera receber 40 mil pessoas nesta sétima edição

Queijo com goiabada, Praça Sete e o amor dos mineiros por HQs inspiraram desenhos de artistas que participam do FIQ


Carolina Braga - EM Cultura
(Beto Magalhães/EM/D.A Press)


Caminhar pelos corredores do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), na Serraria Souza Pinto, é experiência curiosa. Primeiro porque rola uma histeria coletiva – vinda de gente de todas as idades. É engraçado acompanhar a ânsia com que a garotada explora exposições, debates e interações propostas pelo evento.

Engana-se quem pensa que se trata de algo exclusivo dos pequenos. Assim como eles passam correndo de um lado para o outro, marmanjos com canetas e pincéis em punho mostram que criatividade e iniciativa definitivamente não faltam por lá. Sendo assim, que tal desenhar BH? Profissionais presentes ao FIQ aceitaram esse desafio a convite do Estado de Minas.

“Nunca vi tantos pássaros diferentes em um mesmo lugar. Queria soltar todos eles”, comenta a desenhista americana Jill Thompson sobre o Mercado Central. Uma foto no celular serviu de referência para ela reproduzir em aquarela um dos símbolos de nossa gastronomia: a goiabada com queijo. “Amei isso”, elogiou ela à plateia formada em seu redor.

O cotidiano de BH não passou despercebido ao francês Cyril Pedrosa. No inseparável moleskine que leva na bolsa estavam reproduções do viaduto de Santa Teresa, de bares da Rua Paraíba e de carros estacionados na Rua Alagoas. Já o Pirulito da Praça Sete ganhou elemento voador na versão de Will Conrad. O carioca Gama, que lança hoje o livro A balada de Johnny Furacão, sugere: “FIQ aqui em BH”.

O festival termina amanhã. A expectativa é de que 40 mil pessoas visitem a Serraria Souza Pinto até as 20h, quando será lançada edição especial da revista Graffiti. Durante a semana, alunos de 180 escolas passaram por lá. E comprovam: o público da cidade tem vocação para o desenho.

“Estou impressionado como aqui todo mundo tem vontade de desenhar. Lá na França as pessoas são muito inibidas”, comenta o francês Cryil Pedrosa, que já foi responsável por traços do Corcunda de Notre Dame. “Estou gostando de ver tanta criança aqui”, acrescenta o mineiro Will Conrad, desenhista do X-Men, cuja carreira nasceu nos corredores do FIQ. “Vim à primeira edição e ouvi do Will Eisner que estava no caminho certo. Em 2001, comecei a trabalhar”, lembra.

A proximidade entre fã e artista chama a atenção dos convidados. Pela primeira vez no Brasil, Jill Thompson sabia que seu livro foi publicado aqui. A surpresa veio do público adolescente, que conhece o trabalho dela a fundo. “Estou me sentindo pop star”, divertia-se ela, cercada de fãs enquanto desenhava sua versão do doce Romeu e Julieta.

Acostumada a frequentar eventos dessa natureza, Jill se encantou com a força do aspecto cultural do festival mineiro. “Aqui, as pessoas compram livros porque gostam, não porque vão conseguir autógrafo para vender no e-bay”, elogia, criticando a prática dos conterrâneos americanos. “Passear por esses displays com as histórias de determinados artistas e personagens dá a mesma sensação de entrar no museu. Não temos festivais assim nos Estados Unidos”, conclui a desenhista.

FIQ
Sábado:
16h – Conversa em quadrinhos, com Bill Sienkiewicz
17h30 às 19h30 – Sessão de autógrafos de Três sombras, de Cyril Pedrosa
18h – Painel DC comics, com Larry Ganem, Eddy Barrows, Ivan Reis e Joe Prado
20h – Painel Coreia do Sul, com Park Sang-Sun, Hyung Min Woo e Komacon

Serraria Souza Pinto, Avenida Assis Chateubriand, 809, Centro. Até domingo, das 10h às 22h. Entrada franca. Informações: www.fiqbh.com.br.

ENTREVISTA/Mauricio de Sousa (foto), desenhista

Foi na parede do FIQ que Lucca Santos, de 10 anos, liberou a ansiedade: desenhava camisas de futebol. O que levou Lucca ao FIQ? “Vim ver o Mauricio de Sousa”, respondeu. O criador da Turma da Mônica é o homenageado do 7º FIQ . Além de conversar com o público, ele passou três horas dando autógrafos e retribuindo tanto carinho. 


No FIQ, crianças, adultos, estrangeiros e brasileiros ovacionam seu trabalho. É difícil lidar com a idolatria?
Fico admirado e, em alguns casos, emocionado. Não faço com o propósito de universalizar, mas para agradar ao leitor. Muitas vezes, perguntam como consigo atender tanta gente. Não é assim, é um por vez. Acho que trabalho para uma pessoa com milhões de rostos. Para mim, ela é transparente. Falo com ela em qualquer língua.

E o futuro da Mônica e do Cebolinha? Eles vão se casar?
Não sei. Igual a meus filhos de verdade, nunca sei se vão se casar, se querem se casar. Não interfiro nessas coisas (risos). Mas já que hoje você sabe como o público está reagindo, que caminhos devem ser tomados, pode ser que seja forçado pelo público a casar a Mônica e o Cebola. Não é porque eu, pai, estou preocupado com o futuro, o fato de Mônica ser muito criança. De repente, o pessoal força a barra. Como não quero que A turma da Mônica jovem, com seus 15, 16 anos, tenha gestos tresloucados, estou com vontade de criar A turma da Mônica adulta, o que me permitiria maiores liberdades. Já estariam na idade de noivar, casar, ter filhos, problemas financeiros, ganhar na loteria. Esse projeto está nascendo.

Você não para de inovar, né?
Sabe o que é? Temos uma história grande de iniciativas, descobertas, sucessos e alguns insucessos também. No frigir dos ovos, a maioria das coisas tem dado muito certo e nos ensina muito. Com a garotada exigindo inovações e mudanças a toda hora, temos que acompanhar esse pessoal.

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