Saturday, November 26, 2011



Entrevista: Érica Awano – quadrinhista

Por Renato Lebeau | 25 novembro de 2011
Quadrinhista conversa com o Impulso HQ e revela uma possível volta de Holy Avenger
Para muitos ela é a principal mangaká do Brasil, e conquistou uma legião de fãs com os desenhos para Holy Avenger, da editora Talismã, a mais longa série de quadrinhos nacionais já publicada, com 42 edições. Atualmente ela trabalha para o mercado norte-americano, e o seu mais recente trabalho publicado no País é DBride, da editora Jambô.
Claro que estamos falado de Érica Awano, uma das quadrinistas brasileiras mais bem sucedidas no mercado norte-americano, que pelo seu trabalho para a adaptação em quadrinhos de Alice no País das Maravilhas para a Dynamite Entertainment, arrancou excelentes críticas da mídia especializada.
O Impulso HQ conversou com a carismática quadrinhista, durante o Rio Comicon, que conversou sobre a sua carreira, planos para o futuro, e inclusive nos revelou um possível relançamento de Holy Avenger, em breve. Confira:
Impulso HQ: Do início da sua carreira a te hoje, o que você analisa que mais mudou no mercado de quadrinhos?
Érica Awano: 
No mercado propriamente acho que mudou nada. A impressão que tenho é que nesses dez anos o avanço da divulgação, por conta da Internet, você tem um cenário diferente. Você tinha menos chances antes de o seu trabalho ser visto do que hoje em dia. Mas o mercado editorial de publicações eu tenho visto diminuir. Está mais difícil publicar revistas, está mais difícil de distribuir, para colocar em banca então você tem que encontrar uma editora muito disposta a bancar um prejuízo por um bom tempo até conseguir colocar a revista em um patamar de venda regular.
IHQ: A Holy Avenger foi um marco na sua carreira. Você sente saudades de produzi-la? Faria algum especial?
E.A.: 
Eu estava comentando isso com o Cassaro outro dia, porque o pessoal da editora Jambô está tentando organizar esse material e relançá-lo como um encadernado. E eu estou tendo que desencavar as páginas originais para escanear novamente, porque as primeiras edições foram escaneadas na antiga editora, e as imagens ficaram serrilhadas. Então estou reescaneando e tratando as imagens. E às vezes dá uma aflição, porque eu olho as páginas e tenho vontade de corrigir alo ali ou algo aqui. Nesse sentido tenho muita vontade de voltar a desenhá-los.
Comentei com o Cassaro que eu até fiz alguns rabiscos de páginas de como seria a Holy se ela fosse produzida hoje em dia, mas os planos é que seja lançada uma reedição com retículas.
IHQ: Depois de algum tempo publicando no exterior, como foi voltar a publicar no Brasil com DBride?
E.A.: 
É divertido porque a Holy foi o meu primeiro trabalho de longa duração, mas na verdade ela foi o meu segundo trabalho, o que não ajuda muito no quesito experiência. Na Holy teve muita coisa que eu estressei a toa, teve muita coisa que eu poderia ter me poupado, teve muita coisa que eu poderia ter feito da forma mais inteligente.
Bem ou mal a DBride me ajudou nesse ponto, porque foi como se eu tivesse fazendo a Holy novamente só que com uma carga de experiência maior, então eu pude curtir mais, eu inventei coisa que não tinha, até topei fazer uns robozinhos bem fakes, e é divertido fazer aquilo.
IHQ: Como foi trabalhar na adaptação de Alice no País das Maravilhas? Você teve liberdade para tomar decisões de como seriam os personagens?
E.A.: 
Não. A Alice faz parte de uma série produzida pela Dynamite chamada “The Complete” que são adaptações fiéis dos livros, então você não pode pirar na maionese, você tem que ser fiel a proposta do livro.
A ideia era: a história original foi ilustrada pelo John Tenniel, que fez um trabalho em aquarela, então foi por isso que as cores tiveram que aquareladas e meio desbotadas, para fazer referência a primeira edição do livro. Eles pediram para não fazer a Alice com aquela cara de Disney, porque não é assim no original, então busquei os desenhos originais do Tenniel para ver como era a Alice dele. Foi um trabalho bem divertido porque foi bem diferente do que estou acostumada a fazer.
IHQ: Você acompanha a produção de mangá nacional? Já podemos afirmar que temos um mangá brasileiro?
E.A.: 
Temos um mangá brasileiro, só que as pessoas esperam muita coisa quando se fala em mangá. Eles esperam que o mangá nacional seja igual ao japonês, mas é óbvio que não será é igual. Cada país sempre acrescenta alguma coisa. Seria tolice e uma imbecilidade fazer um mangá no Brasil totalmente igual ao mangá do Japão. Pra que então? Não faz. Compre o quadrinho do Japão. Fazer só para dizer que você consegue imitar 100% o japonês? Se for pra fazer isso, não faça. Arrume outra carreira.
O Brasil tem qualidades fantásticas em termos de história. Temos muitas referências vindas de vários lugares. Tem muita coisa boa que você pode aproveitar do mangá, mas você não deve copiar todo ele. Essa mania de querer copiar tudo acaba tirando a inteligência da narrativa e as pessoas acabam fazendo coisas esquisitas como fazer a história no sentido oriental de leitura.
Não acho isso bacana porque você não lê naquele sentido. O mangá só tem aquele formato porque a sua leitura é desse jeito. Eu acho que ai já beira a estupidez. É bom você pegar as coisas boas, mas seguir cegamente não.
IHQ: O que os fãs de Erica Awano podem esperar para 2012. Mais álbuns nacionais ou apenas o mercado no exterior?
E.A.: 
Sinceramente não sei o que vai acontecer ano que vem, não tenho planos ainda. Sei que tenho algumas coisas para fazer no exterior. Aqui no Brasil não sei se esse trabalho será publicado, mesmo a Alice, eu acho difícil que apareça por aqui.
Não sei mesmo, de repente o Cassaro arrume um tempo e eu resolva fazer de novo alguma coisa legal.
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