Sunday, November 27, 2011



As artes do Google

Intervenções na logo do buscador chamam atenção de usuários e aumentam a visibilidade de verbetes. Por Fernanda Dias

22/11/2011 | Enviar | Imprimir | Comentários: 2 | A A A
Doodles, você pode até nunca ter ouvido falar deles, mas certamente já os viu. Assim são chamados os diferentes desenhos criados a partir da logomarca do Google e que aparecem, de vez em quando, na página inicial do buscador. O curioso é a visibilidade que essas figuras dão para determinado tipo de assunto. O tráfego de buscas para o verbete Albert Szent-György, cientista responsável pela descoberta da vitamina C, por exemplo, cresceu significativamente após ele ser homenageado com um doodle.
Em agosto deste ano, o nome foi procurado na Wikipédia 2.996 vezes em agosto. No mês seguinte, quando houve a divulgação pelo Google, foram 4.222.122 acessos ao termo. Em outubro, houve uma queda, mas a procura ainda foi bem maior do que antes de Albert Szent-György ser homenageado: foram 12.391 pesquisas.
Os desenhos que nos surpreendem são criados por apenas quatro desenhistas oficiais, chamados de doodlers. Até hoje, a equipe já criou mais de 300 modelos para o site www.google.com, nos Estados Unidos, e mais de 700 para outros países do mundo. A maioria deles aparece apenas em páginas locais, celebrando festas, feriados, artistas e cientistas nacionais.
Diariamente, um grupo de funcionários – que é composto por mais duas pessoas, sendo seis no total – se reúne para decidir que eventos e feriados terão doodles. Segundo o próprio site da corporação, o processo de seleção é “feito para que eventos e aniversários interessantes – e que reflitam o amor por inovação e a personalidade do Google – sejam celebrados. No texto, a empresa reconhece que a lista de doodles não é exaustiva, mas ressalta que “tenta selecionar os doodles mais criativos e inovadores”.
Alguns são mais sofisticados e chegam a ter animação, como o que homenageou o criador e manipulador dos bonecos Muppets, Jim Henson, que completaria 75 anos. O logotipo, exibido no fim de setembro, tinha seis bonecos criados por Henson e permitia que o usuário manipulasse cada um deles. Outros, como o feito para o cantor Freddie Mercury, lendário vocalista do Queen, trazia até música: uma versão animada da canção “Don’t Stop me Now”. Tudo para celebrar a data em que ele estaria completando 65 anos, no início de setembro deste ano.
O tempo de produção de um doodle pode variar de horas a semanas, como foi o caso da famosa guitarra que apareceu em junho e que permitia que os usuários criassem melodias. A arte foi uma homenagem ao guitarrista Les Paul, no aniversário de 96 anos de seu nascimento. Os meses de trabalho foram recompensados por quando veio à tona um dos doodles mais bem sucedidos.
Entre setembro e dezembro do ano passado, o Google abriu um concurso no Brasil para que estudantes de 6 a 15 anos criassem doodles. O eleito o melhor seria exibido nacionalmente durante um dia no lugar da logomarca do buscador. Foram escolhidos 36 semifinalistas da competição. A aluna Maria Luiza Carneiro de Faria, do Colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro, venceu o concurso e seu doodle vencedor foi exibido no dia 16 de fevereiro deste ano na página inicial do Google Brasil. A competição, chamada de “Doodle 4 Google”, foi inspirada nas edições de outros países em que o concurso já existia.
O conceito de doodle surgiu em 1999 quando Larry e Sergey, os fundadores do buscador, brincaram com o logotipo para marcar a sua presença no festival Burning Man, no deserto de Nevada. Um desenho de uma pessoa foi colocado atrás da segunda letra “o” da palavra Google com o intuito de dizer aos usuários que os fundadores haviam “saído do escritório”. Um ano depois, surgiu o segundo doodle, para homenagear o Dia da Queda da Bastilha. Daí para se tornar um acontecimento regular na homepage do site foi um pulo. O termo doodle, aliás, além da clara semelhança com o buscador, pode ser traduzido como rabisco, arte feita durante um momento de ócio. Mas, para a equipe do Google, criar os desenhos é coisa séria.
Se percebem algum erro, os exigentes internautas também são críticos. Em 2003, foi criado um doodle para comemorar o aniversário de 50 anos do descobrimento do DNA, mas os nucleotídeos em dupla hélice foram elaborados de forma incorreta. O grupo recebeu várias queixas pelo erro, que foram corrigidas no mesmo dia.
O fascínio dos usuários já é tão grande, que além de salvar no computador e colecionar os diferentes estilos da logo, alguns blogueiros já fizeram até seleções dos “30 melhores doodles”, dos “doodles mais divertidos”, dos “doodles mais animados”. Isso nas versões em português, fora os internautas de outras nacionalidades. Para conferir as listas, basta fazer uma busca. Vai que você se depara com um doodle novo…
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