Monday, October 3, 2011

O quadrinista Peter Kuper conhecido por seus quadrinhos sem texto ou diálogos



Autor de "O Sistema", é uma das atrações da Rio Comicon, que começa no dia 20

02/10/2011 - 15h04 - Atualizado em 02/10/2011 - 15h04
A Gazeta
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foto: Divulgação
Peter Kuper, ilustrador norte-americano
Peter Kuper, ilustrador norte-americano, cria "Spy Vs. Spy" (foto abaixo) há 16 anos para a revista "Mad"
Télio Navega
O americano Peter Kuper é um sujeito de poucas palavras. Praticamente nenhuma. Conhecido por seus quadrinhos sem texto ou diálogos, ele é, ao lado de Chris Claremont, Liniers, Paul Pope, Ulli Lust, Salvador Sanz e Junko Mizuno, um dos principais convidados da segunda edição da Rio Comicon, feira de quadrinhos que homenageará o falecido Guido Crepax, criador de Valentina, e acontecerá de 20 a 23 de outubro.

Kuper é autor da HQ "O Sistema", publicada no Brasil em 1998, e que narra o cotidiano em uma grande cidade, com suas centenas de personagens anônimos. Cada um deles com seu respectivo problema, social, econômico, sexual e racial. Porém, o artista americano é mais conhecido por seu trabalho na popular série "Spy Vs Spy", da revista "Mad", que ele produz desde 1995. "Eu tinha terminado um livro inteiramente sem palavras chamado ?O Sistema? e estava fazendo uma tira chamada ?Eye of the Beholder?, também sem uma palavra sequer. Por alguma razão, a revista ?Mad? pensou que isto me qualificava para assumir a série ?Spy Vs Spy?, vai entender", conta Kuper à reportagem, com bom humor. 


"Fiz um teste com estêncil, e achei que seria rejeitado. Quando disseram que o trabalho era meu, imaginei que seria por um ano ou dois. Mas já se passaram 16! O impacto desse trabalho foi tão grande que é uma das razões de eu ter feito tanto quadrinho sem palavras em minha carreira."

Criada em 1961 pelo cubano Antonio Prohías (1921-1998), a série "Spy Vs Spy" mostra dois espiões, um preto e um branco, em constante e violento conflito. O objetivo, sempre, é destruir o outro. Ora vence o preto, ora o branco. Mas quem, afinal, começou a batalha? "Eu acredito que tenha sido o Espião Negro... não, espere, foi o Branco, que no fim explode, ou talvez tenha sido baleado. Para mim, tudo vai e volta. Na verdade, foi o Espião Negro, que foi esfaqueado, ou levou um tiro, ou explodiu no final. Eu acho."

foto: Divulgação
Personagens Spy vs Spy, da revista Mad
Personagens Spy vs Spy, da revista Mad
Linguagem
Para Kuper, a escolha de narrar, em quadrinhos, histórias sem texto é uma busca por uma linguagem universal. "Eu posso contar uma história e mostrá-la a qualquer pessoa no mundo, sem tradução", explica o autor, que mantém, em paralelo, um trabalho de designer para publicações como "Time", "Newsweek" e "New York Times". "Também amo a ideia de remover aspectos tradicionais dos quadrinhos (como os balões) de uma forma que as pessoas que não os leem acabam aceitando melhor as HQs, e talvez até reavaliem seus preconceitos com o gênero."

Quando não faz livros sem palavras, Kuper adapta para os quadrinhos clássicos da literatura, como o romance "The Jungle", de Upton Sinclair, ou o clássico "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll. No Brasil, saíram duas versões de Kuper para obras do consagrado autor tcheco Kafka. Os dois livros em questão, "A Metamorfose" e "Desista! E outras histórias de Franz Kafka", ambos publicados pela Conrad, foram, segundo ele, extremamente fáceis de produzir, pois as palavras do escritor sugerem todo tipo de formas não usuais de se contar uma história. 

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