Tuesday, October 25, 2011


Mangakás e algo mais

Um debate dedicado aos mangakás (artistas de quadrinhos japoneses) onde as duas convidadas são do sexo feminino. A conclusão é óbvia: "No caso do Brasil, basicamente as mulheres comandam no mundo do mangá", afirma Erica Awano, uma das quadrinistas brasileiras mais bem sucedidas no mercado norte-americano. Ao lado de Junko Mizuno, expoente da cultura pop japonesa que expõe seu trabalho no salão doRio Comicon 2011, elas contaram um pouco das próprias trajetórias e de como é fazer carreira de desenhista. No caso, tanto Awano quanto Mizuno não se consideram exclusivamente mangakás.
Vários fãs na platéia compareceram para prestigiar a fala da desenhista de Holy Avenger, série de mangá brasileiro de grande sucesso criada pelos roteiristas Marcelo Cassaro e Rogério Saladino e vencedor do Troféu HQ Mix de 2001 e 2002. Erica Awano fez questão de ressaltar, porém, que se considera antes de tudo uma quadrinista. Para ela, seria um desperdício ter tantas opções de narrativa em quadrinhos - citando os comics norte-americanos e as bande dessinées francesas - e se restringir somente aos mangás. Isso porque, para Awano, não é somente o traço que diferencia essas abordagens, mas o próprio jeito como se contam as histórias. Seu último trabalho, uma adaptação de Alice nos País nas Maravilhasroteirizada por Leah Moore, por exemplo, recebeu elogios da crítica norte-americana, geralmente mordaz em relação ao estilo japonês. "Diziam que a linguagem mangá não havia comprometido a qualidade do trabalho. Eles não entenderam que isso se deu porque Alice tinha uma narrativa de comics, não de mangá, apesar do traço", explica Awano.
Junko Mizuno, por sua vez, transita por uma miríade de universos adjacentes aos quadrinhos, como a toy art, a moda, o design de objetos e, sobretudo, as artes plásticas. Além do papel dos livros, um dos principais meios de divulgação de seus trabalhos é a exposição em galerias de arte, conta a desenhista japonesa. Totalmente autodidata, Mizuno produz imagens ao mesmo tempo fofas e violentas, causando um estranhamento difícil de classificar. "Meu trabalho é todo meu próprio mundo de fantasia, um sonho em vigília. Eu não penso na audiência, faço tudo para mim mesma", responde ela ao ser questionada sobre para qual faixa etária produz. Fissurada na cute culture à la Hello Kitty na infância, quando tinha em média 13 anos Mizuno começou a ser influenciada por pin-ups e arte erótica em geral. Se tornou então fã de Guido Crepax, desenhista italiano homenageado no Rio Comicon deste ano. Integrar a programação do evento, foi algo que ela fez questão de valorizar. Muito tímida, às vezes chega a passar duas semanas sem trocar palavra com outra pessoa, revelou. Por isso gosta muito de comparecer às convenções de quadrinhos.
Como mensagem final, as duas concordaram em avisar aos pretendentes a quadrinistas na platéia: tenha bem claro se você quer desenhar profissionalmente ou só por lazer, pois seja homem ou mulher, mangaká ou não, o caminho não é facil. (Por Felipe Pontes)

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