Saturday, October 8, 2011


“Guerra” no curso de História da UFMS põe em risco 4 mil livros raros

 
Marcio Breda
 
Professor Mauro Benevides: Disputa entre professores e reitoria só acaba com nova eleição. Foto: Marcio Breda
Uma disputa de três anos, que divide professores do curso de Licenciatura em História da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e envolve também a reitoria da entidade coloca em risco um acervo de 4 mil livros e publicações de imprensa raros que fazem parte do Departamento recém criado.
Os livros, que eram parte do acervo pessoal da professora doutora Nanci Leonzo, foram adquiridos pela UFMS e se tornaram a bandeira principal de uma guerra, cujo enredo envolve diferenças políticas e profissionais e utiliza como armas uma série de ações na Justiça.
As diferenças no curso de História começaram durante a eleição para a reitoria da UFMS. O então pró-reitor de Ensino e Graduação, Mauro Cezar Benevides, concorria com a atual reitora, Célia Maria da Silva Oliveira. A disputa polarizou o curso e paralisou uma série de projetos, como a criação de um Departamento de História e de um centro de estudos com biblioteca para atender os alunos.
Desde então as diferenças só aumentam, com diversas ações na Justiça entre os próprios professores, acusações de agressão registradas em delegacias e três tentativas de exoneração por parte da reitoria, que foi revertida pela Justiça Federal.
“Só saio morto do curso de História. Só me tiram de lá carregado. Minha vida está lá”, garantiu o professor doutor Mauro Benevides, que esta tarde protocolou uma carta aberta no Ministério Público Federal acusando a reitoria da UFMS de falhar na proteção do acervo do curso. Benevides foi um dos três professores exonerados pela reitoria que conseguiram ser readmitidos após decisão judicial.
Enquanto Benevides alega proteção do acervo da universidade, outros professores do curso acusam o docente de tratar o departamento como sua casa, impedindo que uma nova diretoria de curso assumisse e trancado com cadeados as salas destinadas a administração e biblioteca do curso.
Uma trégua parece longe. “Não há como reverter isso, só com uma nova eleição. As disputas vão além dos livros e envolvem diferenças muito profundas. Não há mais como mudar”, evidencia Benevides.
As disputas deixaram o curso de História praticamente sem coordenação e com metade das aulas perdidas pela falta de professores durante seis meses em 2010. A falta de aulas e professores comprometeu notas e desmotivou graduandos e calouros.
A reportagem do Campo Grande News tentou entrar em contato com outros professores do curso, mas não foram localizados.
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