Wednesday, October 5, 2011

Descubra onde ir com cinco quadrinistas que, a nosso convite, desenharam o ‘seu lugar’ na cidade


Esqueça Gotham City. São Paulo é a protagonista. Descubra onde ir com cinco quadrinistas que, a nosso convite, desenharam o ‘seu lugar’ na cidade
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Caetano Veloso exaltou a poesia concreta das esquinas de São Paulo. Mário de Andrade viu com desconfiança sua desvairada modernização. Depois de muito refrão e narrativa, a cidade ganha também ilustração, com Fábio Moon e Gabriel Bá, que situaram parte de ‘Daytripper’ (fotos), um dos mais premiados quadrinhos brasileiros da história, em São Paulo. A obra dos gêmeos serviu de inspiração para o que você verá nos PDFs abaixos: cinco roteiros criados por quadrinistas que ilustram seus pontos preferidos na cidade. Lançado em 2010 no exterior, quando chegou ao topo da lista de mais vendidos do ‘New York Times’ e levou um Eisner (principal prêmio da indústria americana), o álbum chega ao Brasil a tempo de nossa principal premiação, a HQ Mix. A entrega dos troféus será feita hoje, 19h30, no Sesc Pompeia. E Moon e Bá recebem o de Destaque Internacional. Ramon Vitral
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Clique nas imagens abaixo para abrir as imagens das capas e os PDFs das páginas internas e leia, em seguida, entrevista com Fábio Moon.
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EISNER | Os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon colecionam Eisners, o ‘Oscar dos quadrinhos’
‘São Paulo dá tempero à história’
Acredite: quanto menos você souber sobre a trama de ‘Daytripper’ (R$ 62, Panini Comics), melhor. Em linhas gerais, narra diferentes momentos da vida de Brás (assim como o bairro de São Paulo), um jornalista escritor de obituários. Publicada dentro do respeitado selo Vertigo da editora DC Comics – o mesmo de obras aclamadas como ‘Sandman’, de Neil Gaiman -, ‘Daytripper’ alcançou em fevereiro o topo da lista de quadrinhos mais vendidos do jornal New York Times. No final de julho, outra boa notícia: a obra ganhou um prêmio Eisner (na catergoria de  melhor minisérie de 2010), o segundo da dupla -em 2009 eles já tinham levado o Eisner de publicação independente pela edição única ‘5’. Às vésperas do lançamento da edição nacional, Fábio Moon conversou com o Divirta-se sobre o processo de adaptação da obra para o português e a expectativa para a recepção do quadrinho pelo público brasileiro.
‘Daytripper’ chega por aqui quase um ano após ter sido publicada nos Estados Unidos. Qual a sensação de ver o quadrinhos ser finalmente lançados em português?
É uma outra sensação ver o livro em português. Agora me parece muito mais natural.
Vocês participaram do processo de tradução?
A gente pensou ‘Daytripper’ em inglês. Escrevemos em inglês e quando a Panini (editora da edição brasileira) começou a trabalhar na versão brasileira sugerimos que eles arrumassem um tradutor, nós não teríamos tempo de traduzir. Aí nós supervisionamos o processo para termos a certeza que a revista soaria da mesma forma se tivéssemos criado direto em português.
O Batman tem Gotham City, o Super-Homem vive em Metrópolis e o Homem-Aranha em Nova York. É grande o vínculo entre alguns personagens de quadrinhos e suas cidades. Qual a importância de São Paulo para vocês?
Uma das coisas que a gente primeiro percebeu, logo quando tivemos a certeza que queriamos fazer histórias em quadrinhos, é que era legal reconhecer que as histórias do Laerte se passavam em São Paulo. Identificar as árvores, postes e calçadas quebradas. Isso era algo muito típico da Vila Madalena e de Pinheiros que a gente identificava nas histórias do Laerte. E como sempre moramos na Vila Madalana passamos a reconhecer os lugares. Podia se passar na esquina, ao lado da minha casa! Era legal ter essa sensação e estamos tentando criar essa mesma sensação em outras pessoas.
O quadrinho foi publicado primeiro nos Estados Unidos. Vocês nunca temeram que essa ambientação fora do território norte-americano poderia causar um estranhamento nos leitores de lá?
Não. A cidade dá um tempero à história e pode até criar um interesse maior para quem nunca esteve aqui: visita pela primeira vez seguindo o personagem.E para quem vive em São Paulo é um atrativo a mais, a história sempre foi planejada para se passar aqui. Mas não é determinante. São Paulo é o pano de fundo e não a protagonista.
Vocês chegaram ao primeiro lugar da lista de quadrinhos mais vendidos do New York Times e ganharam os principais prêmios da indústria de HQs dos Estados Unidos. Qual é a expectativa pro lançamento no Brasil? Bate um frio na barriga?
Estamos ansiosos pois tem muita importância o gibi sair no Brasil e as pessoas daqui lerem. Quero que elaas leiam rápido, pra ver o que acham e ‘Daytripper’ tenha uma nova vida, agora aqui. Mas tentamos não criar nenhuma grande expectativa. Os mercados são diferentes. Pode ser que dê mais certo lá do que aqui. O sucesso que fez lá não é garantia de sucesso nacional. Mas acredito que as pessoas vão gostar. O livro carrega todo esse amor que temos por ler histórias em quadrinhos no Brasil e acredito que isso vai transparecer quando as pessoas tiverem os livros em mãos.
Vocês são brasileiros, nasceram em São Paulo e levaram o HQ Mix de Destaque Internacional. A princípio, esse seria um fato inesperado.
Estamos trabalhando mais pra fora do País do que no Brasil. Exatamente por isso é semelhante a um prêmio de consolação. Ao mesmo tempo, ele inspira o mercado nacional. Inspira as pessoas que trabalham aqui a tentar chamar atenção lá fora. É muito legal. Pode fazer as pessoas terem vontade de querer fazer mais.

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