Friday, September 2, 2011



Socialistas franceses precisam se modernizar para as eleições

Partido Socialista da França se destaca como o mais retrógrado da Europa

2/09/2011 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A
A esquerda europeia está em declínio. Entre os países grandes, partidos socialistas estão no poder apenas na Espanha, onde parece provável que eles não sejam eleitos na eleição de novembro. O único país grande em que a esquerda tem a chance de voltar ao poder é a França, na eleição em abril do ano que vem. Ainda assim, o Partido Socialista francês se destaca como o mais retrógrado da Europa. Por isso, espera-se um espetáculo de contorcionismo de um partido que está se preparando para o poder, num momento em que os mercados estão questionando completamente a sua própria ortodoxia.
Para uma pista sobre o pensamento socialista francês, considere os recentes comentários de alguns dos candidatos que disputarão votos numa primária em outubro. Ségolène Royal, que perdeu a eleição presidencial de 2007 para Nicolas Sarkozy, argumentou nessa semana que especulações sobre a dívida nacional deveriam ser banidas.
Denunciando a “anárquica globalização”, ele clamou pela imposição de valores humanos sobre as finanças, como um meio de “carregar a tocha de um grande país, a França, que legou ao mundo princípios revolucionários em termos de emancipação dos povos”.
Ségolène, acredite se puder, é considerada uma moderada. À sua esquerda, Arnaud Montebourg, uma figura extrovertida e jovem, que ergue a bandeira da “desglobalização”.
Perto de bobagens tão patentes, as promessas dos dois candidatos favoritos, Martine Aubry e François Hollande, parecem somente congeladas em algum momento de 1981. Eles querem reduzir a idade de aposentadoria para os 60 anos (esta acabou elevada para 62), e inventar 300.000 empregos públicos para a juventude. Mais impostos, não menos gastos, é o seu credo implícito.
As causas da esquerda francesa são várias, mas uma especialmente potente é o domínio longevo do pensamento marxista. Nos anos 50, muitos intelectuais, incluindo Jean-Paul Sartre, agarraram-se a um idealismo pró-soviético até mesmo depois que as malvadezes de Stalin vieram a público. Outros flertaram com o trotskismo em meados da década de 70.
O problema com suas promessas é: para cada punhado de convicção, há uma parcela vergonhosa de pose. Na verdade, os socialistas franceses, com frequência, tiveram que exercer o poder de forma pragmática. Caso os socialistas se elejam em 2012, tomar-lhes-ia “talvez um mês, talvez uma semana” para confessar que “não há escolha senão manter o déficit sob controle”, diz uma bem posicionada figura do partido. Aposentadoria aos 60? Boa ideia, mas quel dommage, não se pode bancar isto.
Num momento em que os líderes estão praticando um pouco mais de coordenação econômica, com supervisão de orçamentos e até harmonização de impostos, uma vitória socialista colocaria a execução deste projeto em mãos incertas. Com Dominique Strauss-Khan fora do páreo, só há um candidato das primárias do partido socialista que entende tudo isso. Manuel Valls, deputado e prefeito com uma visão arejada da esquerda, diz que os socialistas não estão sendo diretos ao prometer a aposentadoria aos 60. É uma pena que o candidato de 49 anos seja considerado jovem demais para ser um candidato provável. O dia em que os “paleosocialistas” permitirem a ascensão de pessoas como ele, será o alvorecer de uma verdadeira revolução.
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