Saturday, September 10, 2011


Países ricos lutam para combater o desemprego

Reflexos da crise financeira do fim da última década se mostraram mais graves do que se imaginava

10/09/2011 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A
Um pouco de imaginação geográfica ajuda a retratar a dimensão da falta de empregos no Ocidente. Se as 44 milhões de pessoas que estão desempregadas nos países da OCDE vivessem em um único país, sua população seria semelhante à da Espanha. Na própria Espanha, que tem o maior número de desempregados do Ocidente (21%), o número de pessoas sem emprego é igual à população combinada de Madri e Barcelona. Nos Estados Unidos, as 14 milhões de pessoas oficialmente sem emprego formariam o quinto estado mais populoso do país. Some a isso 11 milhões de pessoas em “empregos informais” que atualmente trabalham menos do que gostariam, e você terá uma população igual a do Texas.
A paisagem não é totalmente desoladora. A Alemanha, por exemplo, tem uma taxa de desemprego menor que a registrada no período que antecedeu a crise financeira. Mas, na maior parte dos países ricos, a proporção de desempregados ainda é muito alta, embora menor que em 2009, e muitos destes correm o risco de voltar a um cenário de recessão. E o custo humano da crise econômica é pago, em sua maior parte, por aqueles que estão sem emprego, já que o desemprego aumenta os casos de depressão, divórcio, abuso de substâncias e tudo mais que pode dar errado na vida de uma pessoa.
Essa falta de empregos é um tanto perigosa. Uma porção desproporcional dos desempregados é composta por jovem, e o desemprego na juventude deixa cicatrizes mais profundas, em termos de salários futuros mais baixos e uma probabilidade maior de desemprego futuro. O desemprego atual também é mais crônico. Nos Estados Unidos, famosos por seu mercado de trabalho flexível, a média de tempo sem emprego, que em 2007 era de 17 semanas, agora é de 40 semanas. Na Itália, metade das pessoas sem trabalho está nessa condição há mais de um ano. O desemprego de longa data é mais difícil de ser revertido, já que as habilidades dos trabalhadores não se desenvolvem durante o período de inatividade. O desemprego reduz as taxas de crescimento, danificando as finanças públicas e limitando a ordem social nos anos seguintes.
Esse cenário não será resolvido rapidamente. Mesmo que o crescimento tenha uma aceleração, o desemprego permanecerá perigosamente alto por vários anos. Muitas soluções, como o treinamento de novos trabalhadores, levam tempo. Mas isso só mostra o quão pouco foi feito pelos políticos no mundo todo. Os Estados Unidos estão empacados em um debate estéril, com a esquerda afirmando que o governo não está gastando o suficiente, enquanto a direita insiste que o Estado está destruindo empregos. Os líderes ocidentais podem e devem fazer muito mais para combater o desemprego.
A prioridade imediata deveria ser um apoio da demanda, ou pelo menos, não atrapalhá-la. A esquerda tem razão em um ponto: a causa principal do alto desemprego atual é a severidade da última recessão e a fragilidade da recuperação subsequente. Ainda assim, as economias ocidentais embarcaram em políticas contraditórias. Em muitos casos a culpa é da política monetária: O Banco Central Europeu deveria reverter seus recentes aumentos de tarifas. Mas a principal culpada foi a mudança prematura e coletiva dos governos, rumo à austeridade fiscal.
Os políticos precisam negociar com os mercados de títulos, combinando políticas que promovam o crescimento com medidas que baixem os déficits a médio prazo. Um aumento da idade de aposentadoria criaria mais espaço para um estímulo do crescimento a curto prazo. Um primeiro teste do programa de empregos de Obama será descobrir se ele é grande o suficiente para conter os apertos fiscais, equivalentes a 2% do PIB, agendados para o ano que vem.
Para onde o dinheiro a curto prazo foi? Algumas formas de estímulo são melhores que outras para que os empregos sejam mantidos. Os subsídios alemães para redução da jornada de trabalho ajudou a dissuadir as empresas de sua decisão de demitir trabalhadores; já os subsídios de Obama para a tecnologia ecologicamente correta ajudaram a manter algumas poucas empresas cheias, mas não ajudaram na criação de novos empregos.
A prioridade do governo deve estar nas políticas que criem novos empregos. Gastos com infraestrutura, como a construção de estradas e a recuperação de escolas estão nessa categoria, assim como incentivos fiscais que diminuam os custos de contratação, especialmente para novos trabalhadores – por isso, faz sentido que os Estados Unidos estendam e expandam seus cortes de impostos sobre folhas de pagamentos. E fazendo isso, os EUA darão ajuda federal aos estados, já que o principal método estadual de cortar gastos é demitindo trabalhadores.
Tudo isso poderá diminuir a duração da busca por empregos, mas o Ocidente demorou muito para compreender a seriedade de seu problema, e muitos terão que pagar o preço por esse erro.


Fonte 2:  

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