Friday, September 9, 2011

MUSEU: Oficina de quadrinhos começa neste sábado



Tem início neste sábado, dia 16, a "Oficina de Histórias em Quadrinhos". O evento é uma realização da Prefeitura de Itatiba, por meio da Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo. A oficina, cuja as inscrições já estão encerradas, acontece aos sábados, das 14h às 17h, entre os dias 16 de abril e 25 de junho, no Museu Municipal 'Padre Lima'. O objetivo da oficina é explorar as técnicas de desenho, a linguagem dos quadrinhos e estimular o gosto pela criação, baseada na vida particular e visão de mundo individual, enquanto fortalece o senso crítico.
A coordenadora Yndiara Rosa Macedo norteará a oficina com palestras que objetivam explicar aos alunos/oficineiros como é a Linguagem nas HQs; a importância dos quadrinhos como forma de expressão e comunicação, inclusive investigando o questionamento "HQ é arte ou apenas produto de massa?"; mostrar a importância dos quadrinhos na formação do leitor e mesmo do falante de língua portuguesa e os cuidados necessários, dado o caráter coloquial/oral da linguagem dos quadrinhos. Tudo em uma linguagem acessível ao público alvo.
Nestor Lampros, que está com seu trabalho exposto no Museu na Mostra de Humor de Itatiba, vai ministrar a oficina. Poeta, professor, cartunista, quadrinista e artista plástico, Lampros já trabalhou como colunista, cartunista, chargista, caricaturista do jornal "O Atibaiense"; fez ilustrações para a Editora Ática, para a Revista Cult e para a Revista Circulô. É membro fundador da Academia Literária Atibaiense e autor de dois livros, sendo um deles em quadrinhos, comemorativo aos 100 anos de imigração Japonesa, feito para a Prefeitura de Atibaia. Foi premiado duas vezes pelo Mapa Cultural Paulista, e em outros concursos, por trabalhos literários e de artes visuais. Atualmente reside em Itatiba. Confira a seguir uma breve entrevista com Nestor Lampros.
Você consegue definir uma divisão entre o que é quadrinho e o que é pintura no seu trabalho?
O meu trabalho se caracteriza por uma linguagem que venho desenvolvendo há muitos anos no campo pictórico, preenchido por desenhos e não só abstrações. É uma volta à figuração. Assim, há elementos dos quadrinhos nos quadros, assim como tem elementos dos quadros nos quadrinhos. Uma coisa complementa a outra. Me vejo aliando as duas tendências no futuro. Roy Lichtenstein já fez isso em seu trabalho, que era Pop, mas de uma forma meio fria. Mas eu não gosto dessa linguagem meio fria, da técnica apenas. Meu trabalho tem a expressão que provem dos expressionistas como Siron Franco e da nova figuração, que me faz tornar à fonte figurativo. Mas tem pontos de contato entre um e outro sim.
O que é mais fácil, ser quadrinista ou ser pintor?
É mais fácil, talvez, fazer um quadro que pode ser vendido por R$ 5 mil. Uma história em quadrinhos às vezes tem 100 quadros, 200 quadros. A história em quadrinhos dá mais trabalho. Mas devo meu sustento à ela. A pintura é uma coisa fundamental para mim, mas até o momento não teve a repercussão que tiveram minhas histórias em quadrinhos.
Está trabalhando em alguma coisa no momento?
Estou fazendo a apostila da oficina utilizando a linguagem dos quadrinhos. Ficou muito interessante e gostei muito de fazer isso. Talvez no futuro possa vender esse trabalho para uma editora. Scott McCloud já fez isso nos Estados Unidos, mas na linguagem portuguesa e com características nossas é o primeiro. Saiu muito bem.
Quer dizer que você está falando dos quadrinhos utilizando a linguagem dos quadrinhos?
É a metalinguagem. É interessantíssimo e nunca se exaure. Estão se descobrindo coisas sobre os quadrinhos e novas coisas são inventadas. É um campo repleto de possibilidade.

Você concorda que os quadrinhos vêm ganhando uma certa notoriedade?
Sim. Se você for observar, até a década de 40, 50, os quadrinhos eram considerados coisas para pervertidos, garotos problemas, gente que não tinha o que fazer, subliteratura e etc. Agora os quadrinhos estão sendo colocados em seu devido lugar, como a nona arte. E o cinema se abastece muito dos quadrinhos. E os quadrinhos estão se alimentando do cinema também, é uma mão dupla. É interessante. Você alimenta os quadrinhos com tomadas, ângulos e outras características da linguagem cinematográfica.


E nesse contexto como entra o humor?
O humor é fundamental na vida das pessoas, principalmente nos quadrinhos. Sem humor a vida se torna muito árida. Rir de nós mesmos, é uma das maiores felicidades. Em vez de meter uma bala na cabeça, você dá risada daquilo e acabou, parte pra outra. Vejo este otimismo nos quadrinhos.


E de onde surgem as personagens?
Através de pessoas que conheci. O Angeli fala muito disso. A Rê Bordosa, por exemplo. Ele conheceu uma Rê Bordosa na vida dele pra colocar nos quadrinhos. Se os quadrinhos são daquele jeito que eu mostro é por que as pessoas têm suas particularidades e é bom ampliar isto para inserir nas histórias. Incorporo aquela pessoas, aquela personagem que me é interessante e coloco nas minhas histórias.


Para finalizar. Quais seus autores ou quadrinhos favoritos?
Eu nasci lendo Tin Tin, Asterix. Aprendi a ler esses quadrinhos em espanhol por que meu pai é Uruguaio e quadrinista também, o Lucas Lampros. Devo muito ao meu pai, às histórias dele, ao exemplo de vida dele. Devo muito ao Tin Tin, Asterix, Turma da Mônica. Gosto muito atualmente do Art Spiegelman que fez o Maus. Aquilo é bárbaro. A ficção científica sem Moebius é como um corpo sem cabeça. Li muito também Pato Donald, Mickey. Teve até um chileno que fez um livro contra esses personagens. Li, aceitei algumas coisas, mas continuo gostando do estilo. E tem também um quadrinista que eu não posso deixar de citar, que a gente vai fazer uma homenagem a ele aqui, que é o Glauco. Ele foi um grande cartunista. Gosto muito do Angeli e do Laerte entre os nacionais. O Fernando Gonsales. Mas o melhor de todos, pela poesia, pela força e pela sutileza é Bill Watterson do Calvin. Aquilo é maravilhoso. Aquela coisa do boneco inanimado na presença de adultos que vira um tigre longe deles é maravilhosa. É o mundo infantil. Minduim, a Turma do Charlie Brown. Mafalda também. Você repara que todos falam sobre o mundo infantil, mas não infantilizando-o. Você pode olhar aquilo de uma visão adulta e crítica. Você pode mostrar para uma criança ela vai achar uma coisa, um adulto vai achar outra. Tem várias possibilidades de leitura. É uma polissemia muito grande. Quanto mais sentido você dá para uma obra de arte, ao quadrinho, ao quadro, ao teatro, à música, mais rico se torna o mundo e melhor você se torna também.


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