Monday, September 12, 2011


imprensa ilustrada

A pena contra a espada

Publicado em 11 de setembro de 2011 

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Ainda que tenha ajudado a criar as HQs, Angelo Agostini pôs sua arte a serviço dos debates políticos do País 
ILUSTRAÇÕES: EDITORA UNICAMP/ DIVULGAÇÃO
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Italiano radicado no Brasil, Angelo Agostini (1843 - 1910) foi um expoente de um gênero da imprensa brasileira que perdeu fôlego no século XX
A fotografia, vista num primeiro instante como ameaça à pintura, acabou por atingir outros alvos e comprometer a continuidades de outras tradições. É o caso da imprensa ilustrada. Até as duas primeiras décadas do século XX, era comum encontrar no Brasil jornais em que desenhos, charges e, por vezes, histórias em quadrinhos desempenhavam papel central. O texto, nestes casos, ou era trampolim, ou era muleta, um adereço para garantir o equilíbrio da atração principal.

E equilíbrio era necessário pois a tal protagonista tinha o espírito inquieto, a personalidade indefinida entre a ironia e o sarcasmo e a persistente mania de rir, da política, dos costumes, das classes sociais e (daqueles que se achavam) grandes homens. No século XIX, os jornais ainda estavam distantes da profissionalização e da especialização característica de nossos dias. Ao invés de notícias e reportagens, textos de forte carga opinativa eram a regra.

No instável cenário político do Brasil (que, em um século, foi da colônia à república, passando por uma independência e uma monarquia própria), multiplicavam-se periódicos que explicitavam as posições políticas das elites, ora tratando de lutas específicas (como o abolicionismo), ora fazendo uma crítica sistemática aos mandos da coroa ou da república.

Agostini
Nascido na Itália, Angelo Agostini (1843 - 1910) foi o grande expoente deste gênero da imprensa no Brasil. O italiano não foi o primeiro (nem é certo que tenha sido o melhor) artista do período, contudo foi aquele que melhor se valeu dos meios que dispunha. Agostini foi um criador plural. O traço com referências acadêmicas conferiam detalhes quase fotográficos às suas ilustrações. Foi um brilhante - e ácido - chargista, famoso por retratar o ocaso de Dom Pedro II; e criou algumas das primeiras histórias em quadrinhos do Brasil, ainda na década de 1860, quando o gênero sequer havia sido nomeado. Seu pioneirismo na área foi reconhecido pelo Associação de Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo, que batizou com o nome do artista sua premiação anual, uma das principais do segmento no País.

Agostini ficou conhecido, sobretudo, por levar adiante a Revista Ilustrada, um marco no gênero, editado, redigido e ilustrado pelo artista. Nas páginas da revista, contribuições do ilustrador a debates políticos da época, caso da campanha abolicionista da qual era um entusiasta e militante. Não a toa, Agostini não deixou passar em brancas nuvens a greve de pescadores cearenses que, em 1881, paralisou o transporte marítimo de escravos para a província do Ceará. Pela do italiano, o pescador Dragão do Mar ganhou sua imagem mais famosa.

De olho na história
Poeta do Lápis - Sátira e política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial (1864-1888), de Marcelo Balaban. Editora Unicamp, 2009, 472 páginas, R$ 45

Angelo Agostini -

A Imprensa Ilustrada da Corte à

Capital Federal, 1864-1910, de Gilberto Maringoni. Devir, 2011, 256 páginas,

R$ 39,50

Memórias d´O Tico-Tico, de J. Carlos. Edições do Senado Federal, 2009, 123 páginas, R$ 40

Jango e o Golpe

de 1964 na Caricatura, de Rodrigo Patto Sá Motta. Zahar, 2006, 192 páginas, R$ 42

Nássara - o perfeito fazedor de artes, de Isabel Lustosa. Relume Dumará, 1999, 136 páginas, R$ 26

Nássara Passado a Limpo, de Carlos Didier. José Olympio, 2011, 252 páginas, R$ 35

Uma história

do Brasil através da caricatura, de Renato Lemos. Bom Texto, 2001, 165

páginas, R$ 98

Sentidos do Humor, trapaças da razão, a charge, de L. G. Sodré Teixeira. Casa de Rui Barbosa, 2005, 128 páginas, R$ 16

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