Sunday, September 4, 2011

Brasília é a segunda cidade que mais cresce no País




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Bruna Sensêve
bruna.senseve@jornaldebrasilia.com.br
Brasília tem a segunda taxa de crescimento mais alta entre os grandes municípios brasileiros, ultrapassando Fortaleza e Belo Horizonte em número de habitantes, no Censo de 2010. A expectativa é que, em 2020, a cidade possa contar com mais de três milhões de moradores. De acordo com os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento populacional ainda se deve ao grande fluxo migratório de pessoas de vários pontos do País para a capital federal. A dúvida que paira na cabeça dos que já moram aqui é: será que a estrutura da cidade dará conta desse aumento?


Para o especialista Aldo Paviani, professor de Geografia da Universidade de Brasília, o crescimento vegetativo da cidade também é bastante significativo e já seria um dos grandes fatores para a alta taxa de crescimento. Ele calcula que, a cada ano, Brasília teria um acréscimo médio de 50 mil moradores, sendo que 30 mil deles nascidos de mães residentes no DF.


 “É uma cidade nova a cada ano. Isso seria algo a se modificar. A cidade não tem recursos para crescer exponencialmente.” A solução apontada pelo geógrafo urbano seria o desenvolvimento de polos regionais a uma distância média de cem quilômetros do DF. O objetivo seria atrair os novos moradores para a Região Metropolitana do Distrito Federal, que já sofre um inchaço e carência de equipamentos públicos. “Os polos regionais poderiam reter a população e iniciar um processo de descentralização, com oferta de emprego, boas escolas, bons hospitais. Tudo isso, claro, necessita de grande investimento público.”

Formada em Relações Internacionais, Pablinne Stival Marques Gallert, 27 anos, chegou a Brasília no início deste ano. Ela e o marido decidiram mudar porque acreditam que a cidade é atrativa para o mercado de trabalho. Vinda de São Paulo, Pablinne conta que, para conseguir um emprego na capital federal, aguardou metade do período que buscou em São Paulo. “Sou natural de Goiás e, devido à minha profissão, preciso mudar constantemente de cidade. No entanto, se conseguir a estabilidade de uma vaga na carreira pública, pretendo considerar ficar em Brasília.”


De acordo com o pesquisador do IBGE Gabriel Borges, a capital apresenta  baixa taxa de fecundidade e de mortalidade, mas a migração ainda tem um saldo positivo significante, ou seja, o número de pessoas que chega a Brasília é maior que o de pessoas que deixam a cidade. “A situação é histórica e acontece desde a criação da capital, que, até hoje, é uma região de atração migratória.” A taxa de crescimento é maior que a de Salvador, capital que ocupa posição acima no ranking dos grandes municípios mais populosos, com 2.675.656 habitantes.

Em parceira com a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), o IBGE realizou um estudo, ainda sem considerar os dados do Censo 2010, que projeta o número de habitantes no DF, considerando taxas de fecundidade, mortalidade e migração. A pesquisa chegou muito perto do número divulgado pelo Censo, com uma diferença de cerca de 80 mil habitantes. Isso significa que as chances de a cidade alcançar os três milhões de moradores já em 2020 são muito altas, de acordo com as projeções realizadas.


Segundo a professora da UnB Ana Maria Nogales, a diferença de Brasília para as outras cidades é que em Belo Horizonte ou Fortaleza o município central não cresce mais, pois não tem espaço para isso. Por outro lado, as cidades ao redor tendem a se desenvolver, recebendo o volume populacional que o município principal já não consegue absorver. “São Paulo tem um crescimento muito elevado ainda, mas Brasília, nas minhas estimativas, deverá receber cerca de mais 500 mil habitantes na próxima década.”


Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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