Tuesday, August 9, 2011

A mídia diante da diversidade



Publicado por admin - Sunday, 7 August 2011
COMUNICAÇÃO
Pluralidade e pensamento crítico foram discutidos em congresso mundial sobre comunicação realizado em São Paulo, que destacou a necessidade de políticas públicas estratégicas para as comunicações ibero-americanas
SYLVIA MIGUEL
Mobilizada pela primeira vez em âmbito mundial em torno de questões estratégicas, a comunidade acadêmica reunida durante o 1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana (Confibercom) 2011 discutiu, entre outras políticas de pesquisa, a implantação de uma pós-graduação de caráter cooperativo no espaço ibero-americano. Nessa iniciativa, a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP deverá ocupar lugar de destaque, segundo a professora Margarida Maria Krohling Kunsch, docente da ECA, diretora da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom) e coordenadora geral do Confibercom 2011.
O evento organizado pela Socicom e pela Confederação Ibero-americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Confibercom) foi realizado pela ECA no momento em que a escola comemora 45 anos. As exposições ocuparam o auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e os auditórios e salas de aulas da ECA. Um livro comemorativo da trajetória acadêmica da ECA foi lançado na ocasião (leia texto ao lado).
O congresso, ocorrido nos dias 1º e 2 de agosto, integrou uma multiplicidade de eventos paralelos. Na programação pré-congresso, realizada no Itaú Cultural, nos dias 29 e 30 de julho, os debates do 4º Seminário Internacional Latino-americano de Pesquisa da Comunicação foram promovidos pela Asociación Latinoamericana de Investigadores de La Comunicación (Alaic). A Universidade Paulista (Unip) sediou as conferências do 6º Encontro Lusófono de Ciências da Comunicação, programa do pós-congresso ocorrido entre 4 e 6 de agosto, sob coordenação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e da Unip.
O 1o Confibercom: em busca da formação e consolidação de um pensamento ibero-americano em comunicação
Nos dias 3 e 4, a Eca sediou fóruns e simpósios diversos: o 1º Fórum Ibero-americano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação, o Simpósio de Cooperação Internacional no Espaço Ibero-Americano, o Simpósio de Integração das Enciclopédias e Redes de Comunicação da Ibero-américa, o 1º Fórum Ibero-americano de Pós-Graduação em Comunicação e também o 1º Fórum da Rede Confibercom de Revistas de Ciências da Comunicação.
Universalidade – O tema central proposto para a 1ª Confibercom 2011, “Sistemas de comunicação em tempo de diversidade cultural”, foi abordado em dois painéis por pesquisadores da Argentina, Bolívia, Espanha, Portugal e Brasil. México, Cuba, Equador, Venezuela, Colômbia e outros países também estiveram representados, através da presença de mais de 500 pesquisadores.
“Precisamos criar um espaço ibero-americano para nos entendermos em espanhol e em português e, ao mesmo tempo, para nos fazermos presentes como comunidade mais ampla no mundo globalizado”, afirma o Professor Emérito da ECA José Marques de Melo, presidente da Socicom e da Confibercom.
Marques de Melo acredita que o pesquisador latino-americano precisa fortalecer sua autoestima intelectual e superar o “complexo do colonizado” decorrente da unipolaridade geocultural reinante no espaço acadêmico da comunicação e no setor das comunicações dos países ibero-americanos.
“Os pesquisadores se comportam como se fossem ingleses ou americanos e não verificam que a comunicação não é algo que possa ser transplantado de uma realidade para outra. Precisamos produzir conhecimento consistente com as necessidades da nossa população. Ao mesmo tempo, não podemos criar um gueto sem considerar o que ocorre na comunidade acadêmica mundial”, garante Marques de Melo.
O desafio da língua acarreta outras questões cruciais para as pesquisas em comunicação, na visão de Marques de Melo. O professor defende que pesquisadores da área escrevam em sua língua materna, mantendo a identidade cultural, sem, no entanto, perder de vista a universalidade.
“Nem todos os pesquisadores possuem interfaces internacionais. Se nos comportarmos conforme o modelo anglo-americano, vamos acabar com nossas identidades culturais. Ao mesmo tempo, a comunidade acadêmica precisa procurar sua identidade cultural sem perder de vista a universalidade”, acredita ele.
O papel da USP nesse cenário é o de “fazer o que sempre tem feito desde o começo”, ressalta Marques de Melo. “Manter-se uma universidade com sentimento universal, mas muito enraizada nos problemas brasileiros e paulistas. Não podemos desprezar a cultura nacional e regional, e sucumbir ao internacionalismo anglófono”, alerta ele.
O professor José Marques de Melo: pesquisadores latino-americanos precisam fortalecer autoestima e superar "complexto do colonizado"
Visibilidade – A pouca visibilidade da produção acadêmica ibero-americana em comunicação foi um dos fatores que impulsionaram a realização do megaencontro, segundo a professora Margarida Kunsch. “A proposta de o congresso ser aberto exclusivamente a pesquisadores, pós-graduandos e professores está ligada ao fato de que a partir daqui sairão proposições políticas de caráter estratégico para a formulação de políticas públicas para a pesquisa em comunicação e o setor de comunicações dos países ibero-americanos”, afirma a professora da ECA.
As iniciativas que buscam a visibilidade da produção acadêmica ibero-americana em comunicação, iniciadas em 2007, foram concretizadas em 2009 com a criação da Socicom, segundo Margarida. O tema do congresso e sua agenda foram propostos por representantes das entidades acadêmicas de comunicação, diz.

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