Tuesday, August 9, 2011

Literatura: a história da Batalha do Jenipapo contada em quadrinhos



quarta, 16 de junho de 2010 • 12:01

Fotos/Arquivo pessoal/Bernardo Aurélio
Bernardo Aurélio, nascido a 27 de Setembro de 1982, Presidente do "Núcleo em Quadrinhos do Piauí", que realiza há mais de 10 anos a “Feira HQ”, considerado um dos maiores eventos de quadrinhos do Estado. Formado em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, com especialização em Artes Visuais pela UFPI (Universidade Federal do Piauí). Recentemente o autor lançou seu livro em quadrinhos “Foices e Facões – A batalha do Jenipapo” um dos primeiros a registrar a história Piauiense em quadrinhos. 

A Batalha do Jenipapo foi uma resposta que o Povo Piauiense deu a Coroa Portuguesa, no dia 13 de Março de 1823 na cidade de Campo Maior como forma de reagir, e acelerar o processo de independência do Brasil. Foi uma das guerras mais sangrentas entre colonizados e colonizadores. Uma história de luta pela libertação de um povo e em favor da unidade nacional diante das ameaças que dividiam o país. 

O livro de Bernardo Aurélio retrata tudo isso simplificando a compreensão dos leitores e principalmente dos jovens que ainda não estão sintonizados com a leitura. Segundo o site Wikipédia, no século XIX, o livro Max und Moritz (1865), do escritor e desenhista alemão Wilhelm Busch que é precursor dos quadrinhos, como o mesmo têm cada ação ricamente ilustrada, tornado o texto mais agradável ao público infantil. Porém, a primeira obra com as histórias em quadrinhos conhecidas hoje em dia foi um livro de Rodolphe Töpffer. Detalhes na versão em inglês. 

Sobre o livro 

O livro “Foices e Facões” tem trechos bem codificados sobre o espaço e o tempo, ou seja, faz um chamamento sobre a ordem cronológica, à medida que a história é retrada fidelizando o roteiro, o que deixa mais rico o conteúdo. Quando criança esse blogueiro foi um dos colecionadores de HQS de Zagor e Tex Willer, personagem idealizado em 1960 por Sergio Bonelli, com desenhos de Gallieno Ferri e posso compreeender que ilustrar uma história requer sensibilidade e conhecimento daquilo que o autor se propõe a realizar. “Foices e Facões” prestigia fatos do passado que marcarão na memória de muitos jovens. Além de ser um livro didático, deixa um “Q” de saudades para aqueles que curtem desde a infância estorinhas em quadrinhos. 

A grandiosidade e a riqueza nos detalhes estão bem estabelecidos por sua temática, onde o autor, com sua abordagem e seu dinamismo traça o retrato fiel enfrentando a semiótica usando linguagem ágil e acessível. O desenho e os traços bem definidos favorecem a compreensão da leitura fazendo com que o leitor deixe fluir sua imaginação. Em face de sua interpretação fica caracterizado que o autor, além de historiador, nos deixa uma grande obra marcando a história do nosso Estado. Criador e obra unidos pelo amor a história desse Piauí. 


Segue abaixo entrevista com o autor cedida ao Blog NB: 

1º) Blog NB: Desde quando passou a escrever e quem incentivou? 
Bernardo Aurélio:
 Sempre escrevi algo. Me achavam um bom escritor em todas as fazes da minha vida até ficar de recuperação em história e em redação (por incrível que pareça, afinal me formei em história e escrevo roteiros e alguns contos) durante o ensino médio! Se minha família não me incentiva, pelo menos não reprimia. O fato é que eu gosto de contar histórias... A maioria ficam guardadas. Sou um pouco exigente comigo e não costumo mostrar tudo que escrevo. As coisas ficam guardadas e às vezes eu revisito e corrijo muita coisa antiga. Não sou um contador de histórias como gostaria. Hoje sei que sou muito limitado. Tenho um trabalho autoral que fiz nos intervalos da "Batalha" que se chamará "Por dentro do máscara de ferro", algo que surgiu de forma espontânea e lenta durante dois ou três anos na qual o grande incentivador foi a necessidade íntima de externar alguns sentimentos. Para esse livro que é metade texto verbal (uma novela ou conto, não sei bem) e metade texto imagético (história em quadrinhos) ainda vou buscar incentivos para publicação, mas meu próximo trabalho será uma adaptação. Penso no livro "Noite na Taverna" ou o "O Manicaca" para adaptar por falta de novas idéias. 

2º) Blog NB: Qual foi a maior barreira que você enfrentou na hora de produzir o livro? 
Bernardo Aurélio:
 Acho que já falei sobre isso, mas foram as fontes, principalmente imagens da época. Personagens que tivemos de criar um perfil, roupas, essas coisas. A pesquisa também foi difícil. Trabalhei com uma bibliografia tradicional da batalha, mas eu tinha algumas dúvidas sobre participação de negros e índios na batalha da qual não encontrei nenhuma informação. 

3º) BLOG NB: A literatura em quadrinhos é difícil de ser trabalhada? Se for, explique isso para gente. 
Bernardo Aurélio: Você se refere a uma adaptação? Toda adaptação ou "transcodificação", como poderiam dizer alguns semioticistas, é doída para o autor original e para aquele que codifica. Sempre falta algo, ou é preciso alterar algum detalhe. Isso pode incomodar certo número de pessoas. De forma geral, quadrinhos é literatura. Claro que há manuais ou impressos do tipo que são feitos em quadrinhos e que não são considerados literários, mas toda literatura é difícil de ser trabalhada. Não chega a ser muito diferente de se escrever um romance verbal. Desenhar é também escrever, claro, com suas particularidades, mas o que conta para todos em todo tipo de literatura é a capacidade de narrar uma história, de fazer com que o leitor continue com o interesse de ler toda a obra. Isso, para nós quadrinhistas, acaba parecendo mais fácil, porque as pessoas dizem: “ah, mas em desenho é mais fácil de ler, assim é mais prazeroso”, mas eu não concordo tanto com isso. Alguns desenhistas são realmente frustrantes e nos podam a vontade de continuar lendo. A muito estilos a se escolher quando se quer criar uma história em quadrinhos, e esse estilo do traço deve ser o correto para aquela história e é muito comum o estilo barrar um grande número de leitores, como pode acontecer em todo tipo de literatura. 

4º) BLOG NB: Qual é a mensagem para seus leitores? 
Bernardo Aurélio:
 Gostaria de pedir aos leitores que conheceram meu trabalho a procurarem mais livros em quadrinhos de autores brasileiros. Existe muito mais além de Maurício de Sousa, Angeli e Laerte no Brasil. Autores como Lourenço Mutarelli, Roger Cruz (com trabalho novo e autoral nas livrarias), irmãos Moon e Bá, Cedraz, Macarti, Andre Dahmer, Fábio Lira... Sei lá! Vamos procurar esses caras!!! 

Fonte:

No comments: