Saturday, August 13, 2011

Hackers norte-coreanos: vilões de aluguel



Há indícios de que as atividades do regime se estendem à cyberguerra. Da 'The Economist'*


É conhecida a ideia de que se os criminosos mais inteligentes dedicassem seus talentos a empreendimentos legais eles se tornariam grandes sucessos legítimos. O mesmo pode ser dito da Coreia do Norte como um todo. Na semana passada o seu governo foi acusado de alugar 30 de seus programadores de elite para um grupo de fraudadores que empregaram seus talentos para roubar milhões de dólares de empresas de jogos online da Coreia do Sul.
Trabalhando da China — um celeiro de hackers em si — a equipe norte-coreana foi apresentada ao dono de um lan house da Coreia do Sul em 2009. O homem de 43 anos, identificado apenas como Sr. Chung, encontrara-os através de um intermediário situado na província de Heilongjiang. O Sr. Chung contratou o grupo para que criasse um programa que penetrasse nos servidores de jogos online (MMOs), como o extremamente popular “Lineage”, e o jogasse automaticamente. Esta técnica permitiu o acúmulo de “ativos virtuais” dentro dos mundos do jogo, tais como espadas, escudos e quejandos, sem nenhum envolvimento humano. Jogadores empenhados ao redor do mundo — e especialmente na Coreia do Sul — dispõem-se a gastar dinheiro de verdade por esses itens virtuais, e vendê-los se tornou um dos grandes centros de lucro de MMOs grandes. A polícia acredita que os jogadores automáticos criados pelos norte-coreanos acumularam cerca de US$ 6 milhões. Acredita-se que o quinhão dos hackers destinou-se ao departamento do governo norte-coreano conhecido como “Office 39”, responsável por angariar moedas estrangeiras por meios ilícitos, incluindo tráfico de drogas. Em anos recentes, sanções internacionais obrigaram o regime a se tornar mais criativo em sua busca por dinheiro, o que explica seu envolvimento com jogos de computador.
De acordo com a polícia sul-coreana, há cerca de 10 mil hackers norte-coreanos oferecendo seus serviços na China que fazem remessas mensais de aproximadamente US$ 500 cada para Pyongyang por mês. Eles prestam conta para organizações governamentais como o Centro de Computadores Korea, ou o Rungrado General Trading Corporation, e muitos são egressos de instituições de ponta como a universidade Kim Il Sung.
Há indícios de que as atividades do regime se estendem à cyberguerra; em maio último, um banco na Coreia do Sul foi atacado aparentemente por hackers norte-coreanos. Em março, sites de departamentos governamentais e bancos foram alvejados pelo já clássico método DDoS.
Muitos forasteiros presumiram que a internet se tornaria uma força de abertura e mudança na Coreia do Norte, ainda que lentamente. Por ora, parece que o autoproclamado “especialista em internet” Kim Jong Il — um homem que pediu a então secretária de Estado norte-americana, Madaleine Albright, seu e-mail — está encontrando modos de incrementar as suas chances de sobrevivência.
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