Monday, August 15, 2011

Mangá bem próximo à qualidade dos japoneses





Em discussões sobre manifestações artísticas, é comum surgir questionamento acerca de conceitos como originalidade, qualidade, criação, entre outros. Essa discussão está presente – e com um posicionamento bem claro – no livro Elementos do Estilo Mangá, de autoria do artista plástico João Henrique Lopes, recém-formado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Na obra, o autor propõe mudanças no ensino do mangá – estilo de desenho das histórias em quadrinhos japonesas. Lopes acredita que o estilo mangá desenvolvido fora do Japão é de baixa qualidade e, por isso, o livro pode orientar quem quer aprender a desenhar de acordo com a essência daquele estilo. “O objetivo da publicação é ensinar as pessoas interessadas a desenharem o mangá bem próximo à qualidade dos japoneses”, afirma.

O livro é dividido em Princípios e Técnicas, tendo, ainda, um apêndice com aplicações de suas ideias no ensino de Arte. Os princípios do mangá são: espontaneidade, no qual há, por exemplo, a discussão sobre o medo de errar; simplicidade, no qual Lopes discorre sobre algumas questões, como a simplicidade variável; e ‘notan’, que, de acordo com o autor, significa colocar no desenho um equilíbrio entre claro e escuro.

A palavra ‘mangá’, conforme explica Lopes, é composta por dois ideogramas chineses, a saber: ‘man’, que significa espontaneidade, e ‘ga’, que significa desenho ou pintura.

BAIXA QUALIDADE

João Henrique Lopes credita a baixa qualidade do mangá feito fora do Japão à falta de regularidade no treinamento e a uma visão simplista do estilo. “Isso acontece porque dificilmente os apreciadores treinam tanto quanto os japoneses, o que é imprescindível. Além disso, muitos olham superficialmente e concentram-se apenas em um ponto, por exemplo, nos olhos grandes dos personagens, como se esse detalhe representasse o mangá. É importante ampliar os horizontes e compreender os princípios existentes”, avalia. João Henrique critica os manuais afirmando que eles “mais prendem os alunos do que os libertam para a experimentação”.

A obra é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de João Henrique Lopes. Após ser publicada, a obra (uma produção independente, custeada e editada pelo próprio autor) foi lançada pela Editora da UFPA na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro, em 2010.

O próximo passo é conquistar a 23ª edição do Troféu HQ Mix - prêmio que contempla trabalhos do universo das histórias em quadrinhos, na categoria de Melhor Livro Teórico de 2010. O evento acontece dia 16 de setembro deste ano, no Sesc Pompeia, em São Paulo, e será apresentado por Serginho Groisman. (Ascom/UFPA)
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