Thursday, July 14, 2011

Gustavo Duarte, quadrinista e ilustrador


‘Multifuncional’, cartunista fala da carreira e de sua atuação, com charges, todos os dias no Lance!
Bruno Camarão
É manhã de quinta-feira quando Gustavo Duarterecebe em sua caixa eletrônica de mensagens o texto referente à coluna do dia seguinte de Mauro Beting. O jornalista do Lance! já fizera sua parte. Agora, chegava a vez do ilustrador, cartunista e quadrinista preparar a sua “própria coluna”. Só que em formato de desenho.
É desta maneira que o jovem de 34 anos, "rabiscado" em São Paulo, mas cujo delinear se deu em Bauru, cidade do interior do Estado, enxerga sua atividade no principal diário de esportes do país, com o qual mantém vínculo desde 2000.
“Desde moleque, nunca vi diferenças, apesar de haver particularidades no universo jornalístico. Este ambiente vê de maneira diferente quem faz uma coluna e quem faz uma charge. Eu, não. Para mim, tanto tem coluna boa e coluna ruim, quanto charge boa e charge ruim”, afirmou Gustavo.
Antes disso, porém, ele teve uma série de experiências que seriam decisivas para sua trajetória. Na terra do Norusca, time que divide o coração são-paulino de Gustavo em duas partes, começou a carreira de cartunista e ilustrador publicando trabalhos no Diário de Bauru, de 1997 a 1999. Lá se formou em Design Gráfico pela Unesp, em 1999.
De volta à capital, ainda teve uma passagem pelo Super Onze, antecessor do IG Internet Group do Brasil Ltda., empresa de acesso gratuito à Internet. As produções de Gustavo para o portal, entretanto, não se refletiram em salário. E o artista partiu para outras frentes.
“O desenho fala com todo mundo. Nem me prenderia ao futebol, no caso. A charge, que é o que faço no Lance!, é minha opinião e um resumo dessa opinião em um desenho só. Ao abrir a página do jornal, o leitor irá se deparar com um acontecimento ilustrado, muitas vezes com humor. E o futebol, dentro de campo, mudou”, avaliou Gustavo.
Para ele, jogadores “de verdade”, como Falcão, Zico, Sócrates, não tiveram representações nas décadas seguintes. O bom humor na imprensa daquele tempo, por outro lado, deu lugar a uma busca cada vez maior pela seriedade.
“A charge passa isto: ela não é uma palhaçada, mas ao mesmo tempo é bem humorada. Entretanto, se eu fizer uma charge sobre o Tsunami no Japão, ela não será focada no humor. Mas em 99% dos casos no futebol não temos essa desgraça e falamos sobre temas mais leves”, comparou.
Como ilustrador e cartunista, colaborou com vários veículos, como Folha de S. Paulo, Forbes, Le Monde Diplomatique, Placar, Playboy, VIP, entre outros. Em julho de 2009, Gustavo lançou a sua primeira história em quadrinhos, chamada “CÓ!”. No ano passado, foi a vez da “TAXI”, que faz uma analogia ao mundo da música – especificamente ao Jazz. E o plano estratégico é de mais duas produções, não efetivamente ligadas ao mundo da bola.
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Gustavo fala ainda sobre sua relação com a equipe de redação do jornal, as peculiaridades do desenho brasileiro e sua insatisfação com a forma como o desenhista é encarado pelos empregadores, de maneira geral.

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