Monday, July 4, 2011

Frank Miller ataca al-Qaeda nos quadrinhos



Saem Batman e sua galeria de vilões e entram The Fixer e a al-Qaeda. Frank Miller, criador dos quadrinhos de “300” e “Cavaleiro das Trevas”, trabalhou em sua nova obra, “Holy Terror”, por seis anos e, durante esse período, assumiu um compromisso consigo mesmo: ser mais realista. “Será que eu realmente quero desenhar um cara perseguindo o Charada pela cidade? Não. Os riscos agora são maiores”, declarou em entrevista ao Hero Complex.
Seis anos de maturação trazem muitas mudanças. Tudo começou quando a DC Comics encomendou uma graphic novel de Batman fazendo o seu melhor: apenas sendo ele mesmo. Mas Frank Miller queria colocar o herói em luta contra terroristas. A controvérsia inerente à proposta levou a editora a desistir do projeto, que por isso sofreu mudanças e será lançado pela Legendary Comics, uma subsidiária da Legendary Pictures (o estúdio que adaptou “300″ e lançou “Batman – O Cavaleiro das Trevas”), criada especialmente para a ocasião.
“Eu forcei Batman na trama o quanto pude, mas depois ele deixou de ser ele”, disse o autor no ano passado, quando falou pela primeira vez da reviravolta.
Embora não se trate mais de um possível papel para Christian Bale nos cinemas, a HQ continua merecendo todas as atenções dos fãs do gênero: Frank Miller é o quadrinista mais importante dos últimos 30 anos e, agora, está lançando um novo personagem no mercado: The Fixer. Não é exatamente um super-herói, com poderes sobre-humanos e tudo mais. Ele é basicamente um ex soldado de guerra que vai se vingar dos responsáveis por um ataque terrorista à Nova York. “Meu garoto carrega um par de armas e é contra uma ameaça existencial”, define o criador.
Segundo ele, The Fixer, ao contrário de Batman, não poderia lutar apenas contra um vilão pateta e ignorar um inimigo que está comprometido com a aniquilação de toda uma população. “Só perseguir o Charada por aí parece uma bobagem comparado com o que está acontecendo lá fora”, explica.
Não coincidentemente, o lançamento de “Holy Terror” (algo como “Santuário do Terror”) está marcado para três dias após o aniversário de dez anos do emblemático atentado terrorista às Torres Gêmeas e ao Pentágono em setembro de 2001. “Eu quero mesmo sacudir as pessoas. Não estou aqui para suavizar as coisas. Estamos vivendo em uma época terrível e fomos transformados por ela. Até a minha decisão de tornar a graphic novel um projeto sem o Batman faz parte disso”, avisa.
À exemplo de “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore, Frank Miller não esconde o tom político de sua nova obra, muito antes pelo contrário. “Ela é propagandística. Eu acho que esta é uma palavra muito abusada. A maioria das coisas que leio na Internet e nos jornais é propaganda, desde o New York Times ao Rupert Murdoch. Eles estão presos aos fatos como eles são, mas a maneira com a qual o interpretam e moldam é totalmente diferente”, assume o criador de histórias para Robocop, Demolidor, Elektra, Wolverine e o próprio Batman.
Em um trecho da HQ, os homens-bomba se enchem de pregos e lâminas, e começam a lançar agulhas pelo ar. “É uma imagem muito forte”. Em outras partes, não há texto algum. “São os leitores que vão ter que colocar as palavras ali”, diz Frank, querendo colocar o público para refletir o mundo atual. Definitivamente, ele queria mais do que entretenimento.
Mas é claro que as 120 páginas das aventuras de The Fixer, que serão lançadas em capa dura ao preço de US$ 30, não deixarão de ser divertidas. “Tem algo de visceral na HQ, mas também tem um nível em que ela precisa ser entretenimento. Antes de qualquer coisa, eu sou um quadrinista. Quando entrei nessa, me senti próximo do que Jack Kirby provavelmente sentiu quando criou o Capitão América”, compara.
De acordo com Frank, “Holy Terror” tem também pitadas de humor. “Não sou eu gritando por mais de 100 páginas. Há um equilíbrio. Tinha que haver. O que me surpreendeu foram os toques de humor que apareceram no decorrer da história. Eu nunca teria previsto isso no início. Começou totalmente sem graça”, confessa.

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