Saturday, July 2, 2011

Europa e Estados Unidos reagem de maneiras bem diferentes à expansão econômica da China





Na Europa, tapete vermelho. Nos Estados Unidos, desconfiança. A recente passagem do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao pelas capitais europeias reforçou as diferenças transatlânticas nas respostas à influência econômica da China. Líderes europeus, às voltas com a crise do euro querem que a China compre porções cada vez maiores de suas dívidas, enquanto nos Estados Unidos, políticos se preocupam com o fato da China ser dona de boa parte da sua dívida. Para os políticos europeus, o valor do yuan é uma preocupação entre muitas; já os norte-americanos dificilmente conseguem pensar em outra coisa. Na Europa, empresas chinesas são recebidas de braços abertos. Nos Estados Unidos, elas são vistas com desconfiança.

A receptividade europeia à China nasce em parte da fraqueza, e mesmo entre as economias mais fortes do continente, a tendência política é a de promover o investimento chinês, e não de detê-lo. Essa posição trará grandes consequências. O investimento direto chinês tem se concentrado em assegurar energia e recursos desejados pelas economias industriais. Dinheiro chinês foi visto na Ásia, na áfrica e na América Latina, comprando desde minas de cobre no Peru e fazendas na Tanzânia, até produtoras de alumínio na Austrália. O próximo passo da ascensão chinesa já está se desenvolvendo, e dessa vez, se concentrará na Europa.

Os Estados Unidos são um caminho óbvio para a China, mas a relação econômica entre os dois países é frágil. Desde que que a CNOOC, uma petrolífera estatal chinesa foi forçada a desistir da compra da Unocall, da Califórnia, em 2005, por críticos na mídia e no Congresso, muitas grandes companhias chinesas passaram a encarar os Estados Unidos como um local hostil aos seus investimentos.
Essa ideia não é inteiramente justa. O processo de busca de investimentos nos Estados Unidos não parece discriminar a China de maneira específica. Mas empresas chinesas que pensam em comprar bens norte-americanos devem estar preparadas para encarar ataques públicos de grupos de lobistas e congressistas, logo, muitos preferem simplesmente evitar os Estados Unidos. Um relatório elaborado pela Asia Society, em Washington, afirma que o pânico em relação à China pode fazer com que os Estados Unidos abram mão de um parcela de investimentos diretos que chegariam a US$ 1 trilhão até 2020.

A maior parte desse dinheiro está então, indo parar na Europa, onde o investimento direto teve um crescimento mais rápido que em qualquer outra região do planeta. Banqueiros de investimento não hesitam em avisar seus clientes chineses assim que sabem de alguma companhia que poderia ser um alvo possível. Bancos chineses estão rapidamente aumentando suia presença em solo europeu, e chineses estão cada vez mais ocupando as residências no centro de Londres. Os europeus ganham mais que o dinheiro. Uma parceira chinesa é uma boa saída para uma marca europeia que queira ter acesso àquela que em breve será a maior economia do mundo. Muitas empresas, como a sueca Volvo, comprada pela montadora chinesa Geely, uma fabricante de automóveis, em 2010, hoje chamam a China de “segundo mercado doméstico”. Os eleitores europeus estão menos confiantes que seus líderes: pesquisas mostram que eles veem os investimentos chineses tão negativamente quanto os norte-americanos.

As três preocupações

Três preocupações predominam nessa visão: A primeira delas é a de que a China irá roubar tecnologia e empregos. É verdade que as empresas chinesas têm todo um interesse na compra de companhias europeias para utilização de seu know-how na China. Mas essas mesmas companhias chinesas também querem conquistar mercados tanto nacional quanto internacionalmente, e para fazer isso na Europa, devem criar emprego lá.

A segunda preocupação é a de que chineses estejam comprando joias raras da Europa por preços muito baixos, e não há qualquer evidência que aponte para isso. Na verdade, a probabilidade maior é a de que eles acabam pagando muito mais: países e empresas com excesso de economias quase sempre o fazem.

Por fim, há ainda a preocupação de que os investimentos em bens, como tecnologia de telefonia celular, possam ameaçar a segurança europeia, mas existem processos para buscar e filtrar investimentos nessas áreas. Não há razão para pensar que eles possam querer isso, ou para pressioná-los até que isso mude.

A guinada externa da China certamente pede vigilância, pois é consequência de uma enorme mudança no equilíbrio do poder, e tais mudanças sempre envolvem riscos. Mas as oportunidades são maiores que os riscos. Ao receber a China, a Europa está nadando de acordo com a maré da história, enquanto os Estados Unidos estão lutando contra ela.

Fonte:
http://opiniaoenoticia.com.br/economia/welcome-bienvenue-willkommen/

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