Sunday, July 10, 2011

Ao criar histórias em quadrinhos, turma de alfabetização aprende a transmitir suas ideias utilizando o desenho e a palavra


Aulas que estão no gibi


Denise Pellegrini (dpellegrini@abril.com.br)
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Nesta fábrica, a matéria-prima é a ideia 

Artistas mostram aos alunos como se faz um gibi 

Ao trabalhar com revistas na sala de aula deixe claro para seus alunos o seguinte: não é necessário fazer desenhos e textos maravilhosos.

"Os quadrinhos têm uma linguagem própria e o mais importante é entender seus códigos", afirma Marcelo Campos, um dos quatro profissionais que cuidam da Fábrica de Quadrinhos, núcleo de produção e ensino dessa técnica localizado em São Paulo.

Marcelo e seus companheiros visitam escolas e, em palestras de 30 minutos, descrevem as etapas envolvidas na confecção de um gibi. A base de qualquer tira, eles avisam, é a idéia.
"O desafio é passá-la para o desenho, distribuindo a informação pelo espaço disponível."

Os artistas dão uma aula prática sobre o processo de produção de uma revista. Primeiro, instigam a turma a criar os personagens. Depois, lançam um mote. Enquanto os alunos inventam a história coletivamente, os profissionais esboçam o desenho. "Sempre alertamos a turma para a necessidade de respeitar o perfil que eles mesmos deram aos personagens", diz Marcelo. As palestras, gratuitas na Grande São Paulo, são agendadas de acordo com a disponibilidade da equipe. Confira no quadro ao final da reportagem o telefone para informações.

De frente, de costas e de perfil 

Na hora de escolher personagens para suas histórias, a turma ficou com os de Mauricio de Sousa. Em grupo, eles descreveram os principais integrantes da Turma da Mônica. Cynthia passou o que as crianças tinham escrito para cartazes, que eram consultados por todos na hora de criar as tiras. As técnicas de arte vieram em seguida. "Primeiro, eles desenharam os personagens de frente, de costas e de perfil, de acordo com a descrição feita anteriormente. Depois deram movimento às figuras, mostrando o andar, a corrida ou um pulo."

Para estimular o processo de criação, vários exercícios se seguiram. A professora tirava cópias das histórias e apagava balões ou quadros inteiros, que eram refeitos pela turma. Outras vezes, ela distribuía uma história recortada para ser colocada em ordem. Após essa fase, Cynthia ensinou como transformar uma ideia em quadrinhos. "Eu lia um texto curto e repetia, trecho por trecho, para que as alunos fizessem um esboço", lembra.

No quadro-negro, eles tentavam dividir a narrativa em quadros e criar os diálogos. Quando todos se familiarizaram com a tarefa, cada criança criou sua história e fez um esboço, em quatro quadros. "Todas as atividades propostas pela professora deram às crianças competência para produzir seus roteiros", avalia Maria José.

O projeto, apesar de não ter sido o único em Português, teve grande influência na alfabetização da turma. "No final do ano, apenas dois alunos não estavam alfabetizados", festeja Cynthia. Os erros dos textos, ainda freqüentes, não foram corrigidos por ela. "A escrita só era melhorada até o ponto em que a criança tinha condições de chegar", explica Regina Scarpa, coordenadora pedagógica do Colégio Mopyatã.

As melhores tiras, escolhidas em votação, foram publicadas no jornal bimestral da escola. As demais formaram um almanaque. Essa foi uma ótima forma de concluir o trabalho, na opinião de Maria José. "É importante que as crianças vejam suas criações publicadas em veículos típicos do gênero."

Três jeitos de contar uma história 


Alunos conferem diferenças entre os quadrinhos, o livro e o teatro

Assim que terminavam suas tarefas, os alunos da professora Silvana Vívolo, do Colégio Montessori Santa Terezinha, em São Paulo, tiravam um gibi da mochila e se divertiam com a leitura. Atenta a esse detalhe, Silvana resolveu incorporar o gosto da turma de 5a série a suas aulas de Português. Ela pediu que a classe lesse o livro Cuidado: Garoto Apaixonado (Toni Brandão, Melhoramentos, 11,40 reais, tel. 0_ _11-3874-0884). O trabalho que veio a seguir fascinou a turma.

A narrativa foi transformada em quadrinhos, com a ajuda do programa Oficina do Livro (Iona, 47,20 reais na Dudes Shop) "Recomendei que evitassem as falas de narrador e tornassem os diálogos curtos como os dos gibis", explica Silvana.

Antes que fosse ao laboratório de informática, porém, a professora levou a classe para ver uma peça de teatro baseada no mesmo livro. De acordo com Waldomiro Vergueiro, da USP, é importante oferecer aos alunos o contato com várias linguagens. "Eles percebem que uma mesma mensagem pode ser transmitida de diferentes maneiras e que não há uma mais nobre que a outra", conclui.

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CONTATOS
Colégio Mopyatã
 - Av. Giovanni Gronchi, 4000, São Paulo, SP, CEP 05724-020, tel. (0-11) 3744-2571
Colégio Montessori Santa Terezinha - R. Farjalla Koraicho, 51, São Paulo, SP, CEP 04321-130, tel. (0-11) 5011-1022
Waldomiro Vergueiro - Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, São Paulo, SP, CEP 05508-990, tel. (0-11) 818-4324
Maria José Nóbrega - R. Ribeiro do Vale, 183, São Paulo, SP, CEP 04568-000
Fábrica de Quadrinhos - Av.9 de Julho, 3265, São Paulo, SP, CEP 01407-000, tel. (0-11) 884-8867

BIBLIOGRAFIA
O Mundo das Histórias em Quadrinhos
, Leila Rentroia Lannone e Roberto Antônio LAnnone, Modema, tel. (0-11) 6090-1500, 13 reais

Fonte:


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