Thursday, June 16, 2011

Sucesso de Neil Gaiman : Coraline


Coraline em Quadrinhos | Crítica

Sucesso multimídia de Neil Gaiman enfim chega ao meio que o consagrou como autor

Érico Assis
19 de Janeiro de 2011


Prova de que autores têm que suar muito antes de ter o reconhecimento do grande público, Coraline virou o primeiro sucesso multimídia do britânico Neil Gaiman após mais de vinte anos de dedicação à escrita. O livro infantil, originalmente com ilustrações de Dave McKean, foi lançado em 2002. Depois virou filme de sucesso em 2009,Coraline e o Mundo Secreto (indicado ao Oscar 2010), musical, videogame e já passou por várias reedições em livro.
Coraline em Quadrinhos que chega agora ao Brasil traz a personagem de Gaiman à mídia em que ele teve seu primeiro sucesso. Gaiman, porém, teve envolvimento mínimo com a HQ. A adaptação, tanto em roteiro quanto desenho, ficou por conta de P. Craig Russell, convidado a produzi-la na época em que a adaptação para o cinema estava prestes a sair.
Não que Russell seja desconhecido. Ele inclusive já trabalhou com Gaiman em Sandman e tem uma carreira elogiada nos quadrinhos que começou no início da década de 1970. Sua escolha para adaptar Coraline certamente teve indicação ou apoio de Gaiman.
A experiência de Russell com as HQs está em todas as páginas. Tecnicamente, Coraline em Quadrinhos é quase perfeita. O que mais chama atenção é a forma como os quadros da página são quebrados com linhas finas, em unidades bem limitadas ao que cada cena precisa. A variação de ângulos, as opções de estilo, o posicionamento dos balões e recordatórios, as escolhas por mais ou menos detalhe no traço – tudo diz que a HQ está sendo feita por alguém com décadas de dedicação aos quadrinhos.
E isso se vê desde o início do álbum. Russell seleciona delicadamente os trechos do texto original de Gaiman de forma a manter o espírito e ritmo da obra, mas mantendo atenção à necessidade de narrativa com imagens dos quadrinhos.
Da metade para o final, porém, principalmente nas cenas climáticas, a coisa muda de figura. Russell passa a usar grande parte do texto de Gaiman, chegando às cenas em que o texto descreve o que podemos ver no próprio desenho. A HQ perde o ritmo de HQ para ganhar ritmo de literatura.
Isto fica ainda mais evidente no longo epílogo, após Coraline enfrentar sua Outra Mãe no mundo do outro lado da porta. Este tipo de capítulo extenso, pós-climático, com vários acontecimentos para arrematar a história, é comum na literatura. Nos quadrinhos, porém, com a quantidade de páginas que Russell dedica a ele, parece estendido demais.
Este deslize, porém, afeta pouco o conjunto da obra. Coraline em Quadrinhos não é uma simples adaptação do livro por um quadrinista qualquer, mas algo bem pensado e, acima de tudo, bonito. E completa, ou dá sequência, a um ciclo de representações da personagem bastante distintas, como as das ilustrações de Dave McKean ou da boneca tridimensional de Henry Sellick. Cada um tem direito de imaginar Coraline a seu modo.
Coraline em Quadrinhos é um lançamento da editora Rocco – mesma editora da versão literária, que escalou a mesma tradutora do original para a HQ - e está à venda nas livrarias. O preço sugerido é de R$ 48.
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