Friday, June 24, 2011

Sergipe tem tradição japonesa

Sergipe tem tradição japonesa Data: 15/06/2008 


No próximo dia 18 de junho, será comemorado o centenário da Imigração Japonesa no Brasil. O primeiro navio, Kasato Maru, chegava ao Porto de Santos, em São Paulo, trazendo aproximadamente 165 famílias de imigrantes orientais para trabalhar na agricultura, mais precisamente nos cafezais da região oeste paulista. Desde então, o Brasil se tornou a pátria-mãe-gentil de milhares de japoneses que enraizaram-se pelo país, contribuindo para a nossa miscigenação.
Em Sergipe também existe tradição japonesa. A primeira família - Arikawa - chegou aqui com o mesmo propósito, trabalhar na agricultura, em 1938, e se estabeleceu no povoado Quissamã, em São Cristóvão. A vida de Noriko Arikawa, 85, (filha mais velha), não foi diferente da de outros imigrantes. Ela veio para o Brasil acompanhando os pais. Quando saiu do Japão tinha apenas sete anos e ainda guarda em sua memória as lembranças da viagem que durou cerca de dois meses.
"Não esqueço a cena das pessoas jogando comida para alguns descendentes de escravo, que estava no porto aguardando a chegada do nosso navio. Era estranho essa forma de alimentar às pessoas, e como eu era pequena não compreendia muito bem isso. Eu me recordo de ficar segurando nas mãos de meu pai assustada com tudo", recorda ela, que aprendeu algumas palavras em português durante a viagem..
A primeira grande diferença apontada por Noriko, não foi o idioma, mas, o clima quente do Brasil. Ela lembra que os imigrantes ficavam tentando fugir do sol e que entre uma casa e outra, eles passavam correndo para não serem atingidos pelos raios solares. Quando a família foi convidada pelo governo de Dr. Eronildes de Carvalho, para residir em Sergipe, Noriko já com 15 anos, ficou sabendo das histórias de Lampião e isso a deixava receosa do que iria encontrar aqui. "Quando chegamos aqui meu pai passava nas ruas e as pessoas ficavam cobrando que ele entregasse o resultado do plantio. Elas achavam que por nós sermos japoneses teríamos uma maneira mais rápida de colhermos as frutas plantadas no dia anterior", conta.
A vida da família se complicou quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial, e todos os imigrantes que estavam no Brasil foram apontados como espiões. Segundo as histórias que a mãe contava, recorda Atuco Arikawa Melo (irmã mais nova de Noriko), que nasceu em Campinas e veio para Sergipe com apenas um ano, a família delas se esfacelou quando o pai foi preso, deixando nas costas da mãe a tarefa de criar os filhos.
"Nosso pai era professor numa escola de agricultura lá no Japão e no ápice da Guerra, foi preso e levado para o Rio de Janeiro. Minha mãe ficou aqui em Aracaju e teve que costurar para nos sustentar, mas antes de nossa família conseguir se recuperar passamos inúmeras necessidades. A polícia tomou nossos álbuns de fotografias e nossos pertences. Constantemente tínhamos a nossa casa invadida pelos policiais que revistavam tudo, jogando nossas coisas no chão", conta ela que casou com o sergipano, José Renato Moreira Melo.
A vida em Aracaju
Tempos depois o pai delas retornou para Sergipe, com a intenção de levar a família com ele para o Rio de Janeiro, mas, a mãe das meninas não queria mudar outra vez, com receio de passar dificuldades. Em Sergipe, elas já estavam estabilizadas, inclusive Noriko já trabalhava na área de administração da Casa Gerdo (uma espécie de loja de departamento).
Como chegou bebê, Atuco Arikawa não recorda das inúmeras situações constrangedoras que Noriko e seus pais passaram, mas, ainda assim ela relembra que ser a única família japonesa em solo sergipano, era no mínimo estranho. Quando passavam eram motivo de olhares e na escola, os amigos costumavam brincar com o nome dela. "Até hoje as pessoas ligam para minha casa e pedem para falar com o senhor Atuco, acho engraçado e isso nunca me incomodou", diz ela que na juventude participava de grupos de teatro e dança.
Renato Melo diz que ficou impressionado com a beleza de Atuco. Eles se conheceram enquanto ela ensaiava, num estúdio, localizado na rua Pacatuba. "No início a mãe dela ficou um pouco desconfiada, daí meu pai foi pedir a mão de Atuco para que ela cassasse comigo. Então começamos a namorar e em setembro de 1965 nos casamos", narra ele que confessa até hoje não gostar de comer sushi.
Quando questionada se mudaria de cidade, Noriko solta um enfático não. Ela se acostumou em Sergipe e fala de Aracaju como se aqui fosse sua terra-natal. "Apesar das dificuldades do início, nunca pensei em sair daqui, gosto de Aracaju por ser tranqüila se comparada a outras cidades".
Fale japonês. Viva japonês!
Você sabia que em Aracaju funciona a Associação Cultural Nipo-brasileira de Sergipe (ANBRASE)?Isso mesmo!  Sob a presidência de Mitsuru Nishikawa, a ANBRASE planeja diversas festividades para celebrar a data aqui no Estado. Estima-se que existam hoje residindo em solo sergipano aproximadamente 80 famílias de descendentes, quase todas vindas de São Paulo.
Uma vez por mês eles se reúnem no Clube ATPN e juntamente com os alunos da Nihongako (Escola Japonesa) festejam, assistem palestras, cantam músicas japonesas em karaokê e comem comida típica. Inclusive, já fizeram passeatas durante o Pré-Caju e participaram dos eventos em comemoração ao aniversário da cidade.
Segundo Marina Marie Aramaki, que participa da coordenação dos eventos sergipanos relacionados ao Centenário e também faz parte da Associação, as manifestações no Estado contam sempre com a participação de pessoas de outras raças. "Para se ter uma idéia, dos 53 estudantes, apenas dois são japoneses, o restante das pessoas pertencem a outras raças, mas sentem uma grande afinidade com a nossa cultura", conta ela que é fundadora da Nihongako em Aracaju.
Segundo informa Marina, o curso é dividido em módulos e no final do ano, os alunos passam por um teste de proficiência, vindo diretamente do Japão, que avalia o aprendizado. Segundo ela, os excelentes resultados nas provas, por parte dos alunos é decorrente do time de professores (Edison Hirose, Carlos Taji, Umberto Sugahara, Elio Yaguiu), que compõe o quadro da escola.
Comemorando o Centenário
A coordenação está preparando uma extensa lista de eventos para celebrar o Centenário. Segundo informa Marina, os eventos começam amanhã, 16, na academia sergipana de Letras, com a abertura de um painel sobre a importância da cultura japonesa no Brasil. Para o próximo dia 21, algumas autoridades políticas e civis estarão viajando para São Paulo, com o intuito de receber o príncipe japonês, Naruhito, que chega ao Brasil no próximo dia 18. A Associação também montará um stand no parque de Exposições de Salvador, nos próximos dias 29,30 e 31 de agosto. Para tanto necessita de apoio de patrocinadores e expositores que desejem mostrar seus produtos.
Segundo consta na agenda da ANBRASE, até o final de dezembro os organizadores pretendem criar os festivais de Taiko, de artes marciais, de gastronomia, de pipa, sessões especiais de filmes e desenhos japoneses, exposição de produtos agrícolas, competição de tiro ao alvo digital, tênis de mesa, torneio de futebol, criação de um jardim público japonês, concurso de monografia abordando os 70 anos da imigração japonesa em Sergipe, entre outros eventos.
Para colaborar com a Associação Cultural Nipo-brasileira de Sergipe, a coordenação está vendendo camisetas com logomarca exclusiva. Para mais informações sobre o curso de japonês e possíveis eventos, ligar para: 8128-7855/ 3214-5122 ou 3246-2858.

Fonte:

1 comment:

Anonymous said...

É uma pena Aracaju ter perdido sua única escola de Japonês devido a briguinhas e falta de tempo dos professores/coordenadores.