Monday, June 13, 2011

Quadrinhos: Melinda Gebbie rouba a cena na Rio Comicon



Pedro Brandt

Publicação: 12/11/2010 07:41 Atualização:

Rio de Janeiro — Se os alto-falantes da Rio Comicon não tivessem anunciado a presença de Melinda Gebbie no recinto, provavelmente a mulher do escritor britânico de histórias em quadrinhos Alan Moore (Watchmen, V de Vingança) passaria despercebida. Melinda, também autora de HQs, passeava tranquilamente pelo evento. Cinquenta e poucos anos, blusa lilás larga, calças, tênis e cabelos pretos. Jeito sereno de professora de escola primária. A fila de interessados em conhecê-la e pegar um autógrafo não era muito grande. No entanto, a artista americana (radicada na Inglaterra desde os anos 1980) dedicou alguns minutos de atenção a cada uma das pessoas ali. Ficou pelo menos duas horas assinando livros, fazendo desenhos e tirando fotos. Gentilmente, sorria timidamente e agradecia a todos pela paciência. Melinda acabou roubando a cena na quarta-feira, segundo dia de programação do evento — iniciado na terça, na Estação Leopoldina, no Rio de Janeiro.

“Sempre acho corajosa uma convenção de quadrinhos que me convida para participar dela”, disse Melinda em entrevista depois da exaustiva sessão de autógrafos. “Lost girls é ilegal na Suíça. Uma convenção na Dinamarca me rejeitou. Enfim, não sou convidada para muitos eventos de quadrinhos.” Lost girls, ou Garotas perdidas, como foi publicada na Brasil, apresenta Alice, de Alice no país das maravilhas, Wendy, de Peter Pan, e Dorothy, de O mágico de Oz, em um trama carregada de sexo. Nos Estados Unidos, o livro gerou episódios polêmicos. “Tivemos sorte que o livro não foi censurado por lá. Mas se alguém reclamou do livro foi porque o comprou. E ele não é vendido como um livro para crianças”, comentou Melinda.

A americana Melinda Gebbie é autora de HQs como Lost girls (JUDAO.com.br/Reprodução)
A americana Melinda Gebbie é autora de HQs como Lost girls
O erotismo presente nos trabalhos dela é muito diferente de, por exemplo, outra das atrações da Comicon, o italiano Milo Manara. “Ele é muito habilidoso como desenhista. Mas parece que faz sempre a mesma mulher, com o mesmo rosto. E em suas histórias a mulher é usada quase como um objeto de decoração. Isso não me atrai, não me interessa. No geral, as mulheres nos comics são retratadas como projeções da mente masculina: mãe, esposa, a bad girl...”, comparou Melinda, que não acompanha séries em quadrinhos; prefere as graphic novels, como as autobiográficas Epilético, de David B., Persépolis, de Marjane Satrapi, e os trabalhos de Linda Berry. A desenhista se disse encantada com o Rio. “Achei a cidade incrível! As pessoas são adoráveis, carinhosas, educadas e relaxadas”, contou, enquanto saboreava um sorvete.

A Rio Comicon vai até domingo. Além de Melinda e Manara, a lista de convidados internacionais conta com nomes como o inglês Kevin O’Neill, os franceses Killoffer, François Boucq e Etienne Davodeau, os argentinos Lucas Nine e Patricia Breccia e os brasileiros Lourenço Mutarelli, Allan Sieber, Angeli, Laerte, Ota, Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá, Caeto, Fábio Zimbres, Guazzelli, Lelis, Arnaldo Branco, Rafael Sica, Fido Nesti, e os brasilienses das revistas Samba e Quebraqueixo. Informações em www.riocomicon.com.br.

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