Monday, June 13, 2011

Política e os Quadrinhos

Política e BD (I)



Nas democracias não há inimigos, afirma o título desta bd, e a ironia está lançada... É inquestionável que o cartune - ou, em português genuíno, a caricatura - vive mais da política do que a banda desenhada, mas esta também não lhe é indiferente.

Nuno Saraiva, autor (desenhador e argumentista) que semanalmente, cria episódios desenhados em duas páginas na revistaTabu, suplemento do jornal Sol (*), foca os mais diversos tópicos, sendo que a política está entre eles, como não podia deixar de ser, num tempo de liberdade de opinião que tornou a política um dos mais populares temas de conversa, em especial na recorrente tendência da pequena política de se limitar a bater sistematicamente no dirigente que estiver mais em foco no governo (era o JS, José Sócrates, quem se seguirá, o PC, Passos Coelho, ou o PP, Paulo Portas?)

(*) O episódio que ilustra o presente "post" foi publicado na edição de 3 de Junho

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Nuno Saraiva

Biobibliografia

Nuno Jorge de Avelar Teixeira Saraiva é natural de Lisboa, onde nasceu a 27 de Agosto de 1969. Como habilitações literárias não tem nenhum curso completo, mas sim frequências, nos cursos deDesign de Comunicação (IADE), de Design (3º ano na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa - FBAUL) e de Pintura (2º ano, também na FBUL).

Assinando habitualmente com o seu primeiro nome e último apelido, mas usando por vezes pseudónimos (Sir ou Ketch, ou a sigla NS), tem bandas desenhadas curtas reproduzidas nas revistas Jornal da BD(para a qual desenhou Ted Sponja, sob argumento de Carlos Martins),Selecções BD, LX Comics, Ai-Ai, estas especializadas em BD. Mas também há colaborações suas em revistas sem serem da especialidade, tais como Ego e Cosmopolitan, e bem assim noutro tipo de publicações, nomeadamente no jornal Combate, no mini-álbum "Transcomix", e na Agenda Cultural (edição da C.M. de Lisboa).

Já está publicado em vários álbuns, com início em 1989 através do título "Os Dias de Bartolomeu", a que se seguiu, em 1995, "Filosofia de Ponta" recolha da publicação que tinha sido feita ao ritmo de duas páginas no semanário Independente, em colaboração com o argumentista Júlio Pinto, com êxito suficiente para que lhe fossem dedicados mais dois álbuns, um em 1998, outro em 1999.

Antes dessas segundas edições, a partir de 1997, e de novo a fazer dupla com Júlio Pinto, Nuno Saraiva desenhou "Arnaldo o Pós-cataléptico" ainda para o citado semanário, obra que posteriormente (1999) foi recolhida em álbum.

Também com Júlio Pinto realizou a desconcertante série "A Guarda Abília", uma agente de polícia muito descontraída, série que teve direito a álbum em 2000.

Neste mesmo ano viu passadas a álbum as "Aventuras Extra Ordinárias dum Falo Barato", que tinha concretizado a solo.

Após o falecimento de Júlio Pinto, em 2000, Saraiva passou a trabalhar com apoio de diferente argumentista - Paulo Patrício - para o semanário Expresso, entre 10 Janeiro 2004 e 6 Novembro 2004, no qual criaram a série "Escrita Fina", usando o habitual esquema de duas páginas a cores para cada episódio.

A solo mais uma vez, Nuno Saraiva lançou-se em 2006 na tarefa de imaginar argumentos e desenhá-los semanalmente, cada um em duas pranchas coloridas - o que tem feito com talento, imaginação e bastante liberdade criativa - para a revista Tabu, suplemento do jornal Sol, na série intitulada "Na Terra como no Céu", a que pertence o episódio que ilustra o presente "post".

Morador no bairro bem lisboeta da Mouraria, colaborou nos dois números já editados do jornal gratuito Rosa Maria com a série " Vida em Rosa" - gracioso aproveitamento da canção "La Vie en Rose" -, uma prancha a cores de meia página em cada número.

Tem participado em vários álbuns colectivos, designadamente "Noites de Vidro", "Amnistia Internacional em BD", "José Muñoz, Cidade, Jazz da Solidão", "Síndrome de Babel e outras estórias", "Para Além dos Olivais" e "Os Putos de Agora Não Sabem Nada do 25 de Abril".

Há colaborações suas em alguns fanzines: "Banda", Boletim do CPBD", "Esponjiforme", "Hips", "Ménage à Trois", este último produzido pelo trio formado por ele próprio, Jorge Mateus e Fernando Relvas.

Actualmente, Nuno Saraiva acumula a sua actividade de ilustrador e autor de BD com a de professor de Banda Desenhada e Cartune Político no [Centro de Artes] Ar.Co.

Um panorama bastante completo da série que actualmente realiza para o semanário Sol pode ser visto no homónimo blogue "Na Terra como no Céu", no endereço
http://naterracomonoceu.blogspot.com

QUINTA-FEIRA, JUNHO 09, 2011

Comic Jam



Apresento a 30ª banda desenhada feita de improviso (o tal "cadáver esquisito") na Tertúlia BD de Lisboa, por seis autores presentes na tertúlia - não necessariamente os mesmos do mês anterior.

Desta vez, os participantes foram os seguintes:
1ª vinheta - José Abrantes (o homenageado da sessão)
2ª vinheta - Luís Pinto Coelho (e, claro, tinha de aparecer o seu Tom Vitoín, o seu "alter-ego"
3ª vinheta - Ricardo Leite (em forma, um desenhador que raramente tem feito BD)
4ªvinheta - Álvaro (saindo um pouco do seu registo habitual)
5ª vinheta - Mascarenhas, a pôr o seu "Menino Triste" a contracenar com José Abrantes
6ª vinheta - Zé Manel, a frescura de um ilustrador veterano

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Os interessados em ver as 29 bandas desenhadas improvisadas anteriormente, poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Comic Jam visível no rodapé

Tertúlia BD de Lisboa - Autores Homenageados

As homenagens prestadas pela Tertúlia BD de Lisboa, desde Agosto de 1985, através da atribuição de DIPLOMA DE HONRA aos homenageados, têm contemplado:

I - Autores de Banda Desenhada (desenhadores e argumentistas), portugueses e estrangeiros, tanto consagrados como outros de menor dimensão, distinguidos, sempre que possível, por ordem cronológica (eventualmente a título póstumo).

II - Personalidades diversas, além de autores, que se englobaram em ciclos específicos, até agora os seguintes:
- Estudiosos, investigadores, críticos e divulgadores de BD (a continuar)
- Colaboradores literários de revistas de banda desenhada
- Editores e directores de revistas de banda desenhada, directores artísticos, responsáveis gráficos, chefes de redacção e coordenadores (a continuar)
- A Mulher Portuguesa e a Banda Desenhada
- Revista de BD "Visão"
- Editores de fanzines - Ano 1972 (Ano I dos fanzines portugueses)
- Ilustradores
- Cartunistas (só os que também já fizeram BD, mesmo que escassa)
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Vista assim, esta lista dos Autores Homenageados da Tertúlia BD de Lisboa está praticamente ilegível. Mas, como sabem todos os visitantes mais experientes, para aumentar bastante o texto bastará clicar-lhe em cima duas vezes (a primeira com o cursor em forma de mãozinha, a segunda já com o cursor a apresentar-se sob a forma de lente de aumentar)


Tertúlia BD de Lisboa - Autores Convidados Especiais

Ciclo: Nova BD portuguesa

Este ciclo, a decorrer permanentemente desde Junho de 1985, tem a finalidade de distinguir, com DIPLOMA DE INCENTIVO, gente da BD a vários níveis:

1) Autores jovens em princípio de carreira, mas com obra publicada - embora escassa - quer em fanzines, jornais, revistas ou, eventualmente, em álbuns (por edição alternativa, seja com apoio autárquico ou de empresa privada, até mesmo em edição de autor);

2) Autores já com obra significativa,mas demasiado novos para serem homenageados;

3) Autores que fizeram banda desenhada, de forma esporádica, há uns tantos anos, tendo desistido da BD e optado por diferente actividade (Incentivo de tipo retroactivo);

4) Desenhadores adultos que só tardiamente tiveram BD editada, sendo-lhes dado este incentivo pela TBDL, independentemente da sua idade.
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Vista assim, esta lista dos Autores Convidados Especiais daTertúlia BD de Lisboa está praticamente ilegível. Mas, como sabem todos os visitantes mais experientes, para aumentar bastante o texto bastará clicar-lhe em cima duas vezes (a primeira com o cursor em forma de mãozinha, a segunda já com o cursor a apresentar-se sob a forma de lente de aumentar)

QUARTA-FEIRA, JUNHO 08, 2011

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXIX)

Há muito tempo que não via nos jornais uma banda desenhada da autoria de António Jorge Gonçalves. Mas, subitamente, no jornalPúblico datado do terceiro sábado de Maio, deparam-se-me duas páginas, as iniciais, a prometer seguimento - com a clássica expressão "continua na próxima semana -, no estilo inconfundível de AJG. Intitula-se "A Vida Secreta de Teresa B", compõe-se de seis pranchas editadas em quadricromia, duas por semana, sensivelmente no formato tablóide do jornal Público.

(in jornal Público, edições de 21 e 28 de Maio, e 3 de Junho)






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Para ver postagens anteriores deste mesmo tema bastará clicar no item "Etiquetas: Banda Desenhada portuguesa nos jornais", visível no rodapé

DOMINGO, JUNHO 05, 2011

Tertúlia BD de Lisboa - 323º Encontro









José Abrantes faz parte do restrito número de autores de BD especializado na banda desenhada infantil. Os títulos dos álbuns constantes da sua relativamente extensa produção, consultável na biobibliografia (visível na parte de baixo deste blogue), são bem exemplificativos dessa tendência. Mas também as suas colaborações em dois suplementos infantis - "PimPamPum", do desaparecido jornalO Século, e "Correio das Crianças", do diário Correio da Manhã, constituem boas provas da actividade artística que tem desenvolvido nessa vertente, pouco apoiada pelas editoras que é a BD dedicada à infância.

(Claro que, de vez em quando, também faz incursões na área adulta, como se pode comprovar pelas três últimas imagens que ilustram o topo do "post", em que se vê a capa do nº 1 do prozine Cadernos José Abrantes, a última página da sua autobibliografia em banda desenhada, e a paródia Tintim na Seca XXI, incluída no tema "Tintim no Século XXI").

Pois vai ser José Abrantes o autor de BD em foco na Tertúlia BD de Lisboa, no encontro de 7 de Maio (no local do costume: Parque Mayer, restaurante A Gina).

Após ter sido Convidado Especial naquela Associação Informal, em Setembro de 1985, ele passa agora ao nível superior deHomenageado, por ter mantido uma constante actividade criativa, malgrado as reduzidas possibilidades existentes em Portugal, ao longo de um percurso já com trinta e seis anos (como se pode verificar na biobibliografia abaixo registada, e também no engraçado episódio que criou em BD propositadamente para o fanzine Tertúlia BDzine, de que no topo se vêem três pranchas, mas que pode ser visto na totalidade no "post" anterior).

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JOSÉ ABRANTES

Biobibliografia

José Abrantes, aliás, José Maria da Piedade de Lancastre e Távora, nasceu a 9 de Setembro de 1960, em Lisboa, onde frequentou o antigo curso liceal e concluíu o 4ºano.

A sua actividade como autor de BD teve início visível em 1975, a 8 de Novembro, numa publicação chamada Folha CDS, panfleto monocromático distribuído na rua, onde fez uma tira sob o pseudónimo "Zeta", obtido pela abreviação de José (Zé) em contracção com a primeira sílaba do apelido Távora. Faria ainda mais duas tiras nas seguintes edições desse panfleto.

Em Outubro de 1976 iniciou a bd Os homens não são ilhas no mensário infantil, de índole católica, O Farol. Essa história, com a extensão de cinco pranchas, durou até ao nº4 , já em 1977, e tinha argumento de Isabel Mendonça Soares. Com ela, e no mesmo jornal, fez ainda mais duas bedês, Uma Pista Perigosa e No Museu Naval. Foi nesta última, datada de Março de 1978, que usou pela primeira vez e semi-pseudónimo José Abrantes.

Colaborou posteriormente com BD num grande número de publicações, entre revistas, jornais, álbuns e fanzines: na revistaGirassol (1982-85); no jornal Correio da Manhã, onde foram reproduzidas, em 1984; As Viagens de Gularth, dois episódios de quinze pranchas cada; na revista O Mosquito (V Série, 1985); no "Tablóide" (suplemento BD do jornal Diário Popular, 1986, em que se estrearam duas personagens efémeras, Hungon e Imber, no episódioHistória possível de um amor impossível; "PimPamPum" (suplemento infantil do jornal O Século, 1989); Selecções BD (1ª série, 1991); Jornal do Gil (1996/97); mini-álbum com a bd 3 num 8, sob argumento de António Torrado, em edição do Instituto do Consumidor (Ministério do Ambiente, 1997); "Clube Rik Rok" (1998-2000) e "Correio das Crianças" (suplemento infantil do jornal Correio da Manhã, 2003-04), no qual foram reproduzidas bandas desenhadas das personagens Zu, Homodonte e Orn Bigom. Há igualmente bedês suas nos fanzines Protótipo e Eros, ambos dos anos 1980 (1985 e 87, respectivamente), no Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, no Lady Blitz Fan-Club (1995), no Tertúlia BDzine (bedês publicadas nos anos 1998, 2010, 2011), e noEfeméride, tendo feito neste último, no nº 2 (2007) e nº 4 (2009), paródias a cores, em formato A3, às personagens Príncipe Valente e Tintim.

José Abrantes teve uma bd de carácter político, caso raro na sua obra, inserida no catálogo da exposição Uma revolução desenhada. O 25 de Abril e a BD (1999) realizada sob o Alto Patrocínio da Comissão para as Comemorações Oficiais dos 25 anos do 25 de Abril. Esse catálogo apresenta-se como obra colectiva composta por textos e bandas desenhadas de vários autores, sendo que a colaboração de José Abrantes foi um episódio controverso (em quatro pranchas a preto e branco, sem título) onde sugere que Ditadura e Democracia são semelhantes.

Quanto a edições em álbum, tem dois títulos realizados em colaboração: Contos do Nordeste Transmontano, com argumento de Jorge Magalhães (1990), e Dakar o Minossauro(dois tomos, 1997 e 1998), com argumento de Luís Diferr.
Obras totalmente suas, ou seja, argumento, desenho, legendagem e colorização, são as seguintes: Aventura em Valverde e Os Fundos Perdidos (série "As Aventuras de Tobias Bigom"), O Eclipse, Histórias de Natal, O Ladrão Insolente, Luta de Galos, O Lago Iluminado, Horus-Uma Vida de Cão, e a série "As Aventuras do Zu" (1999-2001) participante de várias aventuras:A Ilha das Tartarugas, O Natal do Lobo, O Hipopótamo Cantor, O Passeio à Lua, Murcão Desenhador, A Farsa da Nespereira, Um Dia na Praia, O Crocodilo Chorão, Os Anos da Rita.

Outra personagem totalmente sua protagonizou e deu nome à banda desenhada Morgana e o Poço Misterioso (2005).

Recentemente (Maio 2010) começou a editar Cadernos José Abrantes, prozine a cores, formato A5, em que reedita colaborações suas nos jornais O Diabo e O Crime, e cria algumas novas bedês, alternando-as com ilustrações e rubricas humorísticas. Estão editados seis números até Dezembro 2010.

Os seus espaços na internet:
http://www.jose-abrantes.blogspot.com/
http://www.interdinamica.pt/abrantes

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Lista de presenças no 323º Encontroda TBDL
(Lista inserida "a posteriori")

1. Adelina Menaia
2. Álvaro
3. Ana Saúde
4. António Amaral
5. António Isidro
6. Falcato
7. Fernando Martins
8. Gastão Travado
9. Geraldes Lino
10. Helder Jotta
11. Isabel Viçoso
12. J. Mascarenhas
13. João Antunes
14. João Figueiredo
15. João Monsanto
16. José Abrantes (Homenageado)
17. Luís Pinto-Coelho
18. Machado-Dias
19. MALS
20. Manuel Valente
21. Miguel Ferreira
22. Milhano
23. Moreno
24.Nuno Duarte "Outro Nuno"
25. Nuno Leal "Untxura"
26. Nuno Neves
27. Paulo Marques
28. Pedro Bouça
29. Ricardo Leite
30. Rui Domingues
31. Rui Rôlo
32. Sá-Chaves
33. Simões dos Santos
34. Zé Manel

SEXTA-FEIRA, JUNHO 03, 2011

Fanzines esses desconhecidos (XLIV)

Uma das características mais importantes dos fanzines, e que os distinguem das revistas comerciais/profissionais, é a de não terem de se preocupar com a eventual escassa popularidade dos temas que abordam, porque a sua existência não depende do lucro das vendas, mas sim da disponibilidade económica dos seus faneditores, que os editam por gosto, geralmente em pequenas tiragens.

Daí que um fanzine tanto possa ser dedicado à banda desenhada - o tema mais comum -, como à poesia, à música (pop ou erudita), ao cinema (onde tem prevalecido o "gore"), à ficção científica, enfim, o conteúdo de um fanzine depende do interesse cultural, artístico ou de carácter simplesmente lúdico de quem o faz.

Todavia, um tema que era inédito até agora entre nós, tanto quanto sei, é o de ser dedicado, na sua totalidade, à autobiografia ou autobibliografia - ou às duas componentes em conjunto - de um único autor de BD.

Ora acontece exactamente isso no Tertúlia BDzine (exemplar nº 160 - 2011, Jun. 7), em que o autor José Abrantes (*) fala da sua bibliografia de BD, em jeito de narração figurativa (como se pode ver na imagem que ilustra o presente "post").

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(*) José Abrantes vai ser o autor homenageado no próximo encontro da Tertúlia BD de Lisboa, na próxima 3ª feira, dia 7 de Julho, no local do costume.
Isto é, no Parque Mayer (restaurante A Gina).
E será oferecido um exemplar do fanzine a todos os presentes

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Os interessados em ver as 43 postagens anteriores poderão fazê-lo facilmente clicando no item Etiquetas: Fanzines esses desconhecidos visível no rodapé

SEGUNDA-FEIRA, MAIO 30, 2011

Autógrafos desenhados (XVI)



O arranque do 7º Festival de BD de Beja teve substancial participação de autores de banda desenhada, nacionais e estrangeiros.

Receio, ao fazer a listagem dos nossos compatriotas (*), de falhar o nome de algum, do que desde já me penitencio e peço desculpa. Ei-los (note-se que estou a nomeá-los a quase todos de cor, à medida que me vou lembrando, por isso sem ordem alfabética):

Fernando Relvas, Victor Mesquita, Jorge Coelho, Pepedelrey, João Amaral, Rui Lacas, Nuno "Plati", João Lemos, Ricardo Tércio, Filipe Andrade, Potier, Filipe Melo (argumentista), Fil, Véte, Mota, Diogo Campos (argumentista), André Oliveira (argumentista), Ricardo Cabral, Paulo Monteiro, Susa Monteiro, Inês Freitas, Carlos Apolo, Carlos Páscoa, Sónia Oliveira, Carlos Rico (cartunista), Marc Parchow, João Mascarenhas, João Miguel Lameiras (argumentista), Bernardo Carvalho, Pedro Manaças, Zé Oliveira (cartunista), Phermad, Jorge Machado-Dias (argumentista, mas também desenhador), Hugo Jesus (argumentista), Hugo Galhoz, Hugo Teixeira, Ana Vidazinha (argumentista), Marcos Farrajota, João Chambel, Pedro Brito, Rafael Gouveia, Salvador Pombo, Nuno Duarte, Ana Saúde, Paulo Marques, Gastão Travado, Diogo Carvalho, Rui Ramos (argumentista), João Figueiredo (argumentista), Daniel Lopes, Miguel Martins, Ana Ribeiro, Rechena, João Raz...

O grupo de autores estrangeiros era, como é perfeitamente natural, bem mais curto: o inglês Liam Sharp, os italianos Ivo Milazzo e Andrea Bruno, o francês Loustal, o sérvio Aleksandar Zograf e o espanhol Pablo Auladell.

No meu nunca saciado interesse pela obtenção de desenhos feitos de improviso, acompanhados de dedicatória, obtive agora este de Liam Sharp (de Milazzo já tinha um datado de 1986, ano em que o conheci em Angoulême, bem como de Loustal, em 1993) e, no que se refere a portugueses, pedi um a Fernando Relvas.

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LIAM SHARP

Liam McCormach-Sharp nasceu a 2 de Maio de 1968 em Derby, no Reino Unido. Aos doze anos, as suas capacidades de sobredotado foram notadas e apoiadas na St.Andrews Prep. School, Eastbourne. E aos dezassete foi apresentado ao famoso Don Lawrence (autor de, entre outras obras, de "The Trigan Empire" e "Storm"), de quem recebeu precioso apoio que lhe permitiu iniciar a sua carreira no final dos anos 80, ilustrando histórias de Judge Dredd e ABC Warriors para a revista 2000AD.

A sua entrada na Marvel UK, onde desenhou a série Death's Head II - que obteve grande sucesso - chamou a atenção de editoras americanas, para as quais desenharia várias personagens e séries: "X-Men", "The Hulk", "Spider Man", "Venom" e "The Man-Thing", para a Marvel Comics.

Também já trabalhou para a DC Comics nas séries "Superman" e "Batman", e na série criada por Frank Frazetta, "The Death Dealer" e "Jaguar God" para a Verotik.

Colaborou com Todd McFarlane em "Spawn The Dark Ages", e na tira criada por Stan Winston intitulada "Realm of the Claw". Para a Dynamit Comics desenhou Red Sonja. E realizou a novela gráfica "Aliens: Fast Track to Heaven", para a Dark Horse.

O nome de Sharp aparece no magazine Time Out (edição londrina), a assinar a série "Four Feet from a Rat". Terminou recentemente o controverso título "Testament" para a DC Vertigo; e sob argumento do mediático comentador Douglas Rushoff, fez a adaptação à BD do seminal jogo da XBox, "Gears of War".


Em 2002 foi assistente de Don Lawrence, no último episódio da sérieStorm.

Em 2004 fundou, em parceria com Christina McCormack, sua mulher, a editora Mamtor Publishing, e lançou o livro Sharpenings: The Art of Liam Sharp, ao que se seguiu a aclamada e premiada antologia Event Horizon.
Recentemente editou o seu segundo livro, Reluctant Barbarian: The Art of Liam Sharp.

Sharp igualmente tem trabalhado no cinema, na produção do filme "Small Soldiers", e na série de filmes de animação "Batman Beyond", bem como no filme "Lost in Space", com Geoff Johns e Kris Grimminger. Foi um dos artistas escolhidos por George Lucas para contribuir com a sua colaboração no livro Star Wars: Visions.

Neste momento Liam encontra-se a desenvolver o projecto intitulado "Captain Stone is Missing", também com a sua mulher.

Liam Sharp esteve agora em Maio em Portugal a participar no 7º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, a convite de Tiago Sério, dono da Livraria Mongorhead Comics, de Lisboa (e que também escreveu a biobibliografia do artista para o "Splaft", catálogo do festival).

Para complementar a presença do artista, estiveram em exposição na Bedeteca de Beja pranchas originais de "Superman - Where is Thy Sting", "Lord Havok", "Gears of War - Wild Storm", "Testament", "Hulk", "X-Men", "Conan", "Spawn-Dark Ages".

Liam Sharp demonstrou ter prazer em desenhar, mostrando-se sempre disponível para dar autógrafos e desenhos. Daqui lhe agradeço o que ilustra o presente poste.

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(*) Claro que também estiveram presentes no fim-de-semana inaugural várias figuras conhecidas por actividades paralelas na área da BD - investigação, crítica, estudo, divulgação - como é o caso de Pedro Vieira Moura, Sara Figueiredo Costa, Leonardo De Sá, Pedro Cleto, Domingos Isabelinho, João Miguel Lameiras, Pedro Mota (o já nomeado Mota, na lista de desenhadores), Jorge Machado-Dias (já incluído como argumentista e desenhador), José Carlos Francisco (especialista da personagem Tex), Pedro Bouça (especialista da mangá). Que me lembre...

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Os interessados em ver as quinze postagens anteriores deste tema poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhadosincluído na barra do rodapé

QUINTA-FEIRA, MAIO 26, 2011

7º Festival de Banda Desenhada de Beja





Todas as artes têm os seus admiradores, e a banda desenhada não é excepção. Mas entusiasmo transbordante, cumplicidades, sentimentos de partilha, é à volta da BD que se sente tudo isso de forma intensa e espontânea.

Como se vai provar, mais uma vez, em Beja, no ambiente habitualmente entusiástico da inauguração do seu Festival Internacional de Banda Desenhada, já na sétima edição.

Com início a 28 de Maio, sábado, a partir das 15h00, lá estarão aficionados de todo o país, a cirandar pelos vários pólos exposicionais: Casa da Cultura (Bedeteca), Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago, Museu Jorge Vieira-Casa das Artes, e Museu Regional de Beja.

Claro que quem não puder lá estar neste primeiro fim-de-semana, não beneficiará da atmosfera festiva que caracteriza qualquer inauguração. Perderá, obviamente, os lançamentos de novas publicações, as sessões de autógrafos, mas... terá outra calma para ver as exposições, restar-lhes-á essa consolação... Até 12 de Junho, estará lá tudo, com entrada livre em todos os espaços.

Em tempo: o estupendo cartaz do festival, que se pode ver no topo deste poste, é da autoria de Susa Monteiro.

LANÇAMENTOS

Vários e a suscitar o interesse dos coleccionadores compulsivos:

1. Splaft! - Onomatopeia que titula o festivaleiro catálogo, imperdível - por bem organizado, sempre com elementos biográficos sobre as personalidades BD presentes no evento (este lançamento terá lugar logo na sessão de abertura, aquando das habituais boas-vindas ditas pelo presidente da autarquia local );

2. Zona Gráfica 2 - Uma publicação que será apresentada por dois dos responsáveis da novel Associação Tentáculo - Fil (Luís Filipe Lopes) e André Oliveira (às 15h45, na Bedeteca, 1º andar da Casa da Cultura, ala esquerda);

3. Banzai - Uma publicação dedicada à BD tipo mangá, com apresentação de Ricardo Andrade, representante da NCreatures (também às 15h45, mas na Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago, na cafetaria do 1º andar, uma das várias sobreposições que haverá no festival, que causarão correrias e arrelias, rima e é verdade, garanto);

4. Mundos em Segunda Mão, de Alexander Zograf (com a presença do autor e de Marcos Farrajota, responsável da editora MMMNNNRRRG), às 16h30;

5. BDJornal (nº27) e Li Moonface, livro de Fernando Relvas, ambas as edições da chancela Pedranocharco, com a presença do seu responsável editorial, Machado-Dias, e do autor Fernando Relvas, às 17h00.

DOIS DEDOS DE CONVERSA

Quem diz dois, pode dizer vinte, não dedos, mas minutos de conversa.

Porque os conversadores são autores que interessam à maioria dos bedéfilos - Loustal, Relvas, Milazzo, Mesquita -, e os que lhes vão puxar pela língua sabem do ofício.

Loustal, Jacques de Loustal, falará com João Miguel Lameiras, às 16h00 (Bedeteca, 1º andar, ala esquerda);

Relvas, Fernando Relvas, falará com Jorge Machado-Dias, às 17h00 (Bedeteca, 1º andar, ala esquerda);

Milazzo, Ivo Milazzo, falará com Pedro Mota, às 17h30 (Bedeteca, 1º andar, ala esquerda);

Mesquita, Victor Mesquita, outra vez Pedro Mota será o entrevistador, mas às 21h45, agora no Teatro Municipal Pax Julia (na cafetaria, 1º andar).

Depois há aquelas desagradáveis sobreposições, que nos fazem olhar para o relógio e ter de decidir e optar.

Como primeiro exemplo: ainda Loustal estará a responder às perguntas do Lameiras - e, eventualmente, de algum assistente mais curioso -, e já estará a começar (às 16h30) uma visita guiada àexposição de Milazzo patente na cafetaria (r/c, ala direita) com os guias Pedro Mota e José Carlos Francisco (também conhecido por "Tex", dada a sua admiração pelo cowboy da camisa amarela, que Milazzo também já fez, daí a participação do Zeca como guia).

Segundo exemplo: entre as 15h45 e as 17h00, terá o povo bedéfilo que decidir se fica a assistir ao lançamento das publicações Zona Gráfica, Mundos em Segunda Mão, BDJornal e Li Moonface, ou se irá espreitar o Portfolio Review (Sala de Ateliês, 1º andar, ala direita), de Liam Sharp, desenhador ligado à tarefa de trabalhar para uns tais Batman, Hulk (o de papel), Spawn, Spider Man, entre outros...

Eu, por mim, veterano de tantos festivais, lá fora e cá dentro, ainda não consegui o dom da ubiquidade...

AUTÓGRAFOS


As sessões serão efectuadas no Mercado do Livro Exterior (o mercado, não o livro :-). Quando?

Das 18h00 às 19h00

Quem estará a dar autógrafos?

Todos. Isto é (por ordem alfabética):

Aleksandar Zograf
Andrea Bruno
Bernardo Carvalho
Carlos Rico
Fernando Relvas
Filipe Andrade
Inês Freitas
Ivo Milazzo
João Lemos
João Mascarenhas
Liam Sharp
Loustal
Nuno Plati
Pablo Auladell
Ricardo Cabral
Ricardo Tércio
Rui Lacas
Victor Mesquita

e, se calhar, ainda outros autores, logo se verá...

DOMINGO

BD é arte e cultura, e quem gosta destas facetas da actividade humana também aprecia conhecer uma cidade, em especial as suas raízes.

Daí que, às 11h00 haja uma visita guiada ao centro histórico de Beja, com Florival Baiôa Monteiro, sendo o encontro no Largo do Museu Regional.

CASA DA CULTURA

(Bedeteca, 1º andar, ala esquerda)

Apresentação de novas publicações:

14h45 - Obscurum Nocturnus - por Diogo Carvalho
15h00 - Futuro Primitivo - por Marcos Farrajota, João Chambel e Júcifer
15h15 - Voyager (nº1) - por Rui Ramos, Diogo Carvalho e Salvador Pombo

DOIS DEDOS DE CONVERSA

Esta rubrica também terá edição dominical, desta vez com:

Liam Sharp, à conversa com Tiago Sério (às 15h30)
Carlos Rico com a jornalista Ana de Freitas (17h00)
João Mascarenhas fala com Marc Parchov Figueiredo (17h30)
Aleksandar Zograf e Andrea Bruno com Marcos Farrajota (das 16h00 às 17h00, na cafetaria r/c, ala direita

FANZINES

Funzip (nº6)
Kzine II

Apresentação destes dois fanzines por Ana Saúde e Paulo Marques, membros do Grupo Entropia (Associação Informal) - às 16h00

DOG MENDONÇA - Apresentação da história para a Dark Horse Presents, por Filipe Melo (às 16h15)

"Quarteto Fantástico" (Filipe Andrade, João Lemos, Nuno "Plati" e Ricardo Tércio) à Conquista da América (às 16h30)

ESTE É APENAS O PROGRAMA DO FIM DE SEMANA DE 28 E 29 MAIO
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