Saturday, June 25, 2011

JAPÃO COGITA RELAXAR BARREIRAS A IMIGRANTES



06 de outubro de 2004  20h17

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O presidente do conselho de administração da Sony, Iwao Nakatani, fez recentemente um apelo por mais imigrantes no Japão, abrindo o país a diferentes raças e influências. Nakatani disse que está preocupado porque os japoneses estão vivendo cada vez mais e tendo cada vez menos filhos.
O resultado é uma força de trabalho que está encolhendo, ameaçando o crescimento econômico do país. Como conseqüência, o governo está pensando em afrouxar suas restrições à imigração. Mas qualquer mudança virá como um choque para um país onde estrangeiros legalizados somam pouco mais de 1% da população.
Homogeneidade
Yoko Nakamura, de 52 anos, de Tóquio, disse que o período que passou na Europa e na Austrália mostrou a ela as vantagens da uniformidade do Japão. "Todo mundo tem a mesma cor de cabelo e a mesma cor de olho. Você sente que seu vizinho pensa da mesma maneira. Então é uma boa sensação ser homogêneo", afirmou.
É difícil saber até que ponto essa atitude está disseminada no país. Entre aqueles entrevistados nas ruas de Tóquio, foram encontrados tanto entusiastas quanto pessoas alarmadas com um possível afluxo de trabalhadores estrangeiros.
Para muitos estrangeiros que já vivem no Japão, no entanto, a discriminação é um problema real. O tratamento que as pessoas recebem parece ser determinado por uma série de fatores - de status sócio-econômico a origem étnica.
Discriminação
A situação é complexa, afetada por fatores como profissão, renda e aparência. "Todo dia eu sofro discriminação. Os japoneses não gostam de estrangeiros", afirmou Gemba, um senegalês que trabalha num bar na zona de prostituição de Kabukicho. "Se você está num trem, os japoneses não vão se sentar perto de um estrangeiro". Ele disse que ouve pessoas falando sobre ele em japonês.
Aarthi Muniswamy, uma indiana que trabalha na indústria de tecnologia de informação em Chiba, acha que sua nacionalidade traz consigo associações positivas no Japão. "Em algumas partes do Japão, eles acham que pessoas da Índia são muito inteligentes", disse.
Mão-de-obra
Confrontado com apelos para relaxar restrições à imigração, o governo mostrou alguma flexibilidade. O órgão responsável pela imigração está em negociações com as Filipinas para aceitar trabalhadores especializados em cuidar de pessoas mais velhas, fundamentais para os idosos japoneses.
A dificuldade, porém, vem quando se trata de trabalhadores não qualificados, que não têm permissão atualmente para trabalhar no Japão. E eles são exatamente o tipo de pessoa de que o Japão mais necessita, já que sua população está envelhecendo, de acordo com Tony Laszlo, diretor de uma organização antidiscriminação em Tóquio.
"Em 10, 20, 50 anos, você terá que se perguntar quem vai estar escalando os edifícios para lavar as janelas, quem vai construir pontes e consertar as pontes. E a resposta é: não temos essas pessoas", disse.
O trabalho ilegal pode ocupar esse espaço. Autoridades japonesas dizem que há no país cerca de 250 mil imigrantes ilegais, a maioria dos quais entra no país com visto temporário. Mas o governo quer cortar esse número pela metade nos próximos cinco anos, e não parece pronto para legalizar trabalhadores estrangeiros não qualificados.
Isao Negishi, diretor-assistente do órgão que planeja a política de imigração japonesa, argumenta que isso ameaçaria os empregos de japoneses em setores como o da construção, onde as vagas de trabalho estão escassas atualmente.
Com o envelhecimento da população, entretanto, argumentos econômicos contra a importação de mão-de-obra não qualificada estão se enfraquecendo. Argumentos emocionais, porém, vão permanecer.
Ressentimento
É provável que trabalhadores não qualificados venham de países que são próximos geograficamente do Japão: especialmente China e Coréia do Sul. E entre os vizinhos do Japão, esses são os países que cultivam o ressentimento mais forte contra o comportamento japonês na época da Segunda Guerra Mundial.
Hideko Yamamota, uma chinesa de 48 anos nascida no Japão, disse que sofre discriminação. "Um dos meus professores me disse: 'Por que eu ajudaria uma chinesa a conseguir um emprego?'. Fiquei muito chateada. Se acontecer um crime e você estiver por perto, você é interrogada pela polícia", contou.
Com testemunhos como esse, o Japão enfrenta uma escolha difícil entre relaxar sua política de imigração e talvez perturbar a estabilidade social, ou pôr em perigo o sucesso econômico do país.
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