Saturday, June 11, 2011

Histórias em quadrinhos feitas na Turquia

Quadrinhos para todos os dias

Catar coisinhas no chão.

Anotar diálogos aleatórios.

Optar por “ir a pé” ou pelo transporte público, para observar pessoas e cenários.

Passar a tarde de frente para o mar…

… ou em uma boa cafeteria.


Os detalhes, os estranhos nas ruas, as coisas pequenas e situações cotidianas são os protagonistas dos desenhos de Ozge Samanci, a autora dos extraordinários Ordinary Comics.


Ozge Samanci é turca, mas vive em Atlanta, EUA, há sete anos. Ela descreve sua arte como um trabalho simples e experimental. Suas ilustrações, cartuns e quadrinhos são criados a partir de colagens e aquarelas, quase sempre com a intenção de representar páginas de um diário pessoal. São os próprios materiais escolhidos para trabalhar que, muitas vezes, constroem as mensagens de suas artes.

Ozge costuma contar que suas habilidades artísticas desenvolveram-se, principalmente, ao longo das aulas que achava chatas, na escola.

Quando se formou na faculdade, Ozge começou a desenhar, semanalmente, para uma revista de humor e, em seguida, para uma revista de arte e uma revista sobre cinema. Os Ordinary Comicsnasceram em 21 de janeiro de 2006, quando a autora já estava há dois anos vivendo nos EUA e sentia o impulso e a necessidade de exercitar seu traço e sua linha de pensamento com maior liberdade. Ela acreditou também que, através daqueles quadrinhos, poderia substituir os e-mails que enviava para os amigos distantes, como se mantivesse uma espécie de diário virtual público sobre tudo o que a encantava na vida que estava construindo na América.

Por ter vivido a vida toda na Turquia, até então, a sensação de estranhamento que o novo país provocava a tornava mais perceptiva. As coisas mais banais da vida norte-americana lhe pareciam extraordinárias. Os desenhos que publica no site são sua maneira de comunicar e compartilhar percepções muito particulares com pessoas queridas e com pessoas desconhecidas, mas são também um jeito de falar um pouco sobre si mesma para ela mesma.


A artista acredita que todas as pessoas poderiam explorar de forma criativa as suas observações cotidianas. Acredita que seria uma boa maneira de cada um obter conhecimento sobre si mesmo e tomar como hábito o exercício da arte. Contanto que cada um sinta essa necessidade (que ela mesma sente) de exercitar o auto-conhecimento e esse modo mais criativo de pensar o mundo, toda a disciplina que a atividade artística exige passa a funcionar como um processo intenso de amadurecimento.

Ozge descreve os quadrinhos produzidos na Turquia como uma mídia muito viva, mas bastante introvertida. São raras as histórias que são traduzidas para o inglês e mais raras ainda são as traduções para outras línguas. De acordo com a própria artista, os quadrinhos mais populares no país são os quadrinhos humorísticos e o senso de humor do quadrinho turco é, em geral, muito “local” e dificilmente faz sentido para um estrangeiro. Ozge descreve o país como uma terra “cheia de absurdos”, uma terra que rende um bom material para humor. E há um número considerável de mulheres cartunistas e quadrinhistas fazendo esse humor por lá.

fonte:

http://ladyscomics.com.br/quadrinhos-para-todos-os-dias

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