Tuesday, June 7, 2011

Frank Miller e o “quadrinho cinematográfico”


Matéria do Mês – Frank Miller e o “quadrinho cinematográfico”

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Categoria : Matéria Especial
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Quando comecei a pensar em o que escrever sobre Frank Miller, percebi que não preciso falar da carreira dele, todos já conhecem. Ao invés disso, vamos falar do motivo dele ser escolhido. Temos que aprender com o mestre.
Sua carreira nos quadrinhos começou com fanzines. Depois de fazer uma HQ chocante doHomem-Aranha com o Justiceiro, ele ganhou o posto de desenhista do Demolidor. Mais tarde, assumiu como roteirista, direcionou o Homem Sem Medo para um público mais adulto e criou a Eléktra. Daí para frente, conhecemos seus passos: “A Queda de Murdock”, “Wolverine”, “Demolidor: o Homem Sem Medo”, “Sin City”, “300”, “Batman, o Cavaleiro das Trevas”, entre outros. Sua grande especialidade é alterar a visão que temos dos personagens, revitalizar sua história e tentar aproximá-lo do mundo real.
Miller tem uma verdadeira paixão pelo submundo. Demolidor e Batman, os dois personagens que mais foram marcados pelas novas interpretações que ele criou são enraizados no mundo do crime, e entre suas galerias de vilões figuram assassinos a sangue frio, psicopatas e mafiosos. Os dois são bairristas (tem uma dedicação incomum ao cenário em que protegem), trabalham a noite e possuem histórias familiares tristes. Porém, em termos de personalidade, diferem bastante. O trabalho de Miller foi tão profundo que desde então, todos os autores que assumem acabam por seguir a visão dele desses personagens como a verdadeira.
Vamos usar Batman de exemplo: em Cavaleiro das Trevas, Miller abriu caminho para os Elsewords, mundos paralelos da editora DC. Mesmo sendo uma outra realidade, a HQ marcou bastante a história do Morcego. A morte do Robin, que tanto atormenta Batman durante o quadrinho, não havia acontecido na cronologia oficial, e foi incorporada a ela posteriormente. Foi por votação do público, mas a HQ com certeza influenciou a decisão dos fãs. Além disso, o retrato que ele passa da personalidade de Bruce foi tão bom, que muitos dos trabalhos posteriores o seguiram, assim como a relação com o Coringa. A Piada Mortal é um bom exemplo disso.
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A história foi também uma das responsáveis pelo jeito como os quadrinhos foram feitos no final dos anos 80 e nos 90. Personagens amargos e durões pipocaram por todos esses anos, assim como a mudança de personalidade de outros, normalmente mais brandos ou mesmo bobos, que tiveram análises psicológicas e deixaram de ser superficiais. Isso não é ruim, mas autores posteriores abusaram tanto, que as histórias passaram a ser maçantes e cheias de violência desnecessária.
Sin City, o primeiro trabalho totalmente solo do autor, é um marco. Com poucas cores, roteiro cinematográfico e a sensação de filme noir por todas as páginas, as históriasunderground contadas são fortes. Apesar da violência, até um pouco exagerada, o que chama a atenção é a profundidade dos personagens.
A primeira pessoa, usada durante toda a narração de Sin City, foi uma das inovações que os autores como Miller trouxeram. Antes as histórias costumavam ter narradores, mas após esse período, os personagens passaram a contar os acontecimentos através do pensamento. Em Cavaleiro das Trevas, a narração é feita pelos telejornais que cobrem todos os momentos. São essas coisas que fazem com que as HQ’s dele sejam tão próximas dos filmes.
frank miller sin city Matéria do Mês   Frank Miller e o “quadrinho cinematográfico”
Esses detalhes de narração e quadrinização são bastante importantes para aqueles que querem produzir um quadrinho. Antigamente, as histórias costumavam ser lineares, mas após esses lançamentos (tanto de Miller quanto de outros autores), as histórias passaram a ser contadas em partes, muitas vezes até desconexas a primeira vista. Há também o casamento criado entre as cores e o tema, como por exemplo em Sin City. Não se pode contar uma história de sexo e morte e desenhar como a Disney. São esses detalhes que fazem com o Miller roube a cena. Não deixar nada escapar é uma atitude de um bom autor.
Nem tudo que Miller faz é bom, mas tudo que é bom criado por ele influenciou gerações. Se os anos 90 foram pesados e se você gosta das sagas atuais, agradeça a autores como Frank. Provavelmente 9 a cada 10 artistas atuais leram esse autor e copiaram algo de seu estilo. Mesmo que as vezes seu traço seja difícil de apreciar, faça um esforço e veja a beleza dos detalhes. Frank Miller é um rei das sutilezas, e até mesmo a forma como o texto está escrito no balão é importante, mudar uma vírgula de lugar seria fatal. Estudem esses detalhes e façam suas histórias serem obras de arte por completo.
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